Um mineiro na Segunda Guerra Mundial

Há 70 anos, a Força Expedicionária Brasileira desembarcava na Itália para lutar contra as tropas alemãs. Ex-soldado, que mora em BH, relata suas memórias

por Marcelo Fraga 06/06/2014 18:24

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CPHOM/Robert F. Sargent/USCG/Divulgação
Uma das cenas mais emblemáticas do desembarque das tropas aliadas na costa da Normandia, na França, há 70 anos (foto: CPHOM/Robert F. Sargent/USCG/Divulgação)
Em 6 de junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de combatentes dos chamados Países Aliados – coalisão formada pelos Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido – chegavam à região da Normandia, no litoral norte da França, para um grande plano de ataque contra as tropas do ditador alemão Adolf Hitler, que, naquele momento, dominavam grande parte da Europa Ocidental. Considerado um marco para as ações que colocaram fim à guerra, o dia do desembarque foi chamado de Dia D.

Quase um mês depois dessa data histórica, em 2 de julho de 1944, foi a vez dos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) chegarem à Europa, desembarcando na cidade italiana de Nápoles, onde se uniram à força aliada. Até 1942, o Brasil não tinha se posicionado sobre o conflito mundial. Só então, sob a pressão dos Estados Unidos, cortou relações com os países do chamado Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Entre os combatentes enviados à Itália, podíamos encontrar muitos mineiros, como o belo-horizontino Geraldo Campos Taitson, que, à época, tinha apenas 20 anos. Hoje, aos 93, o ex-tenente mantém vivas em sua memória as lembranças das batalhas travadas contra os soldados alemães. "Na região de Monte Castello [norte da Itália], participei do primeiro embate, e, nesse momento, pude sentir as dificuldades iniciais da guerra", lembra. Taitson conta ainda que foram necessários cinco ataques para que a tropa brasileira dominasse a região. A batalha de Monte Castello é uma das mais famosas da Segunda Guerra, e se arrastou por três meses, entre os anos de 1944 e 1945.

Cláudio Cunha
O ex-tenente Geraldo Campos Taitson (centro) com os colegas e ex-combatentes da FEB Divaldo Medrado e Joel Lopes (foto: Cláudio Cunha)
Reprodução/Cláudio Cunha
Clique para ampliar e ver o mapa das operações da FEB na Itália, na Segunda Guerra Mundial (foto: Reprodução/Cláudio Cunha)
Antes de se tornar um soldado da FEB, Geraldo Campos Taitson era um jovem funcionário da prefeitura de Belo Horizonte. Foi convocado pelo exército brasileiro – juntamente com outros reservistas –  assim que nosso país, em 1942, declarou guerra à Alemanha, que nesse ano, havia afundado um navio mercante brasileiro e vitimado 270 tripulantes. Segundo o ex-combatente, ele ouviu, pelo rádio, que o país estava convocando os reservistas e, no dia seguinte, se apresentou no 10º Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte. "Fiquei muito surpreso e receoso, quando recebi a convocação, mas todo ser humano precisa superar seus medos", diz.

Quase dois anos depois da convocação, já em 1944, os soldados brasileiros finalmente se transferiram para a cidade do Rio de Janeiro, última parada antes do embarque para a Europa. Segundo Taitson, esse foi o período mais complicado no pré-guerra. "Recebemos um treinamento muito forte, uma verdadeira simulação de batalha", recorda o ex-funcionário público. Finalmente, no dia 18 de junho, a Força Expedicionária Brasileira seguiu para a Itália, em um navio norte-americano. A viagem durou 14 dias e teve como destino a cidade de Nápoles, sul do país.

Batalhas

Após o primeiro embate, em Monte Castello, os soldados da FEB seguiram dominando outras regiões da Itália, até chegarem à fronteira com a França, onde terminaria a missão brasileira. Entre os inúmeros confrontos, o mineiro Geraldo Campos Taitson destaca a mais violenta batalha, realizada entre os dias 14 e 17 de abril de 1945: "Na cidade de Montese, após um ataque dos alemães, presenciei a morte de vários amigos, e fui ferido por estilhaços de um morteiro. Mesmo com os ferimentos, não desisti de lutar, porque queria ajudar meus companheiros restantes na linha de frente". Essa disputa entre as tropas da Alemanha e do Brasil, em Montese, deixou 223 mortos e 207 feridos, entre soldados e moradores da cidade.

Terminada a missão brasileira na Itália, após quase um ano na Europa, a FEB retornou ao Brasil e Taitson reassumiu seu cargo na prefeitura de Belo Horizonte. Em seguida, prestou concurso público na esfera federal e, após alguns anos, aposentou-se. Hoje, vive em BH e ajuda a cuidar do museu da Força Expedicionária Brasileira, localizado no bairro Floresta, região leste da capital mineira.

Para a professora Carla Ferretti, do departamento de história da PUC Minas, o Brasil entrou tardiamente na guerra, e isso se deu num momento em que o exército alemão já estava em processo de rendição. Segundo ela, mesmo que os conflitos na Europa estivessem próximos do fim, a participação da FEB na Segunda Guerra é de grande importância para a história e pode ser considerada vitoriosa: "A missão dos militares brasileiros era render as tropas que ainda dominavam parte da Itália. É sabido que não houve um treinamento adequado, e mesmo assim, nossos soldados obtiveram sucesso".

Museu

Para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a história das tropas brasileiras que lutaram na Segunda Guerra Mundial, vale visitar o Museu da FEB, que fica em Belo Horizonte (av. Francisco Sales 199, Floresta). Ele funciona de segunda a sexta, das 13h30 às 17h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (31) 3222-8021.

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