Lábio leporino e fenda palatina também atingem cães e gatos

Cruzamento entre indivíduos da mesma família é um dos motivos para se ter descendentes com esses defeitos genéticos, que são raros e podem levar à morte do animal

por Fernanda Nazaré 20/06/2014 09:14

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Arquivo Pessoal/Divulgação
A empresária Silvana Marcellini (esquerda) lutou para que seu cãozinho Chico conseguisse superar o problema da fenda palatina (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Chico, um filhote recém-nascido da raça schnauzer, chegou como um presente de aniversário. É o que conta sua dona, a empresária mineira Silvana Marcellini, de 60 anos, que também é cuidadora voluntária de animais resgatados pelo Ibama. Seu novo amigo, porém, tinha um problema sério, e a dedicação da empresária veio a ser sua única chance de recuperação. "Os cães de uma amiga cruzaram e, dos três filhotes, um nasceu com a fenda palatina. O problema é que os animais eram da mesma família [pai e filha]. Eu queria salvar o Chico, mas não sabia o que fazer. Quando ele mamava, o leite ia para o pulmão, e os veterinários já o tinham desacreditado", conta Silvana.

Seu schnauzer nasceu com uma deformação genética, a fenda palatina, que é uma abertura no céu da boca, o que deixa a cavidade oral e o aparelho nasal em contato direto. Outro problema comum em humanos que também afeta cães e gatos é o lábio leporino. Neste caso, os lábios superiores se unem à base do nariz, o que pode comprometer dentes, gengivas, maxilar e parte do próprio órgão respiratório.

De acordo com o médico veterinário Manfredo Werkhauser, a ocorrência em cães e felinos não é tão comum. "Geralmente, é registrado um caso para cada mil partos, e não existe uma raça específica que sofre mais com esse problema", explica o especialista. Ainda segundo ele, a maioria das ocorrências é por um problema genético de consanguinidade, ou seja, quando o cruzamento se dá entre animais da mesma família.

A chance de sobrevivência de indivíduos com essa alteração genética "é complicada", como afirma o veterinário. O filhote não consegue sugar o leite da mãe, já que não há o céu da boca (palato superior) para fazer pressão contra a língua. Outro risco é o alimento seguir direto para o sistema respiratório. O problema é que a cirurgia para correção da fenda ou do lábio leporino só pode ser feita em filhotes com mais de três meses de vida. Até esse momento, o animal recém-nascido deve ser alimentado por sonda, para ter chance de sobreviver enquanto aguarda o procedimento cirúrgico.

O cãozinho Chico lutou, com a ajuda de sua dona, para enfrentar sua grave deformação. Ao todo, foram sete cirurgias corretivas, e ele só começou a se alimentar sem a sonda aos três meses de vida. "Ele comia só papinha, e na minha mão. Era uma verdadeira vitória", lembra Silvana Marcellini. Hoje, o schnauzer ainda apresenta uma pequena abertura no céu da boca, mas nada que o impeça de ter uma vida normal: come ração comum e consegue até roer os ossinhos que previnem o tártaro.

Em alguns casos, a fenda palatina corre o risco de se romper novamente. "É uma região com pouco tecido. A vida de um animal assim é muito sofrida", diz o veterinário Manfredo Werkhauser. A única maneira de se evitar que os filhotes nasçam com lábio leporino ou fenda palatina, segundo o especialista, é selecionando o casal reprodutor, que devem ser, preferencialmente de famílias diferentes e sem histórico genético dessas falhas.

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