Tereza Brant, um 'cara' como você nunca viu

A mineira, que ficou conhecida em todo o país por ter se transformado em homem, fala sobre o que mudou em sua vida após a fama, além, claro, de seus planos para o futuro

por Fernanda Nazaré 05/06/2014 09:55

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Mega Model BH/Divulgação
Tereza Brant era uma estudante, e por perceber que havia algo errado com seu próprio corpo, decidiu se transformar em homem (foto: Mega Model BH/Divulgação)
Ela é um fenômeno na internet, chegando a causar inveja em muitos cantores ou atrizes em princípio de carreira. São mais de 210 mil seguidores no Instagram, 190 mil  no Facebook e mais de 50 mil no Twitter. A mineira Tereza Brant começou a chamar atenção do público não apenas por ser um "cara" bonito. Ela tem a aparência de um rapaz, e gosta de ser chamada pelo nome de batismo, Tereza. Com apenas 21 anos, a ex-patricinha, que desde os 16 queria se tornar homem, só tomou a decisão de mudar a aparência em 2011. Sua explicação para isso é porquê nunca se sentiu à vontade naquele corpo, e, em 2013, começou a fazer terapia hormonal, além de "pegar pesado" na academia.

A cada dia que passa, Tereza Brant vai se tornando cada vez mais um homem chamativo e provocando histeria nas mulheres. Podemos até dizer que ela consegue sentir na pele um pouco do que passa na vida de um astro teen da música. Depois de aparecer como atração principal num programa humorístico de televisão, em rede nacional, a vida da então estudante mudou completamente. Deixou a escola de lado e sua agenda ficou cheia demais. São várias aparições em eventos, como presença VIP, além de trabalhar como modelo masculino e participar de cursos para ingressar no meio artístico.

Conversamos com a mineira de 1,65 m, 92 cm de busto, 78 cm de cintura e que calça 38, para saber como foi a mudança em sua vida, e quais são seus planos para o futuro. Conheça a menina que lutou contra o preconceito, teve apoio da família e, hoje, aproveita a fama que o destino lhe reservou:

Revista Encontro - Como foi sua reação ao perceber que todo mundo lhe reconhecia na rua?
Tereza Brant - A primeira vez que percebi que coisas diferentes passaram a acontecer em meu cotidiano, foi quando um número gigante de pessoas começou a me seguir nas redes sociais, a comentar, a curtir o que eu publicava. Principalmente no Facebook. Achei um pouco estranho, mas logo fui entendendo e me apegando a essa forma de carinho que os fãs me transmitem.

A fama lhe surpreendeu muito cedo, quando ainda frequentava a escola. Você pretende concluir os estudos?
Bem, sempre tive uma vida organizada, e quando se fala em educação, nunca deixei nada a desejar. Neste ano, pretendo concluir o ensino médio fazendo a prova do Enem, e ingressar numa faculdade. Pretendo prestar vestibular para medicina veterinária, pois sempre tive paixão por animais de pequeno e de grande porte. Ultimamente tenho estudado muito, além de trabalhar para uma agência de modelos. Faço ainda curso de cinema, teatro e fotografia. Me dedico integralmente a tudo que faço, tanto na rotina quanto no descanso.

Instagram/Tereza Brant/Reprodução
A modelo Sabrina Sato posa com Tereza Brant, após sua participação no programa humorístico que a revelou para o país e o mundo (foto: Instagram/Tereza Brant/Reprodução)
Instagram/Tereza Brant/Reprodução
A menina da foto é Tereza Brant, com 8 anos de idade (foto: Instagram/Tereza Brant/Reprodução)
Você chamou a atenção de homens e mulheres. O assédio masculino lhe surpreende? Você já passou por alguma situação inusitada?
(risos) Essa questão do assédio, tanto masculino quanto feminino, sempre me arranca muitas gargalhadas, pois são situações curiosas. Uma vez, achei um tanto curiosa a forma com que um fã tentou chamar minha atenção. Estava indo para a academia junto com uma amiga quando, de repente, um menino pulou na nossa frente gritando: 'TEREZA TIRA UMA FOTO COMIGO?!'. Mesmo tendo me assustado, com o grito, consegui acalmá-lo e tirei a foto. Tudo acabou bem.

