Conheça o artista que está por trás de alguns monumentos de BH

No momento em que a capital mineira está prestes a comemorar 116 anos, apresentamos o artista plástico Ricardo Carvão, autor de obras instaladas em importantes pontos da cidade

por Da redação com assessorias 05/12/2013 16:25

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Facebook/Artista Plástico Ricardo Carvão/Reprodução
Das obras de Ricardo Carvão espalhadas por pontos turísticos de BH, as da Praça do Papa são as mais icônicas (foto: Facebook/Artista Plástico Ricardo Carvão/Reprodução)
Apesar de não ter praia, Belo Horizonte fascina os turistas por sua paisagem sinuosa e pela arquitetura moderna. Além disso, os turistas nunca vão embora sem passar por lugares como o zoológico, a Praça da Liberdade, a Igrejinha da Pampulha e a Praça do Papa. O que muita gente não sabe é que em muitos pontos turísticos é possível encontrar obras do artista plástico Ricardo Carvão, que possui estruturas instaladas até no Aeroporto Internacional Tancredo Neves.
 
Nascido em Belém do Pará, a relação do artista com Belo Horizonte começou em 1964, quando ele chegou à capital mineira e se emocionou ao tomar conhecimento de que um conterrâneo seu, o engenheiro Aarão Reis, havia projetado a cidade. “Naquele momento pensei no que eu também poderia futuramente deixar uma contribuição para essa cidade e esse povo que viria a me acolher tão bem”, relembra Carvão.

A oportunidade de presentear a cidade com sua obra, no entanto, surgiu apenas 18 anos depois, quando a Cúria Metropolitana e a Prefeitura de Belo Horizonte, com intuito de homenagear o Papa João Paulo II, decidiram colocar, na praça em que o sumo pontífice faria a missa na capital mineira, um símbolo que remetesse a ele. Foi realizado então um concurso que teve como participantes Ricardo Carvão, Almicar de Castro, Franz Weissmann, Bruno Giorgi e Paulo Laende. As peças de Ricardo Carvão foram as escolhidas, e se tornaram o principal símbolo da Praça do Papa.

“A obra abstrata, que possui 92 toneladas e 24 metros de altura, é formada por dois triângulos de vértices agudos opostos e um retângulo central. O triângulo, que é direcionado para o céu, simboliza a fé do homem em Deus. Já o outro triângulo, que é direcionado a terra, é a energia celestrial, a benção divina. O retângulo é o elo dessas duas energias. A cruz segue o mesmo estilo do monumento”, explica Ricardo Carvão.

Para fazer esse tipo de obra, o artista precisa analisar diversas variáveis: “É um trabalho muito delicado. Tem que ter harmonia, conseguir a medida exata, nem mais, nem menos. Caso isso não seja levado em consideração, o resultado pode torna-se um caos, como um peru em um pires, ou a peça perde sua força, sua significância”.

Facebook/Artista Plástico Ricardo Carvão/Reprodução
O artista utiliza maquetes para pensar suas obras (foto: Facebook/Artista Plástico Ricardo Carvão/Reprodução)
Além da Praça do Papa uma obra que é muito visitada é o Monumento à Liberdade, que está presente na Praça da Liberdade. Quando foi feito o concurso público para a construção da obra, já havia uma restrição com relação à dimensão final. “Como a praça é tombada pelo Iepha/Iphan, pensei na obra de forma que ela não destoasse dos demais monumentos já existentes no local. A escolha do material, aço carbono, se deve ao fato dele ser mais resistente a intempéries naturais e não refletir a claridade. Isso porque se usasse, por exemplo, alumínio, quando o sol refletisse na peça, poderia atrapalhar a visão de quem está dirigindo próxima ao local”, esclarece o artista.

Para que possa analisar todas essas questões antes mesmo de criar a obra de arte, o artista utiliza um eficiente recurso arquitetônico, que é a maquete. “A miniatura é importante por motivos diversos: para cálculos estruturais, para posicionamento no local, para estudos das dimensões em proporção ao ambiente, para analisar a integração e a estética do conjunto, entre outras coisas”, diz Carvão.

 O artista plástico, que possui mais de sete obras públicas espalhadas pela cidade, sente enorme gratificação ao realizá-las. “Agrada-me colocar a escultura ao alcance de todos. Gosto de saber que minha obra transmitiu a sensação de equilíbrio, de plenitude e que as pessoas se sentem bem ao contemplá-las”.

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