Tricotilomania: quando arrancar o cabelo vira doença

O transtorno psicológico que leva a pessoa a se mutilar e arrancar os próprios fios tem várias causas, incluindo depressão e baixa autoestima

por Da redação com assessorias 28/06/2014 12:26

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Maurenilson Freire/CB/D.A Press
(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
Quem nunca se pegou arrancando os cabelos diante de uma situação de extrema ansiedade e nervosismo? O problema é quando esse ato se torna repetitivo, transformando-se em um distúrbio psicológico, conhecido como tricotilomania. Descrita como doença em 1889 pelo dermatologista francês François Hallopeau, a tricotilomania foi mais divulgada a partir da década de 1990, já no fim do século XX, devido ao aumento de fatores estressantes do mundo moderno. Pessoas que sofrem com esse transtorno arrancam os fios de cabelo de forma impulsiva, enrolando os fios no dedo para depois puxá-los. Nos casos mais graves, acabam ficando calvas ou com grandes falhas no couro cabeludo. A doença pode afetar até 4% da população, sendo mais propensa em mulheres.

Entre as possíveis causas podem ser citadas o início do ciclo menstrual na adolescência, dificuldades de relacionamento social no trabalho ou na escola, além de situações familiares como divórcio, morte ou doença de um ente, nascimento de um irmão, mudanças na dinâmica familiar, como um novo endereço, entre outros.

Além de causar um sofrimento significativo, a tricotilomania pode gerar na vítima outras consequências, como o hábito de comer os fios arrancados, conhecido como "síndrome de rapunzel", uma doença gastrointestinal, além de erosão dental e infecções de pele. De acordo com Ana Tompa, personal hair – especialista no cuidado com os cabelos –, as vítimas sabem que esse comportamento não é saudável, mas não conseguem resistir ao impulso, que pode surgir na infância ou adolescência e durar por toda vida, acarretando calvície precoce. “É comum que pessoas com esse transtorno tentem esconder as consequências, utilizando acessórios como chapéus, bonés ou ainda implantes e perucas. Além disso, há uma tendência em evitar situações em que a perda do cabelo seja exposta, como nadar, dançar e exercitar-se, o que gera, em muitos casos, isolamento social”, esclarece.

O principal tratamento para a tricotilomania é a terapia comportamental, envolvendo equipes de saúde multidisciplinares, como médicos e psicólogos. Às vezes também é necessário o uso de medicamentos. Uma vez vencido os traumas, há chances de os fios de cabelo voltarem a crescer. Contudo, o processo é demorado, principalmente quando os cabelos foram arrancados pela raiz. Uma estratégia é recorrer às próteses capilares ou as perucas autoaderentes, até que os fios cresçam no lugar. Ana afirma, porém, que a estética é o último passo para os indivíduos que desejam deixar para trás as marcas do problema “Quem consegue resolver os transtornos emocionais que levam a doença pode usar prótese capilar, ou as chamadas micropeles, no lugar onde os fios foram arrancados. Depois disso, 99% dessas pessoas conseguem recapilarizar o couro cabeludo. Nosso trabalho para vítimas da tricotilomania é feito em local tranquilo, com música ambiente, atendimento personalizado, em salas individuais e com muito profissionalismo . Assim, podemos resgatar a autoestima da cliente, além da imagem, com a recuperação do cabelo”, completa.

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