Belas e perigosas: plantas decorativas podem ser venenosas e até matar

Crianças e animais de estimação correm sério risco ao ter contato com algumas espécies de vegetais decorativos ou mesmo presentes em quintais. Saiba quais devem ser evitados e os problemas que eles podem causar

por Fernanda Nazaré 16/04/2014 13:11

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Pixabay
Muitas plantas que parecem inofensivas, podem levar até à morte em caso de ingestão (foto: Pixabay)
A analista de marketing, Claudiana Costa, de 29 anos, tem quatro cães. Todos são tratados como filhos. E como toda mãe, que vive com os olhos atentos, percebeu que a vira-lata Lupita não estava bem. "Moro ao lado dos meus pais e deixo os cães na casa deles, todos os dias, para ir trabalhar. Num dia, quando fui buscá-los, percebi que a Lupita estava diferente, agitada, ofegante, coração disparado e engasgando", conta. A cadela foi levada às pressas para a clínica veterinária, onde foi examinada e se constatou intoxicação alimentar. Nesse momento, o marido de Claudiana lembrou de ter visto o animalzinho mordiscando uma planta diferente no quintal do sogro.

A espécie em questão é a erva-de-guiné, popularmente conhecida por espantar mal olhado e utilizada em banhos aromáticos. O problema é que a raiz é tóxica e pode provocar excitação e alucinações. Se for ingerira continuamente, gera convulsões e até a morte. Lupita ficou internada por três dias, e fez um tratamento para reverter lesões no rim durante um mês. "A sorte foi que a socorremos rapidamente", afirma Claudiana, que hoje inspeciona o quintal do pai e, em casa,  mudou os vasos de plantas para um local fora do alcance dos cães.

Várias flores e vegetais folhosos comuns nos lares brasileiros representam um verdadeiro perigo. As plantas leitosas, que, se quebradas, liberam um líquido leitoso, como a coroa-de-cristo, muito usada em jardins externos, e a bico-de-papagaio, típica na época do natal, por sua folhagem vermelha, podem causar lesões na pele e nas mucosas, inchaço de lábios, boca e língua, dor, queimação e coceira. A mamona, que já fez parte da infância de muita gente, por ter bolinhas espinhosas boas para brincar de “guerra”, e o caule oco, usado como canudo para fazer bolinhas de sabão, é extremamente venenosa. A semente tem ricina, uma toxina que é letal se ingerida. Em casos menos graves, esse elemento ocasiona queimação na garganta, vômitos intensos, taquicardia e diarreia.

Ademilton Dutra/Divulgação
A analista de marketing Claudiana Costa com sua cachorra Lupita, que se intoxicou com uma planta venenosa (foto: Ademilton Dutra/Divulgação)
De acordo com Simone Cristina Alves, professora de biologia e especialista em plantas medicinais e tóxicas da PUC Minas, existem mais de 100 espécies de plantas venenosas, que são extremamente perigosas. Muitas não podem nem ser tocadas. É preciso, portanto, ter cuidado quando não se sabe o potencial toxicológico de alguns vegetais. "Calcula-se que em torno de 60% dos casos de intoxicação por plantas, no Brasil, ocorram em crianças menores de nove anos, e que 80% deles são acidentais", explica. Alguns venenos presentes em plantas podem não causar a morte quando ingeridos, porém, levam a sérias lesões em órgãos vitais como cérebro, coração e pulmões. Outras toxinas, mesmo em pequenas doses, podem levar ao óbito em um curto espaço de tempo.

Contra o mal olhado

A idéia popular de que algumas plantas têm o poder de espantar o mal olhado não é apenas uma lenda. Segundo a especialista em botânica, essa propriedade vegetal é real. A espécie emana uma energia positiva que repele a negativa. "O que a ciência tem comprovado é que nas células desse tipo de planta, existem muitos cristais de oxalato de cálcio, que poderiam agir de forma a neutralizar as energias negativas", diz Simone Alves.

Mas, antes de escolher sua planta para “limpar” o ambiente, siga alguns cuidados:

  • Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças;

  • Conheça as espécies tóxicas existentes em sua casa e nos arredores, pelo nome e características;

  • Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não utilizá-las em brincadeiras;

  • Não prepare remédios ou chás caseiros sem orientação médica;

  • Não coma folhas, frutos e raízes desconhecidas. Lembre que não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas. Nem sempre o cozimento elimina a toxicidade da planta;

  • Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex (seiva leitosa branca) provocando irritação na pele e principalmente nos olhos. Quando estiver lidando com plantas venenosas, use luvas e lave bem as mãos após esta atividade;

  • Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação;

Se estiver na dúvida quanto a toxicidade das plantas na sua casa, consulte o site do Sinitox.

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