Importante para os cristãos, Natal também é respeitado por outras religiões

Budistas, judeus e mulçumanos prezam pelo caráter social do período considerado o mais importante do cristianismo

por Marcelo Fraga 29/11/2013 18:24

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Geraldo Goulart
Os judeus, como o rabino Leonardo Alanati, não costumam participar das festas de outras religiões (foto: Geraldo Goulart)
Celebração do nascimento de Jesus Cristo – segundo o cristianismo – o Natal é a data mais importante para aqueles que nele acreditam. O dia 25 de dezembro é marcado por festas em família, missas e cultos especiais, além, claro, da tradicional troca de presentes.

O Brasil está entre os países com maior número de adeptos das religiões cristãs, chegando a aproximadamente 166 milhões, segundo o último censo populacional, realizado em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Obviamente, a parcela restante da população pertence a outras religiões que não têm o Natal como data festiva.

Em Belo Horizonte, por exemplo, podemos encontrar comunidades budistas, judaicas e islâmicas, que não comemoram o Natal de forma religiosa, mas, em caráter social. Normalmente eles participam das festas e mesmo de algumas celebrações, como é o caso do mulçumano Daniel Yussuf, do Centro de Estudos Islâmicos de Belo Horizonte. “O significado social é muito importante. Então, quando há um convite, não há impedimentos em participar das festas natalinas”, explica. Yussuf conta ainda que em países árabes como Síria e Líbano, é normal as pessoas irem até a casa de outras, que tem religião diferente, para cumprimentá-las durante suas festas.

A religião muçulmana, por sua vez, têm como líder espiritual Maomé, e sua principal celebração é o Eid-al-Fitr, quando se quebra o jejum mantido durante o ramadã, mês de renovação da fé islãmica. Normalmente é realizado um grande almoço, na casa do parente mais idoso, para se comemorar a fartura fornecida por Alá.

Já para os judeus, como é o caso do rabino Leonardo Alanati, da Federação Israelita de Minas Gerais, participar de uma celebração de outro religião não é algo que gostem de fazer. “Só participamos de festas de outro grupo religioso quando há um parente muito próximo que pertença a ele”, esclarece.

No caso da comunidade judaica, o período mais importante do ano é o Chanucá, ou festa das luzes, que é comemorado durante oito dias – período em que se costuma acender velas. A data também é importante para lembrar o milagre da multiplicação do azeite de oliva pelo profeta Eliseu, e a vitória de Judas Macabeu sobre o exército sírio.
 
Mais adaptados à realidade cristã do ocidente, os japoneses não se sentem tão à parte das celebrações de dezembro. A professora de língua japonesa Kimiyo Miyamoto, da Associação Mineira de Cultura Nipo-brasileira, que é budista, explica que a comunidade nipônica de BH se dá bem com os cristãos: “Para os japoneses, o Natal faz parte de uma cultura que veio de fora, que, pra nós, tem um significado mais comercial do que religioso”. Porém, segundo ela, assim como as outras etnias, os japoneses também prezam pelo caráter social da importante data cristã.

Com uma religião mais filosófica e propensa à meditação, os budistas celebram o Wesak, mês destinado ao acendimento de velas e lamparinas em suas casas, simbolizando a iluminação de Buda, seu líder espiritual.

Como diria a escritora gaúcha Clarissa Corrêa: "Acho que, independente da religião, a gente tem que fazer o bem. E fazer o bem consiste em fazer as coisas de coração, por vontade, por se sentir em paz". Assim deve ser o clima do Natal.

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