Tremores de terra em Montes Claros serão monitorados por cientistas

O trabalho de monitoramento será feito pela Unimontes, em parceria com a UNB e a USP, e permitirá estudos mais aprofundados, além de favorecer a capacidade de prevenção de danos causados pelo fenômeno

por Agência Minas 29/04/2013 10:33

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Geraldo Goulart/Arquivo
(foto: Geraldo Goulart/Arquivo)
Com os frequentes abalos sísmicos ocorridos na cidade de Montes Claros, no norte de Minas, a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) está finalizando a instalação de um Núcleo de Estudos Sismográficos, que auxiliará na elaboração de estudos sobre as causas desses trenores. Com investimentos de cerca de R$ 150 mil, a iniciativa envolve a compra de duas estações sismográficas, por meio de licitação internacional, com capacidade para detectar a ocorrência de abalos sísmicos em qualquer parte do mundo.

A instalação do Núcleo de Estudos Sismográficos está sendo viabilizada através da parceria entre a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais. O núcleo está sob a responsabilidade do Departamento de Geociências da universidade, envolvendo profissionais do Centro de Estudos de Convivência com o Semiárido, coordenado pelo professor Expedito José Ferreira.

Numa parceria com a Universidade de Brasília (UNB) ecom o Núcleo de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), a unidade de estudos sismológicos da Unimontes integrará os estudos sobre as principais causas dos abalos sísmicos na região que, de acordo com avaliação preliminar do Observatório Sismológico da UNB, são decorrentes de falhas geológicas.

Com base em pesquisas e observações, os pesquisadores vão definir estratégias de orientação da população sobre como agir em casos de tremores e desenvolverá estudos técnicos para subsidiar equipes de engenharia da prefeitura e dos governos estadual e federal no sentido de implementar, em caso de necessidade, projetos de reestruturação de casas e outros tipos de edificações específicos para suportar os tremores.

Os equipamentos já estão sendo instalados e a expectativa é que o espaço comece a funcionar em maio. Os trabalhos do Núcleo serão auxiliados por duas estações sismográficas que estão sendo instaladas em uma área do Parque Estadual da Lapa Grande, administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), e numa propriedade rural localizada a oito quilômetros da área urbana de Montes Claros. Os equipamentos foram importados do México e os locais escolhidos para instalação foram definidos tomando-se por base sua proximidade com o epicentro da ocorrência dos abalos sísmicos– o que possibilitará detectar com maior precisão a intensidade de novos tremores que venham a ocorrer.

A instalação da estação sismográfica e o treinamento de professores da Unimontes para a operação, manutenção e leitura dos dados coletados pelos equipamentos está sendo viabilizada por meio de cooperação técnica com a UNB e o Núcleo de Sismologia da USP. Os professores da UNB Lucas Vieira Barros e Darlan Portela Fontenele contribuíram com as especificações técnicas dos equipamentos e acessórios sismográficos que contemplam, entre outros, as unidades de aquisição de dados, sismógrafo, rádios e painel solar.

Segundo o geógrafo e mestre em cartografia e sensoriamento remoto da Unimontes, Manoel Reinaldo Leite, além de se dedicar à avaliação dos fenômenos naturais que estão ocorrendo no Norte de Minas, o Núcleo de Estudos Sismográficos  possibilitará que a Unimontes se torne uma referência no desenvolvimento de pesquisas em abalos sísmicos, envolvendo acadêmicos e professores de várias áreas do conhecimento.

“Até então, os profissionais do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros tinham conhecimento basicamente teórico de questões relacionadas a abalos sísmicos. Com a instalação da estação sismográfica, a Unimontes dará um importante passo no sentido de desenvolver estudos e pesquisas de forma prática, orientando a população e integrando ações de especialistas das mais diversas áreas do conhecimento e segmentos organizados da sociedade”, prevê Manoel Reinaldo, que integra a equipe do Núcleo.

Arquivo Pessoal/Reprodução
Professor Reinaldo Leite trabalha na manutenção de uma das unidades de campo da estação sismográfica de Montes Claros (foto: Arquivo Pessoal/Reprodução)
O geógrafo observa, ainda, que a interação com especialistas da UNB e da USP, que possuem larga experiência no desenvolvimento de pesquisas e estudos sobre abalos sísmicos, abre perspectivas para que o desenvolvimento de estudos sismológicos na Unimontes. “Futuramente teremos condições de oferecer a segmentos específicos da sociedade, bem como à população em geral, subsídios consistentes para convivência com os abalos sísmicos que são comuns no Norte de Minas e em outras regiões do país”, prevê.

Do ponto de vista técnico, Manoel Reinaldo conclui que é impossível prever quando acontecerá um abalo sísmico, pois a ocorrência de tais fenômenos depende das tensões existentes nas rochas. São elas que causam rompimentos no subsolo e, consequentemente, os tremores. “Nas dimensões das falhas detectadas no subsolo e suas extensões é que se pode estimar probabilidades. Daí a necessidade da continuidade dos estudos”, explica o professor.

Falha geológica é o cerne do problema

De acordo com relatório divulgado no segundo semestre de 2012 pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, por meio de nove estações sismográficas instaladas em caráter provisório em Montes Claros, ficou constatado que os tremores têm como causa uma falha geológica de um a dois quilômetros de profundidade. As falhas estão próximas ao perímetro urbano, na região Norte de Montes Claros, envolvendo o bairro Vila Atlântida e o Parque Estadual da Lapa Grande.

O monitoramento da região vem sendo feito pela UNB após a ocorrência, em 19 de maio do ano passado, de um tremor de 4.2 na escala Richter. Em relatório apresentado no ano passado à reitoria da Unimontes, o coordenador do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, Lucas Vieira Barros, ressaltou que não é possível prever se a ocorrência de abalos sísmicos diminuirá ou se haverá novo surto com algum tremor de magnitude superior a quatro pontos na Escala Richter.

“O cenário mais provável é que a atividade diminua gradualmente com alguns tremores ocasionais de magnitude próxima a três. A probabilidade de ocorrer outro tremor maior é estimada em 1%, baseada em estatísticas de outros casos ocorridos no Brasil. Mesmo com probabilidade pequena, recomenda-se reforçar as casas frágeis próximo à área do epicentro”, diz o pesquisador no relatório.

Os técnicos fazem recomendações para a convivência com os fenômenos, já que não é possível prever se a atividade sísmica vai evoluir. Ainda de acordo com os estudos iniciais feitos por técnicos da UNB, as tensões geológicas compressivas detectadas em Montes Claros são as mesmas que causaram os tremores no município de Manga, também no Norte de Minas, em 1990, e são compatíveis com as que causaram o sismo de Brasília, em novembro de 2000, com magnitude de 4.2 na escala Richter.

“Isso significa que os tremores de Montes Claros são resultados de ‘pressões’ geológicas que atuam em uma ampla região do Brasil (...)”, conclui o documento.

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