Você sabia que os gatos também podem contrair Aids e leucemia?

Essas doenças já são conhecidas e temidas entre os homens, mas pouca gente sabe que elas também afetam os felinos. Porém, os vírus causadores das doenças nos bichanos são diferentes. Saiba mais!

por Fernanda Nazaré 02/06/2014 10:15

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A transmissão da leucemia e da Aids felinas se dá entre os próprios gatos, através da saliva e do sangue, respectivamente (foto: Freeimages)
A funcionária pública Gisele Marques adotou um gato com apenas dois meses de vida. Tudo ía bem, até que, quando trouxe uma cadelinha para casa, para fazer companhia para Raul Michel, ele começou a apresentar feridas no rosto. Ela achou que era devido a possíveis brigas entre os dois animais. "Além das feridas no rosto, notei que ele estava tendo uma leve perda de peso", lembra Gisele. Até então, seu gatinho sempre aparentou ser saudável. Foi então que deiciu levá-lo a uma clínica veterinária. O diagnóstico não poderia ser mais estranho: leucemia.

Essa doença é muito conhecida entre os humanos, mas pouca gente sabe que ela pode afetar também os felinos. "Fiquei arrasada. Ele é muito importante para mim e nunca imaginei que estivesse doente, já que sempre foi gordinho e de boa aparência", afirma a dona de Raul. De acordo com ela, o gatinho pode ter adquirido a doença da mãe, durante o parto. "Ela morreu pouco tempo depois de ele nascer. Além disso, o meu gatinho foi o único filhote que sobreviveu".

Há um ano, o gato de Gisele Marques passa por tratamento e está respondendo bem aos medicamentos. O pet, que hoje está com quatro anos, demorou para manifestar a doença, o que serve de alerta para quem também tem um bichano em casa. Outro ponto que se deve levar em conta é que a transmissão da leucemia felina se dá entre gatos que vivem juntos, especialmente entre os de mesma família, diz a médica veterinária especialista em felinos, Myrian Iser: "A doença é transmitida entre os bichos que lambem uns aos outros. Por isso, pode ser transmitida para os animais ainda novinhos".

Se essa doença típica dos homens, é uma novidade para muita gente, quando relacionada ao mundo dos felinos, imagine, então, quando se fala de outra, uma das mais severas entre os humanos, e que também acomete os gatos: a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Como a transmissão desse vírus é feita através do sangue, o mais comum é que ela afete os gatos que brigam, como explica a médica veterinária. A doença se instala quando os animais se machucam, mesmo que com pequenos arranhões. Tanto a leucemia quanto a Aids dos felinos não podem ser transmitidas às pessoas. Ou seja, não prejudica em nada a nossa convivência com os bichanos.

De acordo com a especialista, as duas doenças são específicas da espécie, mas apresentam sintomas semelhantes ao dos humanos: "São causadas por dois diferentes tipos de retrovírus, pertencentes ao gênero dos oncornavírus [leucemia felina, ou FeLV] e ao gênero dos lentivirus [imunodeficiência felina, ou FIV]. O FIV pertence à mesma família do vírus causador da Aids humana”, explica.

A FIV, ou Aids felina, é muito parecida com a dos humanos, pois a progressão dos problemas que gera no sistema imunológico do animal é mais lenta. Segundo a especialista, os gatos já serviram de base para várias pesquisas sobre a imunodeficiência humana.

Clínica Veterinária Gato Leão Dourado/Divulgação
A veterinária Myrian Iser e o gato Raul Michel, que está em tratamento constante contra a leucemia (foto: Clínica Veterinária Gato Leão Dourado/Divulgação)
Infelizmente, a FIV, assim como a Aids, não tem cura, e o único meio de evitar a transmissão do vírus é não deixar o animal ter contato com o sangue de outros felinos portadores da doença. A leucemia, ou FeLV, também não tem como ser revertida, mesmo com o tratamento. O bicho infectado deve evitar contato com outros gatos. Porém, existe uma esperança: a vacina contra a leucemia. "Pode ser aplicada a partir dos dois meses de vida e custa cerca de R$ 80", explica Myriam Iser.

A especialista afirma que a média de gatos no Brasil portadores da Aids felina é de 12%, e com leucemia são 40%. A estatística pode variar de acordo com a região, claro. Em Belo Horizonte, de acordo com uma pesquisa feita pela UFMG, em 2011, 48% da população felina na cidade era portadora da FeLV.

Saiba mais:

FeLV(vírus da leucemia felina)

  • Sintomas: a leucemia gera infecções secundárias, alterações hematológicas e até neoplasias (crescimento descontrolado de células). Outros sintomas são a perda de peso, atrofia muscular e alterações comportamentais.
  • Prevenção: vacina a partir de dois meses de vida
  • Expectativa de vida: três anos

FIV (vírus da imunodeficiência felina)

  • Sintomas: na fase inicial, caracteriza-se por febre, aumento dos gânglios linfáticos e de problemas com infecções intestinais e cutâneas por um período de 4 a 6 semanas após o contagio
  • Prevenção: evitar contato com outros gatos de rua
  • Expectativa de vida: 10 anos

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