Mulheres estão mais inseridas no mercado de trabalho

Segundo o resultado apresentado pela Fundação João Pinheiro, apesar de números animadores, ainda existe muita discrepância entre os gêneros

por Agência Minas 05/07/2013 14:54

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
FreeDigitalPhotos.net
Apesar de estarem mais presentes no mercado de trabalho, ainda existem mais mulheres sem atividade do que os homens (foto: FreeDigitalPhotos.net)
A dinâmica do mercado de trabalho não é a mesma para homens e mulheres. O sexo feminino apresenta mais desvantagens na forma de inserção no mercado, na segregação ocupacional e nos rendimentos médios. No entanto, o grau de escolaridade delas, que passam em média 7,1 anos na escola, é maior do que o deles (6,7 anos de estudo).  Estas são algumas das constatações do Boletim PAD-MG 2011 apresentado pelo Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro (FJP).

Apesar do crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho em Minas Gerais, os dados da PAD-MG de 2011 indicam que a taxa de atividade feminina ainda está abaixo da masculina. Enquanto 64,6% dos homens acima de dez anos de idade estavam inseridos no mercado de trabalho, o percentual de mulheres era de 39,9%. A taxa de atividade é a razão entre a população economicamente ativa e a população em idade ativa.

“As diferenças entre os sexos nas atividades produtivas podem ser explicadas por questões, principalmente, culturais, relacionadas à responsabilidade das mulheres no cuidado com a casa e os filhos”, explicou Juliana Riani, pesquisadora do Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro.

A região metropolitana de Belo Horizonte e o Alto Paranaíba apresentavam as maiores taxas de participação feminina, 44,5% e 43,1% respectivamente. Os menores índices foram registrados nas regiões do Jequitinhonha/Mucuri (29,7%), Rio Doce (31,1%) e Norte (34,3%). A taxa de atividade masculina foi maior no Triângulo (69,4%) e no Alto Paranaíba (68,7%) e menor também no Jequitinhonha/Mucuri (57,4%) e Rio Doce (57,3%).

Anos de estudo

A escolaridade é uma condição importante para a obtenção de empregos e, principalmente, para a conquista de vagas com melhores salários. No entanto, seu impacto é diferenciado entre os sexos. O grau de escolaridade das mulheres, em 2011, era maior que o dos homens, 7,1 contra 6,7 anos de estudo, mas a taxa de atividade feminina continuou menor em todos os níveis de instrução.

Segundo Riani, a diferença entre homens e mulheres é maior nos níveis mais baixos de instrução. “Apenas 12,5% das mulheres sem instrução estavam trabalhando, enquanto para os homens a taxa foi de 44,3%. Ao todo, 75% das mulheres com curso superior completo estavam no mercado de trabalho. No caso dos homens, esse percentual era de 84%”, exemplificou.

Fundação João Pinheiro/Reprodução
(foto: Fundação João Pinheiro/Reprodução)


Ocupação e gênero

De acordo com a pesquisa de 2011, em Minas Gerais, do total da população economicamente ativa masculina, a taxa de desocupação era de 3,5%. No caso das mulheres, a taxa de desocupação era de 6,1%.

A distribuição por sexo em cada grupo de ocupação mostra que os homens eram maioria em praticamente todas as categorias. A participação masculina era mais significativa no grupo dos empregadores (72,1%), que trabalham no próprio empreendimento, com pelo menos um empregado, e no grupo trabalhador por conta própria (70,4%), que explora o próprio empreendimento, sozinho ou com sócio, sem ter empregado. Já para as mulheres, a participação foi maior nas categorias do emprego doméstico, com 96,8%, e do serviço público ou estatutário, com 62,3%.

Para Karina Marinho, pesquisadora do CEI/FJP, a escolaridade protege os trabalhadores contra as situações precárias de emprego, mas a proteção ainda é menor para as mulheres. “Apesar de possuírem melhor nível educacional, elas tinham rendimento menor que o dos homens: em média, as trabalhadoras recebiam 27% a menos. Essa diferença em favor dos homens foi observada em todas as categorias ocupacionais, exceto no grupo do emprego doméstico. As mulheres sem instrução recebiam, em média, 32,2% a menos que os homens em situação idêntica. Já as trabalhadoras com curso superior completo ganhavam 39,5% a menos que os homens desse mesmo grupo”, explicou.

Trabalho informal

A pesquisa também apontou que, em 2011, 40,6% dos trabalhadores pesquisados ocupavam o mercado informal. Entre homens, este percentual era de 40,3% e entre mulheres, 41,1%. “A informalidade está relacionada aos custos do processo de formalização das vinculações de trabalho e aos mecanismos de inserção de jovens e idosos nas atividades produtivas, que englobam tanto a capacitação profissional, quanto a dificuldade de entrar no mercado, dependendo da faixa etária”, afirmou Marinho.

Os índices de trabalho informal são superiores nas regiões Norte (63,7% dos homens e 67,5% das mulheres) e Jequitinhonha/Mucuri (66,7% dos trabalhadores contra 65,9% das trabalhadoras). A Grande BH apresentou as menores proporções de trabalhadores informais do Estado, com 28,3% entre os homens e 31,4% entre as mulheres. “Os índices comprovam que a informalidade é superior nas regiões de planejamento com menor dinamismo econômico”, completou Marinho.

Últimas notícias

Comentários