Fundação Ezequiel Dias estuda uso de células-tronco contra o diabetes

A pesquisa leva em conta doenças que culminam na deterioração de tecidos e pode ser alento para pacientes e mesmo para desafogar sistema de saúde

por Da redação com Agência Minas 25/06/2013 12:56

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Rodrigo Cardoso/Agência Minas/Divulgação
Pesquisadores da Funed trabalham na aplicação de células-tronco para tratamento do diabetes (foto: Rodrigo Cardoso/Agência Minas/Divulgação)
Apesar de se tratar de um assunto polêmico, o uso das células-tronco é cada vez mais comum e pode representar a solução para muitas doenças e deficiências que assolam a humanidade. Com o intuito de criar uma terapia definitiva para o diabetes, e mesmo para outras doenças causadas por morte de tecidos, foi realizada uma parceria entre a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a GID Brasil, empresa especializada na preparação de tecidos humanos, que possibilitará pesquisas a partir de células-tronco retiradas de gordura (tecido adiposo).

"O grande objetivo da iniciativa é incorporar a terapia celular no Sistema Único de Saúde, de modo a disponibilizá-la a todos os usuários”, explica Augusto Monteiro Guimarães, presidente da Funed. A parceria leva a uma nova perspectiva para tratamento do diabetes e suas complicações. O método convencional, com injeção de insulina, demanda uso contínuo, e a alternativa do transplante de ilhotas encontra barreiras na escassez de doadores e na utilização de imunossupressores para evitar o risco de rejeição. “O tratamento com células-tronco do próprio paciente, transformadas em ilhotas produtoras de insulina e com nenhum risco de rejeição, aumentaria enormemente a qualidade de vida dos pacientes, além de reduzir o custo para o sistema de saúde", explica Alessandra Matavel, pesquisadora da fundação.

Com o acordo, a GID Brasil fornecerá para a Funed os equipamentos de laboratório para a realização de pesquisas com células-tronco, extraídas do tecido adiposo (gordura). Este, será retirado e processado no Hospital Vila da Serra, por meio de cirurgia de lipoaspiração. Em seguida, as células-tronco serão encaminhadas para a fundação, onde será feito o processo de caracterização e diferenciação em células produtoras de insulina. "Tudo, claro, dentro dos requisitos técnico-sanitários determinados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com prévio consentimento do paciente e de acordo com os regulamentos dos comitês de ética”, enfatiza  Alessandra.

Benefícios

De acordo com a pesquisadora, células-tronco do tecido adiposo podem ser encontradas em qualquer fase da vida, e seu uso não está associado a questões éticas ou religiosas, além de ser um procedimento autólogo, ou seja, em que são utilizadas células do próprio paciente. "Elas podem ser facilmente retiradas do corpo por meio de lipoaspiração ou cirurgia abdominal, sendo imediatamente disponíveis para utilização no próprio paciente ou para a diferenciação in vitro", explica. Segundo ela, estudos também demonstram que essas células são capazes de inibir o processo de rejeição pelo organismo, além de modular o processo inflamatório, propiciando melhor cicatrização.

Para o diretor médico da GID Brasil, Duval de Barros Vieira, estudos já realizados em todo o mundo demonstram que um grama de tecido adiposo produz aproximadamente 250 mil células-tronco, o que é muito superior ao número que se consegue com outras fontes no organismo. "Aproximadamente 220 mil cirurgias estéticas de lipoaspiração são realizadas no Brasil a cada ano, produzindo rotineiramente grandes volumes de valiosos tecidos", diz.

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