Cônsul da Rússia em BH fala sobre crise geopolítica na região

Em entrevista exclusiva para a Encontro, Vladimir Kotilevsky explica a tensão envolvendo a Ucrânia e a região da Criméia

por João Paulo Martins 12/03/2014 18:44

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Cláudio Cunha
O cônsul da Rússia em BH, Vladimir Kotilevsky, fala sobre a tensão que se criou entre Ucrânia e a península da Criméia (foto: Cláudio Cunha)
Entre os principais assuntos do noticiário internacional da atualidade, um em especial chama a atenção, por gerar forte tensão política na Europa: a independência da Criméia e sua possível união à Rússia. Essa possibilidade está indo contra a vontade da Ucrânia – país do leste europeu que pertencia à antiga União Soviética e está passando por uma grave crise interna –, que considera a movimentação russa na região uma ameaça à sua autonomia.

A Criméia é uma república autônoma que fica ao norte do mar Negro, e foi entregue à Ucrânia em 1954, pelo primeiro-secretário do partido comunista russo, e sucessor de Joseph Stálin no comando da Rússia, Nikita Khrushchov. “Isso se deu após uma bebedeira. Foi uma atitude totalmente autoritária”, explica Vladimir Kotilevsky de Carvalho, cônsul honorário da Rússia em Belo Horizonte. A entrega do território aos ucranianos, segundo o diplomata, nunca foi contestada pelos russos. Para ele, é incabível a ideia de que o presidente russo Vladimir Putin tenha interesse em uma possível expansão territorial. “Estamos apenas protegendo os cidadãos, suprindo suas necessidades, especialmente com alimentos”, diz o cônsul.

Por sua vez, o representante permanente da Ucrânia junto às Nações Unidas, Yuriy Sergeyev, fez um comunicado à comunidade internacional criticando as tropas russas, que teriam “invadido ilegalmente o território da Ucrânia, na Criméia, planejando aumentar seu poderio militar na região, e usando como desculpa a proteção dos cidadãos russos que ali residem”.

Cláudio Cunha
O agente diplomático Geraldo Vieira, sobre a origem da tensão no leste europeu: "o governo Obama forçou a União Europeia a aceitar a Ucrânia como membro" (foto: Cláudio Cunha)
Para o cônsul Vladimir Kotilevsky não existe nenhuma intenção militar ou política por trás das ações russas. Na verdade, a própria população da Criméia teria solicitado ajuda: “Após o assassinato de 78 ucranianos durante as manifestações do início do ano, os moradores do leste do país e da Criméia, com medo de que a guerra os afetasse, solicitaram ao governo russo proteção militar”.

O problema é que os Estados Unidos são os principais questionadores das ações russas, e tem como aliados a Inglaterra e a Alemanha. “É próprio das grandes nações usar o medo como forma de manipular a população. Isso está sendo feito pelos americanos na Europa, especificamente em relação à independência da Criméia”, afirma Geraldo Vieira, agente diplomático da Rússia em BH. Para ele, os Estados Unidos não “engoliram” a decisão da Rússia de conceder asilo político a Edward Snowden, ex-funcionário da Cia que revelou inúmeras ações de espionagem do governo americano. “Com isso, o governo Obama forçou a União Europeia a aceitar a Ucrânia como membro, o que gerou a crise interna no país do leste europeu e levou às manifestações, e mesmo mortes”, completa Geraldo.

Na última terça-feira, 11 de março, o parlamento da Criméia aprovou, por 78 votos a 22, a independência da região. “Nós, os membros do parlamento da República Autônoma da Criméia, tendo em vista o capítulo das Nações Unidas e diversos documentos internacionais, assim como a confirmação do status de Kosovo pela corte internacional de justiça, tomamos essa decisão”, relata a declaração entregue à imprensa após a confirmação do resultado.

No próximo domingo, dia 16, será realizado um referendo popular na península, para consultar a população sobre uma possível anexação à Federação Russa. “Só após o resultado é que o parlamento russo vai poder tomar algum tipo de decisão sobre o futuro da região”, esclarece o cônsul. “Que existe um porto importante na região, é verdade. Que a Rússia possui bases militares na Criméia, também é verdade. Mas isso já fazia parte do acordo com a Ucrânia, quando esta recebeu o território”, completa.

Saiba mais sobre a Criméia:

Encontro Digital
Clique para ampliar a infografia (foto: Encontro Digital)

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