A turma do grafite

Difícil não prestar atenção às mensagens e desenhos nas paredes grafitadas que se multiplicam pela Savassi

por Fernanda Machado 02/06/2014 17:29

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.


Samuel Gê/Encontro
Ataíde Miranda, Raquel Bolinho e Gud Assis: gerações e estilos diferentes que veem no spray uma ferramenta para deixar a cidade menos cinza (foto: Samuel Gê/Encontro)

Se tem algo que é fácil encontrar na Savassi é diversidade. Na moda, na cultura ou na arte, os mais variados estilos se misturam nas ruas abarrotadas de gente, carros e vigiadas por grandes edifícios. Os muros das residências e dos estacionamentos, muitas vezes grandes, ganham destaque quando cobertos pela arte de grafiteiros que chamam a atenção de quem passa com seus desenhos e mensagens. À vezes, o trabalho é encomendado por um empresário que deseja tornar sua fachada mais atraente, fugindo da tediosa propaganda. Em outras ocasiões, o spray aparece sem pedir licença, mas deixa um traço mais bonito em meio aos cinzentos edifícios. Para mostrar um pouco dessa galeria a céu aberto, Encontro selecionou alguns trabalhos de artistas que deixaram mais modernas e coloridas algumas ruas da Savassi.

Samuel Gê/Encontro
(foto: Samuel Gê/Encontro)

Com a proteção de São José

Ataíde Miranda, de 43 anos, começou a desenhar ainda criança, mas só reconheceu o valor de seus traços há pouco tempo, depois que uma professora de seu curso de design disse que ele tinha um dom. Ele acabou abandonando a faculdade e passou a deixar sua marca em várias ruas da capital. Foi na Savassi que tudo começou. “Fui chamado para fazer a fachada da boate Mary in Hell e aceitei. Eles gostaram tanto que disponibilizaram um espaço dentro da boate para eu fazer uma obra minha, do jeito que quisesse”, relembra. Um dos trabalhos de Ataíde que mais chama a atenção na Savassi é um painel de 12 m x 3 m feito na parede do posto de gasolina São José, na movimentada avenida Getúlo Vargas. O resultado de dois meses de trabalho é uma pintura cheia de elementos que se reúnem em volta da figura de São José.

Samuel Gê/Encontro
(foto: Samuel Gê/Encontro)

Desenho fofinho

O Bolinho, personagem do grafite representado pela figura colorida de um cupcake, já faz parte da cultura de BH. O que pouca gente sabe é que por trás de um dos grafites mais famosos da cidade está uma jovem que nem tinha o hábito de desenhar. Maria Raquel, de 28 anos, resolveu se aventurar com tinta e spray por causa do namorado, que é grafiteiro. A ideia inicial era criar um desenho simples, que pudesse ser pintado de várias formas. Hoje, o Bolinho faz sucesso e vai ganhar até site. Na Savassi, os que mais chamam a atenção foram grafitados no muro da lateral de uma cervejaria, na rua Professor Moraes. “Eu tinha uns esboços de Bolinhos que remetiam a obras famosas. Aí surgiu a ideia de fazer como se fosse uma galeria, por isso as molduras”, explica Maria Raquel.

Samuel Gê/Encontro
(foto: Samuel Gê/Encontro)

Realismo que inspira

A grande característica das obras de Gud Assis, de 32 anos, é o realismo. As figuras pintadas nos muros da cidade, com expressões profundas e bem traçadas, chamam logo a atenção de quem se depara com o trabalho do grafiteiro. Autodidata, Gud começou a grafitar aos 15 anos e foi desenvolvendo uma identidade. O processo para escolher onde pintar é bem orgânico. “Vou procurando um muro pela cidade e depois volto lá e pinto. A maioria dos desenhos, faço de forma “ilegal”, em lugares degradados ou abandonados”, afirma. Entre as suas obras que impressionam pela perfeição dos traços está o rosto de uma senhora pintado no muro de um restaurante na rua Fernandes Tourinho. A repercussão dos trabalhos na Savassi é importante para o artista. “Lá circula todo tipo de gente, do pobre ao rico, e quero levar cor e reflexões a todas elas. Faço de boa vontade para tentar também alegrar as pessoas.”

Últimas notícias

Comentários