Armadilhas no trânsito de BH podem levar a infrações e multas

Consultamos alguns motoristas da capital, que apontaram pontos da cidade que possuem problemas na sinalização ou mesmo no tráfego dos carros, o que pode dar um nó na cabeça de qualquer um, e até levar a acidentes

por Fernanda Nazaré 16/05/2014 16:59

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Leo Araújo/Encontro
Os motoristas, em muitos pontos da cidade, acabam invadindo as pistas exclusivas dos ônibus, por vários motivos, incluindo o sentido natural do trânsito (foto: Leo Araújo/Encontro)

Várias mudanças no trânsito da capital mineira foram feitas recentemente, para adaptar o espaço urbano ao novo sistema de transporte coletivo, intitulado Transporte Rápido por Ônibus (BRT, da sigla em inglês), batizado de Move.  Além de alterações – como as mudanças no sentido de direção feitas na região hospitalar – que ainda confundem os motoristas, há outras sinalizações na cidade, anteriores à reforma e em bairros que não têm nada a ver com o BRT, que continuam dando um nó na cabeça de quem está atrás do volante. Elas se transformam em verdadeiras armadilhas, que terminam em multas e, de forma mais séria, em acidentes.

Para o professor do departamento de Engenharia de Transportes e Geotecnia da UFMG, Nilson Tadeu Ramos Nunes, existem casos na cidade em que a sinalização precisa ser revista, principalmente no que se refere à preferência no sentido do fluxo de trânsito. "A BHTrans introduziu uma série de sinalizações temporárias ou mesmo permanentes, mas não informou a população sobre essas mudanças", diz.

Muitas ruas que são mais afastadas do centro da cidade permanecem pouco alteradas, e até defasadas em termos de sinalização de trânsito, ou de problemas relacionados ao tráfego. Isso, claro, porque não fazem parte da rota turística relacionada à Copa do Mundo, que será realizada no próximo mês, e que recebem mais atenção e reformas por parte do poder público.

 

Um exemplo de defasagem na correção de falhas de tráfego pode ser encontrado no bairro Sagrada Família, região leste da capital. No cruzamento entre as ruas Conselheiro Lafaiete e São Roque, um poste foi colocado na esquina, impedindo a visibilidade do motorista que vai cruzar a via. "Você não consegue enxergar direito o carro que está subindo a Conselheiro Lafaiete, e tem de ‘embicar’ muito o veículo, para conseguir ver algo. Se o outro vier em alta velocidade, é batida na certa", reclama Roney Simões, que mora na região.

Já no bairro Belvedere, próximo ao BH Shopping, na rotatória da avenida Paulo Camilo Pena com rua Jornalista Djalma Andrade, existe sinalização de "dê a preferência" em todas as ruas que se cruzam.  Os motoristas que chegam, ao mesmo tempo, nesse local, podem questionar:  se as quatros vias pedem preferência para o outro, quem entra primeiro na rotatória?

Até mesmo as mais recentes alterações na cidade devido ao Move pegam alguns motoristas de surpresa. No centro da capital, o motorista que sai da rua Espírito Santo e vira à esquerda para entrar na avenida Augusto de Lima, ao fazer a curva mais aberta, cai direto na pista exclusiva dos ônibus do BRT, correndo o risco de ser multado. Veja abaixo esses e outros exemplos de "armadilhas" no tráfego de BH:

Heitor Antonio/Encontro Digital
(foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)


Uma das maiores armadilhas no trânsito de BH, segundo o especialista em redes de circulação viária urbana e professor da UFMG, Ronaldo Guimarães, são as faixas de pedestres pintadas onde não há semáforo na via. "É um desperdício de dinheiro público pintar essa sinalização onde não existe semáforo para pedestre. O motorista não respeita, e muitas vezes, atropela as pessoas próximo à faixa", explica. Ainda segundo ele, a verba seria melhor empregada em programas de educação no trânsito.

Outro ponto que pode ser considerado uma armadilha, para o especialista da UFMG, e ainda ligada à falta de instrução – ou educação – das pessoas é a colocação de caçambas para recolhimento de entulho: "Ela obstrui a via, a visão do motorista e não permite que se reconheça sua real dimensão".

Questionada sobre os cinco dos locais apontados pelos motoristas à redação da Encontro, a BHTrans enviou nota, dando seu ponto de vista para cada um deles. Confira:

Encontro - Sobre a conversão à esquerda na av. Augusto de Lima, para quem sai da rua Espírito Santo, no centro de BH.
BHTrans - A avenida Augusto de Lima possui, no trecho citado, quatro faixas de trânsito: três para o tráfego misto e uma faixa exclusiva para ônibus do transporte coletivo. Veículos de passeio, caminhões e motos só podem trafegar no local exclusivo para realizar conversões. Nas faixas exclusivas os veículos poderão virar à direita, nos locais determinados pela sinalização, mas o acesso deve ser realizado somente nos trechos pintados com linha branca tracejada. É proibida a entrada na faixa exclusiva nos trechos pintados com uma linha branca contínua.

Encontro - Quem segue a rua Rio Grande do Norte, sentido BH Shopping, ao entrar na av. Nossa Senhora do Carmo, para seguir para o Sion, tem de invadir a pista exclusiva de ônibus.
BHTrans - A via possui quatro equipamentos detectores de invasão de faixa exclusiva para ônibus, dois por sentido. Saindo da trincheira da rua Rio Grande Norte até o primeiro detector de invasão de faixa exclusiva para ônibus, no sentido centro/bairro, pode-se percorrer uma distância de 300 metros. É um espaço razoável para que o motorista que está trafegando dentro da velocidade regulamentada, realize a mudança de faixa, ficando à esquerda.

Encontro - No cruzamento da av. Paulo Camilo Pena e rua Jornalista Djlama Andarde, no bairro Belvedere, a rotatória possui sinalização de "dê a preferência" nos quatro sentidos.
BHTrans - De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, art. 29, III, c, no caso de rotatória, a preferência de passagem é do veículo que estiver circulando por ela. A sinalização de "dê a preferência" em todas as vias, no local citado, é apenas um reforço da norma já descrita e que deve ser conhecida por todos os motoristas habilitados.

Encontro - Quem segue pela rua São Roque, no bairro Sagrada Família, quando cruza a rua Conselheiro Lafaiete, encontra um poste na esquina, que impede a visão dos carros que seguem por essa rua
BHTrans - Por ser uma região mais antiga, a legislação permitia essa configuração de calçada. Mas o local está bem sinalizado e os motoristas devem fazer a aproximação da esquina com prudência e atenção.

Encontro - Também no bairro Sagrada Família, a rua Santo Amaro é muito íngreme, e possui uma placa de "pare" na subida, na esquina com a rua São Sebastião
BHTrans - Para estabelecer a preferência de passagem de uma via, vários critérios técnicos são utilizados pela BHTrans, como o volume de tráfego, conflito/risco de acidentes entre veículos e pedestres, e segurança de um determinado cruzamento, e não só inclinação da via.

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