Intoxicações com medicamentos e produtos de limpeza são comuns em crianças

Só no Hospital João XXIII, até outubro, já foram atendidos 107 menores de 12 anos com problemas gerados pela ingestão ou inalação de produtos médicossanitários

por Agência Minas 27/11/2013 10:11

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Remédios coloridos e produtos de limpeza armazenados em embalagens de alimentos, como garrafas pet, são verdadeiras iscas para crianças pequenas (foto: FreeDigitalPhotos.net)

Todo o cuidado é pouco quando se tem crianças em casa. Artigos utilizados com frequência no dia a dia, como medicamentos e produtos domissanitários, podem representar um perigo iminente de intoxicação, caso algumas medidas de prevenção não sejam adotadas. Dos 468 casos de intoxicação por medicamentos atendidos no Hospital João XXIII, que pertence à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, de janeiro a outubro de 2013, 107 foram de crianças de 0 a 12 anos.

"A maioria desses episódios com crianças é acidental. Elas acabam levando algum produto [cápsulas e/ou drágeas, que parecem guloseimas] à boca sem saber do que se trata. Especialmente as menores, na faixa etária de 2 a 3 anos. Algumas também costumam reproduzir o ato dos adultos de se medicar”, explica Délio Campolina, coordenador de toxicologia do Hospital João XXIII.

O médico ressalta ainda que, apesar do risco maior de intoxicação ser com medicamentos destinados a adultos – que têm maiores concentrações – os remédios pediátricos também podem ser perigosos, já que apresentam embalagem diferenciada e cor e sabor atrativos. “Nem sempre o produto infantil é isento de toxicidade. Um exemplo é o paracetamol, muito utilizado, principalmente, em casos de dengue. A janela terapêutica desse medicamento é muito pequena, ou seja, a concentração utilizada como tratamento é muito próxima da dose tóxica. A superdosagem desse remédio pode causar lesão hepática muito grave. O paciente pode, inclusive, evoluir para óbito”, esclarece Campolina.

Os benzodiazepínicos (antidistônicos, tranquilizantes, etc.) continuam sendo as substâncias que mais têm recorrência de ingestão acidental. Isso pode ser explicado pelo fato de haver muita oferta desses produtos nas residências. Intoxicação por antidepressivos e anticonvulsivantes também são comuns.

Produtos de limpeza

Além de medicamentos, também é comum a intoxicação por produtos sanitários, como detergentes, desengordurantes, produtos para fazer limpeza de pedra, tirar sujeira pesada, ácidos e solventes. Esses produtos, quando de origem não identificada, são ainda mais perigosos e oferecem riscos à saúde.

“Geralmente, são compostos de ácidos fortíssimos que causam lesões graves. Como são vendidos em concentrações indeterminadas, muitas das vezes, bastante altas, para que ele seja mais efetivo, não passam por um controle e inspeção. Além disso, costumam vir em embalagens inadequadas, como a de refrigerante, o que pode confundir a criança”, explica Délio.

As lesões e sequelas causadas por esses produtos começam desde a boca, e podem queimar esôfago, estômago e intestino. Há ainda a possibilidade de ulceração e necrose de órgãos, além de infecções graves. O médico esclarece que, em caso de ingestão, a conduta varia de acordo com o produto ingerido. “Pode ser que seja indicado apenas manter o paciente em observação e hidratá-lo. Mas é preciso saber se a dose é tóxica, se é uma quantidade importante e qual o princípio ativo do produto para então avaliar se é recomendado provocar vômitos ou fazer certas descontaminações”, conclui.

Como proceder em caso de intoxicação

A conduta inicial vai depender do agente ingerido. Por isso, o mais indicado é entrar em contato imediatamente com o centro de toxicologia da região para pedir orientação. Dependendo do produto, pode ser contraindicado induzir vômito ou tomar leite, por exemplo.

“A medida de descontaminação deve ser o mais precoce possível. A recomendação geral é fazer contato com o centro de toxicologia, realizar o procedimento instruído pelo atendente e, na sequência, procurar atendimento na unidade de saúde mais próxima”, afirma Délio.

O Centro de Informações e Assistência Toxicológica de Belo Horizonte fica localizado na própria unidade de Toxicologia do Hospital João XXIII e fornece orientações em caso de acidentes. Os telefones são: (31) 3224-4000, (31) 3239-9308/9390 ou 0800-7226-001.

Dicas de prevenção

Medicamentos devem ser mantidos fora do alcance das crianças. Mas, nem sempre isso é algo fácil de se conseguir. Délio Campolina aconselha evitar acumular remédios em casa. “É muito comum que se tome um medicamento e que alguns comprimidos acabem sobrando. Daí, eles são guardados e assim vão se acumulando. Ao final, temos uma gaveta cheia de sobras de comprimidos. Isso é muito perigoso e pode ainda incentivar uma automedicação sem cuidado”, afirma.

Outra dica importante é não tomar remédio na frente das crianças, que podem querer imitar o ato.  E, sempre que possível, evitar a automedicação e aquisição de remédios em grandes quantidades.

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