O caçador de empregos

Depois de se emocionar ao ajudar um homem a encontrar um trabalho (e uma vida digna), Washington Guedes decidiu fazer disso uma tarefa diária e gratuita

por Fernando Alves 17/01/2014 10:54

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Cláudio Cunha
Agência de RH ambulante: de acordo com os cálculos de Washington, ele já ajudou cerca de 4 mil pessoas a conseguir emprego (foto: Cláudio Cunha)
Em busca de empregos, as pessoas procuram vagas em agências, jornais e sites especializados. No Caiçaras, no entanto, a situação é um pouco diferente. Quem busca uma vaga vai atrás mesmo é de Washington Guedes Macedo, presidente da Associação Comunitária dos Moradores e Amigos do Caiçara (Acomac) e assessor da diretoria de promoção turística da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). Não é nenhum desses dois cargos, no entanto, que faz com que as pessoas batam à sua porta. Esse católico fervoroso – nunca falta às missas de domingo –  e de sorriso fácil só se transformou em um caçador de empregos depois de viver uma história emocionante, anos atrás.

De origem simples, Washington trabalhou como office boy, auxiliar de expedição, administrativo e supervisor de call center. Em meados de 2002, época em que era voluntário no Lar dos Vicentinos e no grupo de jovens da Igreja de Nossa Senhora da Piedade, ele ficou sabendo de um senhor que estava desempregado e, deprimido, mal saía da cama. Incomodado com a situação de Bruno (nome fictício), Washington resolveu ajudá-lo e passou a procurar, por conta própria, trabalho para ele.

Conseguiu uma vaga de porteiro em uma escola. Semanas depois, Bruno o procurou para, emocionado, agradecer o gesto que o havia feito recuperar a dignidade de viver. “Ele disse que tinha voltado a se sentir homem. Que podia decidir o que comprar para si mesmo e sua família. Aquilo mexeu comigo. Pedi a Deus discernimento e decidi: vou arrumar emprego para as pessoas”, conta.

A partir daí, Washington ampliou seus esforços no projeto que batizou de Balcão de Empregos. Com a ajuda do pároco da Igreja Nossa Senhora da Piedade, à época frei Luiz Antônio, teve sua ideia divulgada nas missas de domingo. Quem estivesse desempregado poderia deixar um currículo na igreja, ou passar em sua casa, que ele cuidaria do restante.

Nos momentos livres, o líder comunitário procurava empresários. “Não tenho vergonha de pedir. O ‘não’ eu já tenho, eu vou atrás do ‘sim’”, brinca. Em pouco tempo, pessoas e empresas, não só do Caiçaras, o procuravam.

Samuel Gê/Encontro
Descobrindo a carreira: a estudante Rose Ellen só se decidiu pelo curso superior que faria depois de ter um trabalho conseguido pelo "caçador de empregos" (foto: Samuel Gê/Encontro)
Eugênio Gurgel
Várias contratações: dono de uma papelaria, o comerciante Anderson Mourão já empregou quatro pessoas indicadas por Washington (foto: Eugênio Gurgel)
Anderson Mourão, empresário, já contratou por encaminhamento de Washington. “Já empreguei pelo menos quatro funcionários para minha papelaria. Ontem mesmo encaminhei uma vaga a ele”, revela. Em 10 anos, Washington acredita já ter ajudado cerca de 4 mil pessoas. Uma marca incrível.

A estudante Rose Ellen Pacheco conta como Washington fez a diferença em sua vida profissional e pessoal. Depois de ser encaminhada a uma empresa da  área contábil, decidiu cursar ciências contábeis. “Criei mais experiência, enriqueci meu currículo e decidi fazer meu curso superior”, diz Ellen.

Já o vigilante Álvaro Augusto Congorzinho considera Washington um dos pilares de sua vida. Quando Álvaro tinha 6 anos, Washington foi seu catequista. Segundo o vigilante, que perdeu o pai muito cedo, o caçador de empregos o ajudou em um momento sensível e rapidamente conseguiu-lhe uma vaga em um supermercado. “Ele é um dos reponsáveis por eu estar hoje na igreja e em movimentos sociais”, revela.

E Washington não pretende parar por aí. Sua vontade é fazer o Balcão de Empregos crescer mais e investir em outros projetos, como um de qualificação profissional para os candidatos. “Tem muita gente espalhando o perfume de Deus por aí. Tem muita pessoa boa nesse mundão”, conclui. Ele, certamente, é um bom exemplo disso.

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