Política como ensino

Fundação João Pinheiro é muito conhecida por suas pesquisas sociais e econômicas, mas ela vai além, e forma também profissionais de administração pública

por Marcelo Fraga 06/12/2013 14:05

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Facebook/Fundação João Pinheiro/Reprodução
A Fundação João Pinheiro fica no bairro São Luiz, na região da Pampulha, em BH (foto: Facebook/Fundação João Pinheiro/Reprodução)
Em 1969, durante o governo de Israel Pinheiro, é criada a Fundação João Pinheiro (FJP), com o intuito de servir de fonte de conhecimento e geradora de informações para os administradores públicos, nos diversos níveis, incluindo o federal. Sua atuação mais conhecida, entretanto, se relaciona com a produção de estatísticas e de índices econômicos, financeiros, demográficos e sociais.

Todo ano a FJP emite o Indice Mineiro de Responsabilidade Social, que é acessado através de software, e contém informações dos municípios mineiros nas áreas de saúde, educação, renda, segurança pública, meio ambiente e saneamento, cultura, esporte e lazer e finanças. Isso é um exemplo de como a atuação da FJP é importante para o funcionamento técnico das máquinas de governo.

Com o tempo, essa necessidade de aprimorar as políticas e os atores da administração pública levou à criação, em 1992, da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho, que recebeu esse nome em homenagem ao primeiro secretário de estado de Administração e que participou da comissão constituinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em 1989.

Facebook/Fundação João Pinheiro/Reprodução
Luciana Raso é diretora geral da escola de governo (foto: Facebook/Fundação João Pinheiro/Reprodução)
A Escola de Governo completou 20 anos em 2012, e para entender como se chega a tão alto nível de eficiência, conversamos com sua diretora geral, Luciana Raso, doutora em Direito Administrativo pela UFMG.

ENCONTRO - A Fundação João Pinheiro é nacionalmente reconhecida por sua qualidade de ensino. A quê você atribui essa excelência? Quais são seus diferenciais?

LUCIANA RASO - Tudo começou há quase 21 anos com o ideal do professor Paulo Neves de Carvalho, que dá nome à Escola de Governo. Ele quis criar uma escola onde os formandos não só fossem capazes de fazer atividades burocráticas, mas, principalmente, elaborar políticas públicas. Baseamo-nos em uma tríade formada por pesquisa, extensão e ensino. Hoje, nosso corpo docente é formado por mestres e doutores, que atuam também nos centros de pesquisa da fundação. Isso os possibilita a levar a experiência com pesquisa para a sala de aula. A grade curricular é outro fator importante. Ela é multidisciplinar e com uma base muito sólida em Direito, Economia, Sociologia e outras disciplinas fundamentais para que os alunos saiam dos nossos cursos preparados, com uma visão diferenciada da administração pública.

ENCONTRO - De que forma a FJP contribui para a gestão pública mineira, e até certo ponto, para a brasileira?

LUCIANA RASO - Temos autonomia acadêmica, mas há um compromisso em perseguir as políticas públicas do estado. Primeiramente a secretaria de estado de Planejamento e Gestão [Seplag] faz um diagnóstico, que mostra os pontos em que o estado necessita de mão-de-obra qualificada. Com isso, no último ano do curso de graduação em políticas públicas e gestão governamental, os alunos fazem um estágio supervisionado nas secretarias indicadas pela Seplag. A Escola de Governo também oferece cursos de especialização para as mais diversas áreas, além do poder executivo. Além disso, formamos profissionais para atuarem no Tribunal de Contas do Estado, no Tribunal Regional do Trabalho, e até mesmo em cargos da Polícia Militar. No âmbito nacional, temos uma parceira com o projeto Rondon, do Ministério da Defesa, em que nossos alunos são encaminhados para diversas regiões do país, e contribuem, com seus trabalhos, com a administração pública federal.

ENCONTRO -  Além do ensino, a fundação é reconhecida por suas pesquisas. De que forma esses dados vêm ajudando as instituições públicas a encontrar soluções para os problemas típicos de nossa sociedade?

LUCIANA RASO - Temos órgãos exclusivamente voltados para as pesquisas, como o Centro de Estatísticas e Informações e o Centro de Pesquisas Aplicadas, que trabalham com temas importantes, como a pobreza. Esses centros geram dados que servem para o acompanhamento do público-alvo dos programas sociais do governo de Minas, como o Fica Vivo, voltado para redução no número de homicídios. Nossas pesquisas apontam também questões educacionais, como os colégios em que existe um elevado índice de alunos atrasados cronologicamente na formação intelectual. A partir daí, é feito um trabalho de conscientização com esses alunos. Em breve, vamos criar um novo programa da Escola de Governo, no qual os estudantes visitarão cidades do interior para verificar suas carências, e assim, ajudar a encontrar políticas públicas adequadas.

ENCONTRO - Como é a aceitação no mercado dos egressos dos cursos da FJP? Podemos dizer que a maioria está atuando na área?

LUCIANA RASO - Grande parte dos alunos que se formam aqui está atuando no serviço público mineiro. Quando o candidato presta o vestibular para ingressar na Escola de Governo, já está realizando a primeira etapa de um concurso público. Se ele cumpre a carga-horária e tem desempenho satisfatório, sendo aprovado em todas as disciplinas, torna-se, automaticamente, um servidor. Durante o período do curso os alunos recebem uma bolsa mensal no valor de um salário mínimo. Ao final da graduação, têm a opção de cumprir três anos trabalhando no serviço público estadual e, caso isso não ocorra, o egresso tem de ressarcir o estado com o valor que nele foi investido.

ENCONTRO - Podemos dizer que a João Pinheiro está antenada às novas tecnologias, incluindo as utilizadas nos métodos de ensino?

LUCIANA RASO - Sim. Este ano, por exemplo, implantamos dois cursos de ensino à distância, através da internet. Um voltado à capacitação dos professores, e o outro, sobre segurança pública.

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