Conheça o mecânico mineiro que anda pela rua vestido de mulher

Para assumir em público, o fetiche de se vestir como o sexo oposto, o crossdresser Max Costa encara o preconceito da sociedade e a discriminação da família. Saiba mais sobre sua trajetória de vida

por Daniela Costa 18/03/2014 16:02

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Rogério Sol/Encontro
Max Costa sente prazer em usar roupas e acessórios de mulher: "Sei que minha aparência foge do tradicional e chama a atenção das pessoas" (foto: Rogério Sol/Encontro)
Andar pelas ruas da capital mineira ao lado do mecânico Max Costa, 38 anos, não é uma tarefa fácil. Isso porque no alto de seus 1,83 m – bem definidos –, se acrescentam mais 15 centímetros de salto, além de modelitos e acessórios femininos para lá de ousados. Ele se transforma em uma verdadeira atração. Não tem quem não olhe. Algumas pessoas até arriscam comentários discretos. Se ele se importa? Não. “Venci o preconceito e assumi minha verdadeira identidade", diz Max, que desde os 12 anos de idade se descobriu como crossdresser -  definição de homem ou mulher que se veste como o sexo oposto apenas como fetiche sexual.

Apesar do visual um tanto inusitado, Max garante que não sente atração por homens e que já teve algumas namoradas: “Uma delas não se incomodava de sair em público comigo vestido de mulher. Outra me propôs que só namoraria se eu vestisse roupas femininas apenas dentro de casa. Claro que não aceitei”.

O gosto excêntrico surgiu ainda garoto, quando Max começou a usar as roupas e os sapatos da irmã mais velha. “Sempre que ela saía eu aproveitava para experimentar algumas peças. Até que ela começou a perceber que algumas roupas como calcinha e sutiã estavam desaparecendo do seu armário”, brinca. Para ele, se vestir de mulher é uma realização, um fetiche que lhe traz sensação de liberdade e bem estar.

Em seu armário, vestidos tubinho, colans, minissaias, e, é claro, as tradicionais peças íntimas femininas, que não podem faltar. “Quase não uso cueca, e, às vezes, mesmo usando macacão de mecânico, coloco sutiã”. Em uma ocasião, uma colega de trabalho lhe deu um abraço e estranhou quando passou a mão em suas costas. “Ela ficou chocada ao sentir as alças do sutiã”.

Para acertar nas medidas, Max conta com a ajuda de uma costureira, que ajusta ou faz modelos exclusivos para ele, de acordo com suas encomendas. Com relação aos biquínis, ele manda fazer o bojo para dar enchimento nos seios. Suas estampas preferidas são as de onça ou coloridas, e como acessórios, gosta de usar brincos grandes de pressão, pulseiras e bolsas. Mas sua grande paixão são mesmo os sapatos. “Tenho uma coleção de Melissas, de todos os modelos, e gosto muito de sandálias com o salto anabela. Não curto muito rasteirinhas”, explica.

Quando vai aos shoppings ou feiras para comprar roupa, sempre surpreende os vendedores. “Em um dos poucos dias em que estive vestido de homem, e saí para fazer compras, quando a atendente perguntou se era para minha namorada, disse que era para mim. Ela achou que era pegadinha”.

Facebook/MaxCosta/Reprodução
Mesmo no clube, o mecânico faz questão de usar roupa feminina (foto: Facebook/MaxCosta/Reprodução)
O dia a dia de Max é sempre inusitado. Com acontecimentos que variam desde motoristas de ônibus parando o veículo para convidá-lo a subir, até cantadas de pedreiros. Certa vez, um motorista se distraiu olhando para o Max Costa e chegou a bater o carro. “Levo tudo numa boa. Sei que minha aparência foge do tradicional e chama a atenção das pessoas”. Apesar de dispensar maquiagem, não ir à manicure e de usar cabelo bem curto, Max é vaidoso e malha todos os dias. Sempre vestido de mulher. “Os alunos novatos estranham quando me veem no banheiro masculino, mas depois que me conhecem, ficam 'de boa'”.

Apesar de bem resolvido, Max conta que o maior preconceito que sofre é dentro de casa. Ele mora com a família no bairro de Lourdes. O pai, ex-militar, e a mãe, não aceitam seu estilo de vida. “Na minha casa só uso roupa de homem. Minha família já me levou a psicólogo, psiquiatra e até em centro espírita. Não entendem que o fato de me vestir como mulher não significa que sou doente”.

Para o psicólogo Luiz Claudio Araújo, não existe nada errado em ter fetiches. “Um crossdresser é apenas uma pessoa que, em seu íntimo, tem o desejo de expor sua feminilidade. Não se diferencia da menina que quer ser uma barbie, do jovem com estilo gótico, das funkeiras que querem mostrar o corpo, por exemplo”. Para ele, o fato de um homem se vestir de mulher provoca espanto e até repulsa na sociedade, por conta do machismo existente. Mas ressalta: “Os conceitos de masculinidade vão além do estereótipo externo. Nem todo homem que veste roupa masculina é heterossexual, e vice-versa.O que assusta é quando alguém coloca em evidência aquilo que muitos gostariam de ser e não têm coragem de expressar”.

Entenda mais sobre a diversidade sexual e de aparência:

[POR QUESTÕES EDITORIAIS, RETIRAMOS AS DEFINIÇÕES QUE ERAM PROVENIENTES DO PORTAL DA ASSOCIAÇÃO LONDRIENSE INTERDISCIPLINAR DE AIDS. SALIENTAMOS QUE OS PORTAIS LIGADOS AOS MOVIMENTOS LGBTT FORAM PROCURADOS, MAS NÃO POSSUEM ESSE TIPO DE INFORMAÇÃO]

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