Minas tem alta no índice de transplantes, mas número ainda é insuficiente

por Agência Minas 30/09/2013 12:32

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Agência Minas/Reprodução
(foto: Agência Minas/Reprodução)
Quando soube que seu filho Felipe, de 21 anos, tinha sido atropelado, a bordadeira Rose Mary Guirado, 59 anos, correu para o local ainda a tempo de ver as tentativas dos socorristas para reanimá-lo. Encaminhado para o Hospital João XXIII, da Rede Fhemig, o jovem deu entrada em estado gravíssimo e teve morte cerebral. Ao ser comunicada sobre a situação de Felipe, Mary, apesar da dor, consentiu em doar os seus órgãos. Com esse gesto, além de ajudar a salvar a vida de pessoas que sequer conhecia, ela realizou o desejo do filho que, em vida, se declarou doador.

Esta sexta-feira (27), Dia Nacional de Doação de Órgãos, tem um significado diferente para Mary Guirado que se tornou voluntária do MG Transplantes há nove anos. Em sua rotina, estão palestras para os mais diversos públicos, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da doação.

Fila de espera

Em Minas Gerais, o MG Transplantes atua ativamente para a captação de órgãos e tecidos em todo o Estado. No entanto, embora o número de doadores tenha crescido nos últimos dez anos, a relação doadores por milhão de população (PMP) ainda não é a ideal. Neste momento, quase três mil mineiros estão na fila de espera por um transplante.

Até o final de julho deste ano, no Estado, foram registrados 12,3 doadores por milhão de habitantes, enquanto, no mesmo período, foram feitas 34,9 notificações. Isto significa que, efetivamente, pouco mais de um terço das possíveis doações foram concretizadas. Para atingir a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, de 15 doadores PMP até 2014, é necessário que o índice de recusa das famílias caia progressivamente.

O coordenador Metropolitano do MG Transplantes, Omar Lopes, ressalta que a doação é um ato de fraternidade. “As pessoas devem comunicar e deixar claro para os familiares e amigos a sua condição de doador para que, no momento de sua morte, sua decisão seja respeitada e a doação seja efetivada”, destaca.

Preconceito

Apesar das diversas campanhas realizadas, regional e nacionalmente, para a conscientização da população sobre a importância da doação, muitas pessoas ainda se recusam a autorizar a retirada dos órgãos por não compreenderem a diferença entre coma e morte encefálica ou cerebral.

Diante desta dificuldade em distinguir entre uma e outra situação, e, levados pela emoção e pela dor da perda, os indivíduos com poder de decisão, acabam se recusando a dar o consentimento. Esta, porém, não é a única razão para a negativa por parte dos familiares. Motivos religiosos e preconceitos diversos também contribuem para o cenário atual. “Eu sofri muito preconceito, as pessoas tinham muita dificuldade para entender a morte encefálica. Me perguntavam se eu tinha certeza de que o meu filho não estava em coma”, lembra Mary. Segundo ela, o nível de desconhecimento é geral e independe da escolaridade. “As pessoas acreditam que o corpo do doador fica desfigurado. É comum me perguntarem se o caixão do meu filho ficou fechado”, conta.

Morte encefálica

É preciso ficar claro que a constatação da morte encefálica é diagnosticada por dois médicos diferentes, além de ser feita a comprovação por um exame complementar interpretado por outro médico. Portanto, o estado de coma é a diminuição das funções cerebrais e pode ser reversível. Por outro lado, a morte encefálica é a parada total e irreversível das funções do cérebro.

Avanços

No ano passado, no país, foram realizados 23.999 transplantes. Este é um número histórico, pois representa um crescimento de quase 89% em comparação à década anterior que registrou 12.722 cirurgias.  No mesmo período, somente em Minas Gerais, foram feitas 2.314 cirurgias, o que significa uma evolução de 128% em relação a 2002 (com 1.015 transplantes), performance acima da nacional. De 1992 até julho deste ano, 27.730 transplantes foram realizados em território mineiro.

No Brasil, há 27 centrais de notificação, captação e distribuição de órgãos, 11 câmaras técnicas nacionais; 748 serviços distribuídos em 467 centros; 1.047 equipes de transplantes; além de 62 Organizações de Procura por Órgãos (OPOs).

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