Conheça o rei do Fusca, que mora no bairro Cidade Nova

José Augusto Silva tem dedicado boa parte de sua vida a reparar e colecionar os veículos Volkswagen. Comercializando peças raras, virou referência sobre o carro no Brasil

por Tatiana Marchi 19/05/2014 10:21

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Paulo Márcio/Encontro
José Augusto Silva tem dedicado boa parte de sua vida a reparar e colecionar os veículos Volkswagen. Comercializando peças raras, virou referência sobre o carro no Brasil (foto: Paulo Márcio/Encontro)

Paixão: "sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento, o pensamento [...]; desejo demonstrado de maneira extrema". É assim que o dicionário Aurélio define o sentimento tão presente na vida de José Augusto Silva, de 58 anos, ou melhor, Zé do Fusca.

Mineiro de Belo Horizonte e morador do bairro Cidade Nova desde 1981, ele ganhou a alcunha e a fama por ser considerado referência em tudo o que diz respeito a esse modelo que carrega uma legião de fãs pelo mundo. O apelido surgiu no bairro, onde tem gente que convive com ele há anos e sequer sabe qual é seu nome de batismo.

A vida de Zé sempre esteve entrelaçada ao carro. Quando tirou carteira de motorista, em 1974, foi em um Fusca 1974 Marrom Caravela. No entanto, foi ainda menino que teve o primeiro contato com o carro. Em suas brincadeiras de criança,  ele pedia para lavar o carro de seu vizinho, um Fusca 1968 azul real. Entre uma lavada e outra, sonhava em ter um daquele que mais tarde seria o seu xodó. Em maio de 1982, Zé do Fusca comprou o 1968 e, daí em diante, foi se transformando nesse apaixonado colecionador.

Durante esses anos, cuidou e tratou de sua coleção: "Já tive sete Fuscas, mas, por questão de tempo e espaço, hoje tenho quatro comigo, dos quais ficarei com dois, o 1968 azul real 'invendável' e o pretinho - 1955 alemão", conta, orgulhoso.

Paulo Márcio/Encontro
O vendedor é um dos mais procurados no encontro de Fuscas, organizado todo mês pelo Clube do Fusca, na rua Josafá Belo, Cidade Jardim (foto: Paulo Márcio/Encontro)
O fascínio pelo carro é tão grande que Zé recorda de uma história marcante em sua trajetória de "fuscamaníaco", expressão de sua autoria para designar os apaixonados pelo modelo. "Um dia, eu estava dirigindo e havia um Fusca a minha frente. Fiquei tão fascinado que comecei a segui-lo sem perceber. Foi preciso minha namorada me chamar a atenção para eu retomar meu caminho."

Com lágrimas nos olhos, ele conta a emoção que sentiu em uma viagem a Araxá. "Na época, vi um Fusca tão lindo que comecei a chorar. Não sei explicar esse sentimento que envolve os fuscomaníacos. Acho que é um vírus, muito contagiante e muito bom", diverte-se.

O fotógrafo Rodrigo Bethonico adquiriu de Zé do Fusca  um modelo 1970 1ª série Hood Ride e lhe deu o apelido do antigo proprietário. "Dei o nome de Zé ao meu carro em homenagem a esse simpático e grande entendedor de Fuscas.  Zé é uma pessoa de energia boa e um amigo que só me agrega conhecimentos."

No vizinho bairro União, o vendedor possui uma loja que dispõe de diversos artigos originais e antigos para o carro, inclusive com peças "mosca branca", expressão usada para designar peças raras. Os clientes afirmam que Zé é, sem dúvida, referência nesse mercado. "O Zé é um dos maiores conhecedores de Fusca do Brasil. Ele é dinâmico e seu atendimento é 100% confiável", afirma o funcionário público João Fernando Basdão, colecionador de três modelos, incluindo o último conversível Sulam 1994. Zé ainda possui uma loja virtual.

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