Para especialista, erro de execução deve ser a causa do colapso do viaduto na Pedro I

Com 22 feridos e pelo menos dois mortos, queda da estrutura que estava sendo construída sobre a avenida, próximo ao Parque Lagoa do Nado, não deve ter tido problema no projeto, e sim, durante a concretagem

por João Paulo Martins 03/07/2014 19:25

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Divulgação
O viaduto caiu sobre dois caminhões, um carro e parte de um micro-ônibus, ferindo 19 pessoas e matando uma (foto: Divulgação)
Em plena Copa do Mundo, as atenções da mídia e da população de Belo Horizonte – bem como de todo o país – se voltam para a queda de um viaduto na avenida Pedro I, próximo ao Parque Lagoa do Nado, na região norte da capital. A obra, que faz parte de um novo complexo viário, que inclui o sistema de transporte BRT/MOVE, se iniciou em 2011, ainda não estava finalizada e veio abaixo na tarde de quinta-feira, dia 3 de julho.

A secretaria de estado da Saúde confirmou a morte de duas pessoas, soterradas pelo concreto. Outras 22 ficaram feridas: 12 foram levadas para o Hospital Risoleta Neves; duas para o Hospital Odilon Behrens; outras quatro foram direcionadas para a UPA Venda Nova e para a UPA Pampulha; quatro feridos foram atendidos no local. Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), ao menos três veículos ficaram debaixo da estrutura que caiu, sendo dois caminhões, sem ocupantes, e um Fiat Uno, que ainda não foi acessado pela equipe de resgate. Além disso, a parte frontal de um micro-ônibus também foi amassada pelo escombro, o que acabou matando a motorista. De acordo com o tenente-coronel Edargd Estevo, do CBMMG, o viaduto será dividido em partes, para facilitar o resgate dos veículos que ficaram debaixo dele.

Para a arquiteta e urbanista Fernanda Gerken, o problema que levou ao colapso da obra deve ter ocorrido durante sua execução. Ela explica que não é possível saber ao certo, mas a partir da análise das fotos que estão sendo divulgadas, o concreto se apresenta fissurado, o que pode ter sido causado por falta de ferragens em sua estrutura. "Não acredito em falha no projeto ou erro de cálculo. O problema deve estar ligado à feitura do viaduto, durante a concretagem", diz. A especialista ainda lembra que a obra chegou a ser paralisada por um tempo, possivelmente para correção de alguma falha, sendo retomada mais tarde. "Só uma análise no local pode dar a certeza do que levou ao colapso", conclui.

Heitor Antonio/Encontro Digital
Clique e confira o local do acidente (foto: Heitor Antonio/Encontro Digital)
Em nota à imprensa, a construtora responsável pelas obras viárias na Pedro I, Cowan, diz que "lamenta profundamente o ocorrido com o viaduto", e que "a prioridade é o apoio às vitimas e aos familiares". A empresa também enviou uma equipe técnica ao local, para iniciar as investigações sobre o que levou ao acidente. E ainda, a empresa está preparando o escoramento do segundo viaduto, por segurança.

Quem também lamentou o fato, que considerou "tragédia", é o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais, em nota à Encontro: "lamentamos profundamente pelas mortes ocorridas e transmitimos os pesares aos familiares das vítimas. O Crea afirma que está em fase de levantamento para apuração dos fatos e tomará as devidas providências conforme a legislação".

O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, concedeu entrevista coletiva no local do acidente. Ele também se diz comovido com as vítimas e seus familiares, e informa que decretou luto de três dias na cidade: "Já fizemos a contagem dos operários da obra, e não tivemos perda de nenhum deles. Estamos identificando as vítimas, para que tenham a assitência necessária. No futuro, depois de tudo apurado, conseguiremos descobrir qual foi o erro no projeto". Segundo ele, deverá ser instaurado também um inquérito judicial, e o viaduto será demolido o quanto antes, para liberar  trânsito no local. "Uma construção como essa teve seu projeto acompanhado pela prefeitura. Não o fizemos, mas a empresa responsável é renomada, de muita tradição. Temos que aprender com essa lição", completa.

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