Um mar verde em BH

Com mais de 3,5 mil espécies vegetais, sendo algumas em extinção, Jardim Botânico é um importante espaço de preservação da flora e de educação ambiental

por Ludymilla Sá 20/02/2014 11:46

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Daniel Alves/Encontro
Casa ideal: centro de visitação e pesquisas científicas teve início no bairro Betânia, em 1997, e só em 2001 foi transferido para a Pampulha (foto: Daniel Alves/Encontro)
Da vegetação típica do cerrado às belas palmeiras das florestas tropicais e plantas medicinais, o Jardim Botânico de Belo Horizonte também foi criado pela Fundação Zoobotânica (FZB-BH) com o objetivo de preservar a biodiversidade da flora brasileira. Abriga mais de 3.500 espécies em 10 hectares da área total da FZB (1.440.000 metros quadrados), onde são desenvolvidos projetos educativos e científicos para despertar nos cidadãos o conceito de convivência harmônica com o meio em que vivem.

A maior parte dessas espécies está exposta em sete jardins temáticos, definidos conforme suas características: Jardim de Folhagens, de Suculentas, de Bromélias, de Plantas Tóxicas e Medicinais, de Palmeiras, de Flores e Cores e Lago de Plantas Aquáticas. Também há quatro estufas implantadas onde estão plantas evolutivas, de mata atlântica, de caatinga e de campo rupestre. “Estas são as estruturas da área de visitação, que tem por objetivo a educação ambiental”, conta o presidente da fundação, Jorge Espeshit.

Espeshit é geógrafo e participou da implantação do Jardim Botânico, em 1997. Ele conta que o trabalho desenvolvido, atualmente de pesquisa e conscientização do público em geral, só foi possível com a transferência do espaço para a Pampulha. O embrião da instituição era localizado no bairro Betânia. Mas somente em 2001, quando parte das obras mais significativas foi concluída, o espaço foi aberto ao público. “Basicamente, a implantação do Jardim Botânico na área da fundação, que também é responsável pelo Parque Ecológico da Pampulha, teve papel decisivo na conservação da biodiversidade e na sensibilização das pessoas para a importância da conservação. Ao expor isso ao público, conseguimos sensibilizá-lo para a conservação ambiental”, afirma o especialista.

Segundo Espeshit, a visitação pode ser monitorada ou não, dependendo do objetivo. “Durante a semana, nosso público é basicamente de escolas. Por isso, contamos com monitores para acompanhar os estudantes. Nos fins de semana, só contamos com monitores nos espaços porque o público é o mesmo do zoológico.”

João Carlos Martins/Encontro
Fuga valiosa: a publicitária Miriam Barreto procura o contato com a natureza para escapar da tensão da rotina vivida na %u201Cselva de pedras%u201D da cidade (foto: João Carlos Martins/Encontro)
Além da área de exposição, o Jardim Botânico reserva espaço para produção de mudas e pesquisas científicas. “Todas as mudas que são plantadas pela prefeitura são produzidas no Jardim Botânico. Temos uma grande variedade de plantas para paisagismo e arborização urbana, plantas ornamentais, que são utilizadas nas praças, parques e canteiros centrais, por exemplo”, conta o presidente.

As áreas destinadas às pesquisas são preservadas, fechadas ao público. São jardins, segundo Espeshit, que têm como atribuição a conservação da biodiversidade. “São jardins com espécies da flora que são usadas em pesquisas científicas, plantas de coleções que, por algum motivo, foram retiradas da natureza e estão guardadas aqui. Elas são catalogadas. São plantas ameaçadas de extinção que precisam ser estudadas. Na verdade, essa é a missão.”

Para as pesquisas desenvolvidas no Jardim Botânico, a fundação conta com um corpo técnico de pesquisadores próprios e pesquisadores das universidades do estado (PUC, UFMG, UFLA, UFV) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Espeshit costuma dizer que para o sucesso de qualquer projeto, quanto mais instituições envolvidas melhor.

João Carlos Martins/Encontro
Um pouco mais de alegria: a blogueira Flávia Pellegrini acredita que o Jardim Botânico conquistaria mais visitantes se investisse em programação mais lúdica e animada para as crianças (foto: João Carlos Martins/Encontro)
Esses profissionais também desenvolvem estudos de metodologia de resgates. “Por exemplo, estamos localizados no meio de região de mineração. Nas montanhas de minério de ferro, temos uma vegetação que é única. Quando era autorizada uma nova mineração, havia perda da vegetação. De alguns anos para cá, foi determinado por lei que as mineradoras fizessem o resgate das plantas existentes. Mas não é tão simples tirar e levar para outros lugares. Portanto, passamos a desenvolver metodologias de resgates nessas áreas. Esses estudos indicam a melhor maneira de fazer o resgate de áreas degradadas e introduzi-las em outras áreas.”

Frequentadora assídua dos espaços da Fundação Zoobotânica, a publicitária Miriam Barreto afirma que o Jardim Botânico é vital para a conservação das espécies. E reforça: “É um valioso espaço que possibilita uma experiência que a nossa ‘selva de pedras’ da cidade grande muitas vezes não permite. O contato com a natureza e toda a sua diversidade é enriquecedor, tanto para as crianças quanto para os pais e para o público em geral”.

A blogueira e também publicitária Flávia Pellegrini concorda com Miriam, mas sugere melhorias e investimento em mais programações direcionadas às crianças: “Elas se encantam e têm ali uma oportunidade de aprendizado. Faço parte de grupos maternos em redes sociais e tenho visto, constantemente, um comentário geral de que, ao visitar os espaços, os mesmos parecem abandonados, tristes. Sei que está em reforma, mas acredito que o importante também seria pensar uma programação cultural, lúdica, educativa, para movimentar esses espaços tão especiais para Belo Horizonte. Vemos esse tipo de iniciativa em outras capitais e outros países, ou até mesmo em parques pertencentes a iniciativas privadas. Por que não no Jardim Botânico?”, indaga.

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