Anfavea anuncia Exportar Auto

Tomou posse o vigésimo segundo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Yabiku Júnior, que ficará à frente da instituição no triênio 2013-2016.

por Fábio Doyle 23/04/2013 10:41

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João Carlos Martins
(foto: João Carlos Martins)
Yabiku, diretor de Assuntos Institucionais da General Motors do Brasil, abriu seu primeiro encontro com a imprensa como presidente da Anfavea, apresentando a descentralização dos indústrias automotivas no País como o maior desafio de sua gestão. São hoje 55 unidades industriais instaladas no País, em 39 municípios e nove estados da federação, relatou. O desafio é garantir o desenvolvimento do setor como um todo nesse formato descentralizado, evitando que as diversidades regionais tragam problemas e desequilíbrios ao mais importante setor da economia brasileira. A indústria automotiva é hoje responsável por 23% do PIB industrial e 5% do total.

No período de 2014 a 2012 o mercado interno de veículos cresceu 166%, de 1,4 para 3,8 milhões de unidades enquanto a capacidade de produção do setor aumentou em 99%. Yabiku aposta que no final de sua gestão, daqui a três anos, o mercado interno de veículos no Brasil terá atingido a casa de cinco milhões de unidades. O novo presidente afirmou que irá trabalhar para aproximar o ranking do mercado interno com o de produção, de forma a fortalecer a presença de veículos fabricados no País nas vendas internas. Para o que chama de novo estágio ele considera o projeto Inovar Auto um “programa chave”.

Quarenta empresas estão hoje habilitadas a receber os benefícios do Inovar Auto. Essas empresas, segundo Yabiku, deverão investir, entre 2013 e 2017, R$ 60 bilhões em sua capacidade produtiva, sendo que R$ 12 a R$ 14 bilhões serão destinados à engenharia automotiva, ou seja, a projetos de inovação tecnológica para tornar mais competitivo e avançado o produto nacional. De uma capacidade produtiva hoje de 4,3 milhões o presidente da Anfavea acredita que dentro de cinco anos País esse número estará em 5,6 milhões.

Para acompanhar essa evolução Yabiku anunciou que indústria e governo estão em fase final para lançar o programa Inovar Peças, voltado para o setor de autopeças.

"Não há alta lucratividade no setor"

Voltar a ter o setor automotivo como um segmento exportador de peso é outra meta, a mais ousada, da nova gestão da Anfavea. Ele lembrou que em 2005 as exportações do setor foram de 900 mil unidades, ou 30% da produção e que 2013 deve chegar ao fim com 420 mil unidades exportadas, ou 13% da produção.

Para reverter essa situação a Anfavea inicia agora movimentos com o governo para lançar o programa que Yabiku chamou de “Exportar Auto” com a meta de atingir um milhão de unidades exportadas por ano. O presidente da Anfavea acredita que esse volume pode ser atingido até 2017. Ele reconhece as dificuldades que a política cambial brasileira representa para o objetivo exportador, uma questão única e exclusivamente governamental, mas disse ser possível melhorar a competitividade dos veículos brasileiros no mercado internacional atacando em outras frentes. Como exemplo citou a “recuperação de impostos exportados”. Ele se referiu à série de impostos que integram o preço de exportação dos carros brasileiros destinados ao mercado externo e que deveriam ser eliminados da formação de preço dos produtos para exportação. Sobre o volume de um milhão de unidades exportadas em 2017, ele lembra que esse número deverá representar 20% da capacidade produtiva esperada para aquele ano. "É menos que os 30% exportados em 2005", lembra, o que segundo ele mostra a viabilidade desse projeto.

Yabiku reiterou o fato de o carro brasileiro ser o mais taxado no mundo. Ele mencionou a necessidade urgente de eliminar os 8,8% de impostos não repassáveis. São impostos que fazem parte do custo de produção de um carro e que não há como repassar ao consumidor final. Ele explicou que são impostos cobrados ao longo da cadeia produtiva como, por exemplo, os impostos cobrados na alimentação de funcionários das empresas e impostos da conta de energia elétrica, entre vários outros.

Yabiku afirmou que “não existe alta lucratividade no setor”, como vem sendo alardeado por uma série de analistas. Estamos finalizando um detalhado estudo sobre isso, que em breve divulgaremos, provando que as indústrias do setor automotivo não praticam a política de alta lucratividade, disse.

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