Estudantes da UFMG se juntam para ajudar outras pessoas

Inspirados nos Doutores da Alegria, os Engenheiros da Alegria promovem ações nas redes sociais para angariar doações e mesmo voluntários que queiram levar amor e dedicação a pessoas desamparadas e aos animais de rua

por Bruna Tavares 02/05/2014 09:55

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Bruna Tavares/Encontro Digital
O grupo Engenheiros da Alegria, em ação no final de abril: carinho e ajuda para cuidar de 82 animais de um abrigo da grande BH (foto: Bruna Tavares/Encontro Digital)
Uma conversa entre amigos, ideias em comum e uma mesma vontade: trazer alegria para a vida das pessoas e fazer a diferença na sociedade. Com isso, em outubro de 2011, um grupo pequeno de estudantes da UFMG criou o Engenheiros da Alegria, que tem como meta principal colocar a “mão na massa” e visitar creches, entidades e comunidades, construindo sorrisos para transformar vidas. Não é coincidência que lembre a insituição Doutores da Alegria, criada em 1972 pelo médico americano Hunter Doherty Patch Adams, que tem como lema a expressão "rir é o melhor remédio".

Apesar do nome, o grupo da UFMG não é formado só por estudantes de engenharia. Ao contrário, independentemente do curso, qualquer pessoa que também sonhe em transformar uma comunidade através de ações positivas e vontade de mudar, é super bem-vinda. A estudante de medicina veterinária, Raquel Ferreira, faz parte da equipe e não perde uma oportunidade de contribuir para levar alegria ao seu redor. "Não existe nenhuma conexão com a engenharia ou com qualquer outro curso. A ideia é que o maior número possível de pessoas possa participar, independente de suas atividades pessoais", diz Raquel, que é integrante dos Engenheiros da Alegria desde o início de 2012, quando participou de uma reunião e, desde então, nunca mais saiu.

Assim como a estudante, quem quiser fazer parte e ficar por dentro das ações do grupo voluntário, a principal forma de contatá-los é através do Facebook. Com mais de quatro mil likes, a página é frequentemente atualizada por membros responsáveis por organizar ações, entrar em contato com instituições/comunidades e arrecadar recursos. "Realizamos reuniões periódicas e trabalhamos de acordo com as demandas que nos são enviadas, como mensagens de pessoas necessitadas e indicações de locais que precisam de ajuda”, explica Raquel Ferreira.

Na última ação realizada pelo grupo, no final de abril deste ano, os feitores de alegria visitaram, pela primeira vez, um abrigo de animais retirados das ruas. Quase 30 pessoas lotaram a casa de Franklin Oliveira, um dos personagens mais simbólicos na luta pela causa animal em Belo Horizonte e em Minas, com o intuito de ajudar na limpeza, distribuir mantimentos, adquiridos através de doação – que foram recolhidos sistematicamente nas semanas anteriores – e, principalmente, brincar e dar carinho aos mais de 80 animais que vivem no local.

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Franklin Oliveira se dedica, há 30 anos, a cuidar de animais desamparados (foto: Bruna Tavares/Encontro Digital)
30 anos de "militância"


O interesse de fazer a diferença na vida de milhares de animais para Franklin Oliveira surgiu aos 13 anos, em 1980, quando presenciou um grupo de agricultores fazendo um manifesto no centro da capital, em frente à associação dos agricultores de Minas Gerais, queimando pintinhos vivos. Da indignação, veio a promessa de nunca mais consumir nenhum tipo de carne, além da vontade de se envolver em causa animais e poder protegê-los por conta própria.

Quatro anos depois, em 1984, Franklin se tornou membro da Sociedade Protetora dos Animais, onde militou por 20 anos e chegou à presidência. Mais tarde, no início dos anos 1990, mudou-se para uma casa e não poupou esforços para tirar milhares de “peludos” (como gosta de chamar os cães) das ruas da cidade. Dentre algumas aventuras em meio aos resgates, duas não saem de sua cabeça: a primeira, quando desceu de rapel para resgatar um cachorro preso no rio Arrudas; em outra oportunidade, juntamente com um amigo, resgatou uma cadela e seus filhotes que estavam dentro de uma manilha prestes a ficarem soterrados.

Atualmente, Franklin cuida sozinho de 82 animais (entre cães e gatos) em uma região afastada da cidade. Os bichinhos, que têm os mais diferentes tamanhos, raças e idades – de filhotes recém-nascidos até uma cadela de 19 anos. Esta, aliás, é a mais velha do clã, e está com bico de papagaio (quando ocorrem novas formações ósseas entre as vértebras da coluna do cão) e faz acupuntura semanalmente para aliviar a dor. Os animais convivem e interagem em um grande espaço, enquanto esperam por adoção. "Aqui, eles têm carinho, brincam com outros bichos, são livres, à espera de um lar. Entretanto, nas feiras, as pessoas só se interessam pelos animais novos, filhotes" comenta Franklin, que, até pouco tempo, era assessor de gabinete da secretaria municipal do Meio Ambiente.

Hoje, desempregado e sem receber apoio da prefeitura e de ONG's, seu sustento é o trabalho de hospedagem de animais, que faz na parte de trás da casa. Ele também depende de doações, além de promover "mutirões" pelo Facebook, em busca de pessoas que se disponibilizem a limpar o ambiente, cortar grama, dar banho e vacinar os "peludos", que são todos castrados e vermifugados.

Apesar da falta de apoio e de ter passado por maus bocados, a luta diária por um mundo melhor e mais humano para os animais é frequentemente recompensada pelo "sorriso" de seus bichinhos, misturado com o das pessoas interessadas em ajudar. "Os Engenheiros da Alegria vieram com o desejo maior de ajudar e dar carinho aos meus peludos. Trouxeram ainda ração e outros mimos para a turma. Foi fantástico! É uma atitude extremamente louvável e merece ser reconhecida e espalhada", agradece Franklin.

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