Aeroporto da Pampulha terá investimentos do governo

Governo garante ampliação do terminal, mas expansão deve ser regional e voos não devem competir com Confins

por Frederico Teixeira 10/01/2014 13:57

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Paulo Márcio/Encontro
Desde 1933, quando foi inaugurado, o aeroporto Carlos Drummond já foi usado para fins militares, comerciais e civis (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Crescer ou não crescer? Eis a questão. A adaptação livre do famoso dilema de Shakespeare pode muito bem ser empregada para o momento que vive o Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, consagrado popularmente como aeroporto da Pampulha. Com 80 anos completados em 23 de março de 2013, hoje ele se limita a aeronaves com 75 assentos, barreira imposta pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2005, quando a Pampulha deixou de realizar voos de longa distância e passou a concentrar voos regionais e para algumas cidades de estados limítrofes. O objetivo seria claro: não atrapalhar os planos de privatização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves – o aeroporto de Confins. O temor é de que, caso a restrição à Pampulha caia, os possíveis investidores sofram com a fuga de passageiros de Confins.

"São Paulo e Rio de Janeiro têm um aeroporto internacional e um aeroporto central, que fazem operações de curta distância e ponte aérea, mas nós não temos essa pretensão", afirma Silvério Gonçalves, de 57 anos, superintendente do aeroporto da Pampulha. Mineiro de Barbacena e formado em engenharia elétrica pela PUC Minas, ele assumiu o cargo há dois anos e meio. Na Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) desde 1986, tendo trabalhado em Belo Horizonte – na Pampulha e em Confins – e em cidades como Brasília, Recife, Uberaba e Vitória, Silvério resume o papel que hoje cabe ao aeroporto. "Quando boa parte dos voos foi para Confins, em 2005, as operações aqui foram reduzidas para fomentar a conectividade do aeroporto internacional. Dessa forma, a Pampulha está inserida no contexto do desenvolvimento de Confins", explica.

É preciso destacar que esse suposto "antagonismo" entre os aeroportos vem de longa data: desde 1984, início das operações do terminal internacional. Se em 1983 a Pampulha registrava movimento anual de 1,15 milhão de passageiros, no ano seguinte, Confins absorveu 95% do movimento. O ciclo de estagnação só se rompeu no início da década de 1990, quando foi permitida a utilização de modernas aeronaves a jato ligando a Pampulha a outras capitais. Ano após ano, a Pampulha passou a ser mais procurada, chegando ao recorde de 3,2 milhões de passageiros em 2004. Foi quando soou um alarme. Pressionada pela possível diminuição de voos em Confins – onde haviam sido feitos investimentos milionários –, a Anac deu um jeito de "cortar as asinhas" da Pampulha.

Paulo Márcio/Encontro
Silvério Gonçalves, superintendente do aeroporto da Pampulha: "Operar 3,2 milhões de passageiros na Pampulha foi um desacerto. Isso nunca mais vai acontecer aqui" (foto: Paulo Márcio/Encontro)
Mesmo assim, o aeroporto tem seu valor ressaltado por Silvério. "É um equipamento de grande importância para Belo Horizonte e região. Neste ano, a projeção é de encerrarmos com 900 mil passageiros", enumera. No ano passado, foram 774 mil passageiros.

A tendência é de que esses números cresçam um pouco mais se solucionados alguns problemas. "Temos de manter a agilidade do terminal e garantir o conforto, sem filas, sem corredor entupido de gente. Queremos, sim, que o aeroporto tenha desenvolvimento, com voos para novos destinos, mas dentro de um limite", acrescenta Silvério, ressaltando que a capacidade máxima atual seria de 1,5 milhão de passageiros/ano. Mais que isso, seria problema na certa. "Operar 3,2 milhões de passageiros na Pampulha foi um desacerto, um descompasso. Isso nunca mais vai acontecer aqui", garante.

