Benzedeira realiza cura espiritual dentro de shopping

O 5ª Avenida não é lugar apenas para fazer compras ou almoçar. Há 12 anos, em uma pequena sala do edifício, uma mulher recebe pessoas que querem cuidar do espírito e dar uma espiadinha no futuro

por Luciane Evans 23/05/2014 18:37

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João Carlos Martins/Encontro
Maria José Limma, baiana, atrai diariamente dezenas de pessoas ao Shopping 5ª Avenida: "Para benzer, não se pode cobrar nada" (foto: João Carlos Martins/Encontro)
No canto da sala, os orixás do Pelourinho. Estão ali Oxum, Oxossi, Iansã. Do outro lado, arruda, espada-de-são-jorge, alecrim. Sobre a mesa, os búzios e as cartas de tarô. Se para essa cena lhe veio à mente um terreiro, uma mulher mais velha e cheia de colares, caro leitor, esqueça! Esse universo místico e misterioso é comandado por Maria José Limma, de 46 anos. De calça jeans e camiseta, ela atende no 10º andar do Shopping 5ª Avenida. Maria José é baiana, benzedeira e seu dom atrai ao shopping dezenas de pessoas, todos os dias.

Saída do Recôncavo Baiano, chegou a Minas Gerais quando tinha 18 anos, para estudar. Trouxe consigo toda a crença e o misticismo de lá. Quando pequena, aprendeu a benzeção com as mulheres da sua família e, de tanto ver a mãe jogar búzios, iniciou-se no arremesso das conchas. Escondida do pai, que lhe cobrava empenho nos estudos, aprendeu também tarô.

Por tradição, Maria José é ainda contadora de histórias africanas e alfabetizou crianças em Contagem, na Grande BH. Casou-se com um mineiro, com quem teve quatro filhos. Formou-se em filosofia pela  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e se especializou em história da África, pela mesma universidade. Mas a vocação que a Bahia lhe deu falou mais alto. O conhecimento de encantamentos, do tarô e dos búzios atraiu os mineiros. “Lembro que o primeiro passo para isso foi a feira esotérica na praça Sete, onde montei uma tenda e comecei a atender. A partir daquele dia, meu telefone não parou de tocar.” Até que uma cliente a questionou por que não criava o próprio espaço.

Maria aceitou o desafio e procurou um espaço na região Centro-Sul. Ali estaria mais próxima de sua clientela, que em sua maioria morava na Savassi, Sion e Funcionários. Encontrou no  Shopping 5ª Avenida uma loja esotérica onde pôde, durante três anos, atender três  vezes na semana. “Mas não gostava de relacionar o serviço com a venda de produtos. Então, aluguei uma sala no edifício, onde estou há 12 anos.”  Hoje, ela ganha dinheiro lendo cartas e jogando búzios. São, geralmente, seis clientes por dia. A maior procura, no entanto, cerca de 20 pessoas diariamente, é pela benzeção. “Para benzer, não se pode cobrar nada”, avisa. Contra as dores físicas ou espirituais, o dom da baiana faz sucesso. E para ela significa prece, fé e humildade. “É dar ao outro leveza.”

Com ramos de arruda ou alecrim, que, segundo ela, espantam a energia negativa, ela faz suas preces como se tirasse do corpo do outro todo o peso da alma. É comum ela dar recados aos benzidos. “Há vezes em que escuto uma voz que me manda dizer algo quando benzo, e eu digo.” Dia desses, uma mulher a procurou para a bezenção e ela transmitiu o recado que uma voz lhe pedia para dar. “Disse a ela para não se preocupar, pois não tinha nenhum problema físico e que engravidaria naturalmente. Ela chorou e me contou que há tempos faz tratamento para ter um filho.” Maria não sabe explicar ao certo de onde vem essa sensibilidade. “É algo muito forte. Pode ser o anjo da guarda do outro falando comigo. É consciente e real”, acredita.

Todos os dias da semana, ela chega ao shopping às 9h e só vai embora às 21h. Nunca sai de casa sem acender uma vela ao seu anjo da guarda. “Benzedeiro tem de se cuidar. Tomo banho de sal grosso com pétalas e vou a cachoeiras. Sempre faço uma limpeza energética na minha sala.” Além dos adultos, ela benze crianças, que são levadas pelos pais, na maioria das vezes, aos sábados, quando Maria fica até as 15h em sua sala. Ela diz que tudo isso é a sua missão. “Quando benzo, sou porta-voz do milagre que o outro quer.” Que os anjos digam Amém!

Dicas de proteção

  • Tenha em casa violetas, pois elas trabalham a neutralização da energia

  • Cultivar a planta espada-de-são-jorge ajuda na proteção

  • Para quem tem crianças em casa, é bom ter mirra ou arruda, que absorvem as energias negativas

  • Banhos energéticos com pétalas de flores e sal grosso sempre fazem muito bem

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