BH já está com clima seco de inverno, antes mesmo da chegada da nova estação

Consequência da ausência de chuvas mais significativas e de frentes frias secas, o ar sem umidade ainda se torna mais nocivo, por se misturar à poluição atmosférica. Saiba como evitar as doenças típicas desta época

por Fernanda Nazaré 10/06/2014 10:07

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Beto Novaes/EM/D.A Press
Nesta época do ano, BH sofre com a baixa umidade do ar, que se soma à poluição, e deixa muita gente com problemas respiratórios (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Olhos ardendo, ressecamento das mucosas nasais e da pele. Estes são alguns dos principais sintomas da baixa umidade do ar. No próximo dia 21, o inverno chega, oficialmente, mas o clima típico da estação mais fria do ano já pode ser sentido na capital mineira. Chuvas cada vez mais espaçadas, e aumento no atendimento hospitalar devido a doenças respiratórias causadas pela secura do ar mostram que, desde maio, Belo Horizonte já está vivendo as características da próxima estação.

As temperaturas que chegam a 25°C durante o dia e a sensação de frio à noite podem ser sentidas há mais de um mês em BH, de acordo com o meteorologista da PUC Minas TempoClima, Heriberto dos Anjos. "Em um dia típico desta época do ano, com a temperatura em torno de 28°C, a umidade relatividade do ar fica em 30%, o que é considerado normal para o inverno. Isso, apesar de estarmos a mais de uma semana da entrada da nova estação", explica.

Não há previsão de chuva em BH até dia 14 de junho, e os dias devem registrar umidade em torno de 30%. Chuva recorrente só em outubro. Ainda segundo o especialista, esse baixo nível de água no ar pode ser considerado estado de atenção, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) – veja quadro. A capital mineira já chegou a registrar umidade relativa de apenas 15%, ou seja, os outros 85%  componentes do ar eram partículas sólidas como monóxido de enxofre, gás carbônico e outras substâncias prejudiciais à saúde. Para se ter uma ideia, no deserto do Saara, no norte da Àfrica, a umidade gira em torno de 15%.

As maiores vítimas do tempo mais seco são as crianças e os idosos. De acordo com a pediatra e diretora do Hospital Infantil João Paulo II, Helena Maciel, quanto menor a umidade do ar, mais fácil é a propagação de vírus que causam problemas respiratórios. "Em maio, tivemos o pico de dissipação de patógenos, aumentando o número de internações devido às doenças que causam nas vias respiratórias", diz. Nesse mesmo período, no ano de 2012, foram 3.087 atendimentos pelo mesmo problema, no hospital infantil, e, no ano passado, houve uma ligeira queda, chegando a 2.955 casos.

A época do ano em que a capital mineira fica com a umidade relativa do ar mais baixa compreende os meses entre maio e setembro. O período mais crítico, porém, e que se deve à falta de chuva, é agosto, quando se registra apenas 13 mm de precipitação. Para se ter uma ideia, em dezembro, considerado um mês chuvoso, a média é de 320 mm, de acordo com o meteorologista Heriberto dos Anjos.



Sem "refresco"

Em meados da década de 1920, Belo Horizonte já foi apelidada de "cidade jardim", devido à alta arborização e à sua altitude mais elevada. A cidade era considerada uma referência para tratamentos de doenças respiratórias, como tuberculose e pneumonia, por ter sido construída dentro dos modernos conceitos de salubridade da época.

Várias doentes se mudavam para a capital, acreditando de que poderiam se curar apenas com as propriedades do clima fresco proporcionado pela cidade planejada. Atualmente, o cenário é outro. A poluição do ar em BH é equiparada a de grandes metrópoles, muito em função de seu crescimento desordenado e pela falta de adequação do espaço verde, como explica o meteorologista Heriberto dos Anjos. Ainda segundo o especialista, a solução para quem quer respirar um ar de melhor qualidade seria se mudar para cidades da região metropolitana, como Brumadinho e Sarzedo. "Não é possível, mais, que BH volte a ser uma cidade jardim. É até preocupante, já que a capital concentra mais de um milhão de automóveis, chegando a quase metade de sua população. O clima seco, somado à poluição atmosférica, contribui para a péssima qualidade do ar", completa.

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