Centro de BH: uma ilha de calor

Com cada vez menos áreas verdes em comparação a veículos e habitantes, Hipercentro já é uma ilha de calor na capital. A previsão é de que em cinco anos a temperatura chegue aos 40ºC

por Fernanda Nazaré 30/10/2013 17:11

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Renato Weil/EM/D.A Press
Nem todo mundo reclama: na falta de praias, tem gente que aproveita o sol e as praças para tentar pegar uma corzinha e curtir o calor (foto: Renato Weil/EM/D.A Press)
A região central de Belo Horizonte é uma das mais quentes da capital – e vai esquentar ainda mais nos próximos anos. Para piorar, há quem afirme que esse quadro não pode mais ser revertido. “Não há mais perspectiva de solução. A urbanização em BH aumenta a cada dia, diminuindo a área verde. Toda energia recebida pelo sol tem de ser utilizada. Como há poucas árvores para absorvê-la, ela é transferida para o ar, formando a ilha de calor urbano”, explica Ruibran dos Reis, meteorologista e diretor regional do instituto Climatempo. Ainda segundo o especialista, a sensação de calor no Hipercentro é de 4°C a mais do que a mostrada nos termômetros. Em 2009, uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já havia constatado que a ilha de calor da região central tem o menor resfriamento noturno da cidade por causa do alto índice de urbanização e impermeabilização do solo.

Pode parecer saudosismo afirmar que o clima do passado era melhor, mas não é mentira. Em outubro do ano passado, a capital registrou a maior temperatura nos últimos 100 anos, chegando a 37,1°C. “Se seguir essa tendência, podemos chegar aos 40°C nos próximos cinco anos”, prevê Ruibran dos Reis.

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Alguns moradores antigos do Hipercentro têm sentido a diferença com o passar dos anos. A dona de casa Sônia Maria Sapavini, que mora há 12 anos na região, na avenida Olegário Maciel, esquina com rua Tupinambás, afirma que o clima era mais agradável quando se mudou. “Quando cheguei, não conseguia ver o asfalto da minha janela, apenas as folhas das árvores. Hoje eu só vejo a rua, cortaram tudo. Antes havia pássaros e até beija-flor na minha janela! Foram retiradas as duas árvores dos dois lados do passeio que ficavam de frente para o prédio. Ainda não repuseram todas”, lamenta. Segundo ela, a sensação de calor também aumenta quando desce do seu apartamento no quinto andar para o térreo, onde o ar circula mais dificilmente devido à barreira de edificações e à poluição dos veículos.

Quem também sente a diferença de temperatura é o designer Samuel Judd. Há dois anos ele saiu do  bairro São Bernardo, mais arborizado, e mudou-se para o Conjunto Governador Juscelino Kubitschek – conhecido como Conjunto JK, na rua Timbiras. Mesmo morando no 19º andar, achou a região mais quente e o ar mais seco. Com alergias respiratórias, o designer teve de adotar um novo hábito para amenizar o desconforto. “O umidificador de ar fica ligado o dia inteiro”, conta, dizendo que não se arrepende devido ao bom  custo/benefício de morar perto do trabalho e de um amplo comércio.

De acordo com o gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Prefeitura de Belo Horizonte, Weber Coutinho, uma solução já está sendo pensada e será entregue ao governo em junho deste ano. Entre as propostas para amenizar o calor do Hipercentro pode estar o uso de telhados verdes, ou seja, jardins no alto dos prédios para aumentar a quantidade de vegetação capaz de absorver os raios solares. “Em Nova York, essa alternativa já está sendo implantada. Nas ilhas urbanas de áreas muito impermeáveis, onde não há como fazer jardins no solo para absorver a radiação, fazem no teto”, exemplifica Coutinho. Outra meta que poderá ser estabelecida é aumentar os atuais 18 m² de área verde por habitante para 20 m², até 2030.

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