Dá pra ir de metrô?

Sonho de boa parte da população de BH, a ampliação do metrô da capital está nos planos dos órgãos públicos, que pretendem dar início ao processo ainda em 2014. Será que agora sai do papel?

por Marcelo Fraga 26/02/2014 11:20

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Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
De acordo com a Metrominas, se tudo caminhar dentro do planejado, o processo de ampliação e revitalização do sistema de metrô de BH pode começar ainda em 2014 (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Visto pelos belo-horizontinos como solução para os problemas de trânsito da cidade, o metrô deve ser ampliado nos próximos anos, conforme projeto dos órgãos responsáveis. Porém, há um longo caminho a ser percorrido até que sejam iniciadas as obras para reforma e ampliação da linha 1 – a única existente – e a construção das novas, a 2 (Nova Suíça - Barreiro) e a 3 (Lagoinha - Savassi), que será subterrânea.

Inaugurado em agosto de 1986, o trem de superfície que hoje liga, em trajeto único, a região de Venda Nova à cidade de Contagem, passando pela região central de BH, não acompanhou o crescimento da demanda de passageiros. Ele não atende regiões importantes da cidade, como Savassi e Pampulha, por exemplo. A linha atual tem 28 km de extensão, conta com 19 estações e transporta 210 mil passageiros por dia, o que representa menos de 10% da população da capital.

As verbas para que haja ampliação do sistema de metrô de Belo Horizonte estão garantidas há tempos. Por três vezes, a presidente da república Dilma Roussef esteve na cidade para anunciar investimentos direcionados à mobilidade urbana, através do Programa de Aceleração do Crescimento. Na primeira visita, em setembro de 2011, quando ainda se esperava que as obras começassem antes da Copa de 2014, Dilma anunciou liberação de R$ 2 bilhões. Em outra oportunidade, já em outubro de 2013, a presidente confirmou que seriam liberados outros R$ 2 bilhões. Na última visita, realizada no dia 17 de janeiro, outros R$ 2,55 bilhões foram anunciados para obras de mobilidade em BH.

Encontro Digital
Clique para ampliar o mapa de como ficará o sistema de metrô da capital (foto: Encontro Digital)
Porém, somente parte desses recursos serão investidos diretamente no metrô da capital mineira. Segundo a Secretaria de Transporte e Obras Públicas de Minas Gerais (Setop), por meio de sua assessoria de imprensa, dos R$ 6,5 bilhões anunciados por Dilma, o total destinado ao metrô equivale a R$ 3,1 bilhões – sendo R$ 200 milhões para modernização e ampliação da linha 1, R$ 397 milhões para construção da linha 2 e R$ 1,6 bilhão nas obras da linha 3, que será subterrânea. Já o restante, R$ 1,44 bilhão, deve ir para a compra de trens e equipamentos de sinalização, manutenção e modernização do sistema de controle.

Mesmo com as verbas já garantidas e os projetos de engenharia quase concluídos (a previsão é que estejam prontos até abril deste ano), ainda são necessárias várias etapas para que a ampliação do metrô de Belo Horizonte saia do papel (veja tabela). Após a aprovação dos projetos, é preciso que a Metrominas – empresa estadual responsável pelo planejamento do transporte sobre trilhos em BH e região metropolitana – assuma a administração do metrô, que hoje é de responsabilidade da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), e isso só deve ser possível após a assinatura de um convênio de transferência entre os governos de Minas e federal. A previsão é que o convênio seja assinado em abril.

Após a transferência da administração do metrô para o governo de Minas, ainda será realizada uma audiência pública, e, só então, terá início a licitação para instituir, por meio de parceria público-privada (PPP), a empresa que fará o gerenciamento das três linhas do sistema de metrô da capital.

A construção da linha 3 exige ainda uma etapa burocrática: a aprovação dos projetos de engenharia pela Caixa Econômica Federal, que será responsável pelo repasse de R$ 960 milhões para a Metrominas.

Finalizadas todas as etapas, as obras podem ter início ainda este ano, de acordo com a Setop. Começando pela modernização e ampliação da linha 1, que passará a atender o bairro Novo Eldorado, e cuja obra deve durar cerca de 1 ano. A secretaria também explica que as obras da linha 2 (Barreiro - Nova Suiça) podem durar até 3 anos e a construção da linha 3 (Lagoinha – Savassi) pode levar até 4 anos.



Metrô é a solução?

Segundo Manoel Teixeira, especialista em mobilidade urbana e professor do departamento de arquitetura da PUC Minas, o metrô é fundamental para solucionar problemas de trânsito, mas não é suficiente. No caso de BH, ônibus comuns, BRT e transporte sobre trilhos devem funcionar de modo conjunto: “Quando falamos em mobilidade urbana, devemos ter diversas opções de transporte público de qualidade, mas que sejam integradas”. Teixeira também reforça que os investimentos em mobilidade devem privilegiar sempre o transporte de massa, jamais os meios individuais, como os carros de passeio.

Na avaliação do especialista, o VLT – sigla para Veículo Leve sobre Trilhos – que consiste na construção de trilhos sobre estruturas elevadas, por onde circula uma espécie de trem, pode ser utilizado na capital mineira, apesar de ter relevo bastante acidentado. “O VLT, assim como o BRT, é um sistema de média capacidade, se comparado ao metrô. No caso de BH, seria necessário um estudo para determinar qual é o meio de transporte ideal para cada corredor”, afirma o professor.

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