O superintendente do aeroporto destaca que a Infraero, em parceria com o governo de Minas e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), está concluindo o novo plano diretor do aeroporto. Além disso, a entidade finaliza plano de reforma para dar mais espaço à área de embarque e reformular os banheiros. Esse projeto conta ainda com a incorporação da área que hoje é do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica e prevê a ampliação do pátio de aeronaves e das áreas de hangaragem. A previsão de despesas para a reforma não foi revelada. "Nossa intenção é fazer as obras depois da Copa do Mundo", revela o superintendente.

A chegada da Copa do Mundo, inclusive, é um assunto espinhoso. Recentemente, receoso de as obras do segundo terminal de passageiros de Confins não serem concluídas a tempo, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) admitiu até a possibilidade de a Pampulha voltar a receber grandes aeronaves durante o evento. Silvério sequer cogita essa possibilidade: "Não vai haver esta necessidade. Se houver algum tipo de obra atrasada em Confins, serão coisas pequenas, que não vão interferir nos voos", prevê.

Polêmicas à parte, é pouco provável que o aeroporto da Pampulha seja sucateado, mesmo que não receba tantos investimentos quanto Confins. O superintendente Silvério Gonçalves também explica: "Ninguém pode pensar que o aeroporto da Pampulha vai deixar de existir. Hoje geramos cerca de 2 mil empregos diretos. Além dos voos regionais, mantemos vários serviços para a população. Temos a presença da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal. Também somos um polo de manutenção de aeronaves", finaliza. É aguardar para ver. Só assim saberemos se os próximos anos do aeroporto da Pampulha serão vividos em 'céu de brigadeiro' ou sob intensa turbulência.

Poluição sonora

João Carlos Martins/Encontro
Durma com esse barulho: Rogério Carneiro, que organizou um abaixo-assinado de moradores do Jaraguá para tentar diminuir os incômodos causados pelos aviões, reclama do descaso de órgãos como a Infraero e Anac (foto: João Carlos Martins/Encontro)
Ter um aeroporto como vizinho não é nada simples. Os moradores da rua Amável Costa, no Jaraguá, que o digam. Incomodados principalmente com a poluição sonora gerada pelo aeroporto da Pampulha, em outubro do ano passado, cerca de 50 famílias mobilizaram-se e fizeram um abaixo-assinado solicitando mudanças no procedimento das aeronaves. Reclamações foram feitas junto à Infraero, Anac e à Prefeitura, sem sucesso. O engenheiro florestal Rogério Carneiro de Miranda, de 52 anos, foi um dos organizadores do movimento. Ele relata o que passam os moradores. "Sofremos mais com os impactos da poluição sonora e ambiental. Nossas casas ficam na parte mais alta e, apesar de a Infraero alegar que não, os ventos trazem os ruídos e a poluição de lá. Além disso, há voos de aeronaves particulares e aviões de treinamento de madrugada. Sem contar o crescente número de helicópteros, principalmente após a instalação de um heliponto do Corpo de Bombeiros", relata.

Rogério compreende que a situação é complexa e fica até difícil apontar os ‘culpados’ pelo problema. "Sabemos que o aeroporto está aqui desde 1933 e o bairro só foi desenvolvido na década de 1960. Teoricamente, então, o bairro é que não poderia estar aqui. O que ocorreu foi uma falta de planejamento e de ação das autoridades. Agora a cidade está do lado do aeroporto e não dá para tirá-la. Somos obrigados a conviver com este tipo de poluição e não há nada que possamos fazer", lamenta.

Como o 'estrago' já está feito, a intenção é ao menos minimizar os impactos. O grupo já recorreu a vários órgãos, mas ainda não obteve sucesso. Silvério Gonçalves, superintendente do aeroporto, garante que as reivindicações dos moradores são levadas a sério. "Temos muito cuidado com as reclamações dos vizinhos. A Infraero tem uma política de preservação de área muito grande e estamos sempre monitorando as fontes de ruído. O foco é tornar o aeroporto amigável com a população. Temos que desenvolver o aeroporto, mas sempre atentos à população ao redor para não criar conflito", pondera Silvério.

Editoria de Arte
(foto: Editoria de Arte)

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