Especialista analisa desempenho das escolas mineiras no ranking divulgado pelo MEC

Para Claudio de Moura Castro, Minas Gerais têm uma tradição intelectual, evidenciada nas escolas particulares, mas precisa de melhorias na rede pública

por Marcelo Fraga 28/11/2013 15:19

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
Alunos comemoram o primeiro lugar do Colégio Bernoulli no Enem 2012 (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Na última terça-feira, dia 26 de novembro, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), divulgou o ranking das melhores escolas do país, com base nos resultados de 2012 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Entre as dez primeiras colocadas, cinco são mineiras – uma a mais em relação ao ranking anterior –, o que torna Minas Gerais o estado com melhor desempenho no teste.

O primeiro lugar geral ficou com o Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte, com média de 722,15 pontos. Em seguida vem outro colégio particular, o Elite, da região do Vale do Aço de Minas, com 720,89 pontos. A instituição de ensino pública mais bem colocada é o Colégio Aplicação, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com 706,22 pontos, em quarto lugar.

Para o especialista em educação Claudio de Moura Castro, que também é articulista da Encontro, o bom desempenho do nosso estado não é novidade, e a quantidade maior de escolas bem colocadas este ano não evidencia necessariamente uma melhoria no desempenho. "Minas, assim como o Rio de Janeiro, tem uma tradição intelectual, mas a margem de erro não permite dizer se a entrada de mais uma escola reflete um avanço", explica.  

Ainda segundo Moura Castro, o método de ensino das escolas mineiras é um fator importante, porém, não pode ser analisado separadamente: "A gestão dessas instituições também é fundamental para manter o padrão de qualidade".

No que diz respeito ao ensino público, o foco no resultado das avaliações é um dos fatores positivos. Mesmo que o quarto lugar do Enem 2012 tenha ficado com o Colégio de Aplicação da UFV, Claudio de Moura Castro acredita que existem pontos negativos que são preponderantes para a escassez de escolas públicas bem colocadas no exame. “As instituições públicas de ensino padecem de várias limitações. Uma delas é o baixo capital cultural das famílias mais pobres que predominantemente as frequentam”, analisa.

Outras questões, como o sistema de contratação de professores e a gestão da educação pública também seriam problemas que causariam o engessamento da rede pública. "Nas escolas do estado não é possível premiar os melhores, e nem punir ou eliminar os piores professores ou diretores. O processo de seleção são exigidos diplomas formais, enquanto que nas escolas privadas, são escolhidos os de melhor desempenho, ainda que não sejam formalmente certificados”, esclarece o especialista, que finaliza: “Com salários, em média, um pouco mais baixos, as escolas privadas atraem os melhores professores”.

Confira o ranking do Enem 2012:

  1. Colégio Bernoulli (Unidade Lourdes) - Minas Gerais
  2. Colégio Elite (Vale do Aço) - Minas Gerais
  3. Colégio São Bento - Rio de Janeiro
  4. Colégio de Aplicação (Universidade Federal de Viçosa) - Minas Gerais
  5. Colégio Vértice (Unidade II) - São Paulo    
  6. Colégio Santo Agostinho (Unidade Nova Lima) - Minas Gerais
  7. Colégio Helyos - Bahia
  8. Colégio Magnum Agostiniano (Nova Floresta) - Minas Gerais
  9. Colégio de Aplicação (Universidade Federal de Pernambuco) - Pernambuco
  10. Colégio Anglo (Leonardo da Vinci) - São Paulo

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