Como é sua relação com os fãs? Você interage muito com eles pelas redes sociais?
Sempre tento, de alguma forma, ficar mais próxima deles, seja através de alguma frase ou pensamento que posto no Facebook, quando descubro quem se identifica com a minha forma de pensar, seja tirando fotos e publicando no Instagram, e até mesmo conversando em grupos do WhatsApp.

Qual é a parte legal de ser reconhecida pelas pessoas, e qual é o lado ruim da fama?
O melhor de ser reconhecido é a sensação de fazer algo bom por você e pelos outros. A partir do momento em que um número grande de pessoas se identifica com você e passa a admirá-lo, começamos a acreditar, realmente, que o carinho e o reconhecimento são merecidos. Acho que não existe uma parte chata na fama. Opiniões contrárias precisam ser aceitas e respeitadas.

No seu Instagram existem fotos suas com vários famosos. Qual deles lhe chamou mais a atenção? Você tem algum ídolo que gostaria de conhecer pessoalmente?
Sim, conheci bastante gente nova e me surpreendi em relação a todos. Sem dúvidas gostei mais da modelo Sabrina Sato, por sua personalidade e pelo carisma, que são fora do comum. E quem eu gostaria de conhecer, de perto, é o ex-jogador de basquete americano Michael Jordan, que é meu exemplo de superação, de foco e de força de vontade.

Atualmente você trabalha muito com presença VIP em eventos, inclusive em Manaus. Como é a recepção dos fãs de outros estados? Em que região eles são mais "assanhados"?
A recepção dos fãs é algo incrível, mas nem sempre acontece, pois meus horários são muito extremos. Às vezes saio cedo demais, às vezes tarde demais, e nem sempre eles conseguem ter acesso a mim. Se for pra classificar como "fã mais sem vergonha", com certeza daria o troféu para os brasilienses, pois, em comparação com os mineiros, nós temos toda a timidez que o pessoal de Brasília não tem.

Os homens ficam enciumados por você tirar chamar a atenção de suas mulheres?
Sou obrigada a confessar que fãs do sexo masculino não são o meu forte. Mas a maioria deles me respeita e sempre me elogia, mesmo que de uma forma acanhada.

Quando você percebeu que não se identificava mais com seu corpo de mulher?
Não foi bem por aí. O que se passou comigo, e que acho ser frequente com muitas pessoas, atualmente, é perceber algo "diferente" em relação a si mesmo. É perceber que algo fora do "comum" lhe atrai, e sair em busca de respostas a partir de uma única pergunta: "quem sou eu?"

Depois da sua transformação física, como seus amigos e sua família reagiram?
Meus amigos e familiares sempre reagiram bem a tudo que fiz. Só os parentes que não me viam há algum tempo se assustaram quando tivemos o primeiro reencontro.

Você faz a terapia hormonal há quanto tempo? Pretende realizar alguma intervenção cirúrgica?
Faço tratamento há quase um ano e meio, e a única cirurgia que ainda quero fazer é uma plástica, para retirada do restante da pele que ficou na região dos seios.

É verdade que você tem o apelido "Bê". De onde surgiu?
Sim, esse é um dos vários apelidos carinhosos que recebi de meus amigos. E é devido a uma brincadeira que sempre faço, e que tem a ver com gênero. Meus amigos olham pra mim e falam "acho q você tem cara de..." e dizem um nome masculino. Um dia uma amiga falou que eu tinha cara de Bernardo, por isso ganhei o apelido de Bê.

Quais lugares você costuma frequentar em Belo Horizonte?
As pessoas geralmente podem me encontrar nos bairros em que realizo algum tipo de atividade. Diria que a Savassi e o Buritis são meus "points" preferidos.

Para quem se identifica com sua história, o quê você teria a lhe dizer?
Nunca julgue um livro pela capa. Se você não conhece nem a si mesmo, por completo, imagine o outro. Paciência é uma virtude pra poucos.

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