Poda de mais fícus na av. Bernardo Monteiro deixa protetores indignados

O problema com a praga que ataca essas árvores vem desde o ano passado. Prefeitura diz que cortes fazem parte da rotina de cuidado com as plantas

por João Paulo Martins 02/04/2014 18:38

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Facebook/Anacristinacantora/Reprodução
Em fevereiro, mais 15 fícus tiveram seus galhos cortados pela prefeitura (foto: Facebook/Anacristinacantora/Reprodução)
Mais um capítulo na novela das árvores centenárias da av. Bernardo Monteiro, no bairro Santa Efigênia. A prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realizou, na última semana de fevereiro de 2014, a poda de 15 fícus, que estariam em situação crítica ou com risco de queda de galhos. Desde 2013, as atenções da mídia e da população se voltam para essa região da cidade, devido ao aparecimento da praga urbana chamada mosca branca, que ataca o fícus, sugando sua seiva, o que leva ao enfraquecimento e até à morte da planta.

“Os fícus devem ser preservados, porque são importantes para a cidade”, diz Lúcia Formoso, do movimento Fica Fícus, criado no ano passado, e que tem o intuito de chamar a atenção para a proteção das árvores centenárias da Bernardo Monteiro. “Eles [prefeitura] alegaram que, agora, existe um vírus afetando as plantas”, reclama Lúcia, que mora na av. Carandaí, próximo às árvores. Esse novo problema, por ela relatado, na verdade, está relacionado a uma pesquisa científica que está sendo feita pela Fundação Oswaldo Cruz, e que pretende descobrir, a partir de análise do DNA da mosca branca, se ela carrega mesmo um vírus. “Se for confirmada a existência do patógeno, teremos de identificá-lo, e, então, passaremos a combatê-lo”, explica Márcia Mourão, gerente de gestão ambiental da secretaria municipal do Meio Ambiente de Belo Horizonte.

A representante da PBH também explica que as podas realizadas recentemente na av. Bernardo Monteiro fazem parte de um trabalho rotineiro que vem sendo feito desde o ano passado. De acordo com ela, a cada 15 dias é realizada uma análise dos fícus, e, sendo constatado algum risco mais grave – como enfraquecimento da planta –, é feito, então, o corte dos galhos problemáticos. “É uma batalha, e, infelizmente, com perdas significativas”, diz Márcia Mourão.

Encontro Digital
(foto: Encontro Digital)


O conjunto arbóreo da avenida é considerado patrimônio histórico municipal desde 1994, e, das 51 árvores que foram plantadas nessa avenida do Santa Efigênia, na análise de 2013, 40 exemplares estavam doentes. Como forma de combate à mosca branca, a prefeitura está usando o óleo de neem – retirado de uma planta da família do cedro, e que é originária da Índia – e um produto à base de fungo. O óleo inibe o sistema digestivo e reprodutivo da mosca, e o fungo, se alimenta dos insetos. “As aplicações não são feitas simultaneamente, e dependem da análise de nossos técnicos”, conta Márcia.

Segundo a integrante do movimento Fica Fícus, Lúcia Formoso, a PBH não estaria usando o óleo puro, ou seja, 100% natural. “Ele apenas contém a essência do neem. O Henrique Portugal, do Skank, que é produtor do óleo, chegou a nos oferecer uma doação, mas não foi aceita pela prefeitura”.

Sobre um possível replantio de árvores, que é uma demanda do Fica Fícus, a gerente de gestão ambiental da PBH explica que está sendo feito um teste com duas mudas provenientes do parque municipal Jacques Cousteau. Elas foram inseridas em espaços vagos na av. Bernardo Monteiro. “Estamos fazendo o monitoramento dessas plantas, observando o crescimento. No princípio, elas se comportaram bem”.

Infelizmente muitos fícus estão mortos, e os protetores querem que alguns permaneçam lá, como lembrança desse momento “trágico” na história da capital. “Queremos que os esqueletos sirvam de exemplo para que as futuras gerações lembrem do descaso humano com o meio ambiente”, explica Lúcia Formoso.

Últimas notícias

Comentários