Para Zico, CBF não ajuda o futebol no Brasil

O ex-jogador e craque do Flamengo faz duras críticas à Confederação Brasileira de Futebol, que considera uma "arrecadadora" de dinheiro

10/07/2014 16:27

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Tomaz Silva/Agência Brasil/Divulgação
O ex-jogador Zico critica o cenário do esporte no Brasil: "A politica atual não está sendo benéfica ao futebol brasileiro" (foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Divulgação)
"A Confederação Brasileira de Futebol [CBF] não faz nada pelo esporte no país", diz o ex-jogador Zico. O ídolo do Flamengo e da seleção brasileira criticou duramente a CBF por não apoiar os clubes  na formação e manutenção de atletas no país, inclusive financeiramente. "A CBF só usufrui dos nomes dos jogadores, arrecada, tem não sei quantos patrocinadores, mas não faz nada para melhorar o futebol brasileiro", afirmou o jogador, no Rio de Janeiro.

Para Zico, um dos maiores problemas do futebol brasileiro é a ausência de escolas de formação de atletas e condições para o país reter talentos, desafios que recaem sobre os clubes. Segundo ele, a CBF, além de não auxiliar os times nessas tarefas, tira proveito. “É muito fácil um clube sofrer, passar cinco anos preparando jogador e a CBF vai, pega, leva para seleção dela, é campeã da [categoria] sub-17 e sub-18, mas não deu uma ajuda sequer ao clube”, critica.

Ex-jogador de três copas, Zico disse que jovens atletas devem ter o direito de buscar melhores condições de vida no exterior, mas, em defesa do esporte nacional, os clubes no Brasil devem ser fortalecidos pela entidade. “Ninguém pode impedir o direito do jovem, mas a CBF podia ajudar os clubes, fazer com que tivessem mais poder”, completa. Para ele, se criou um mito de que é preciso jogar em times europeus, “como se o futebol brasileiro não fosse importante”.

Para reverter o quadro, Zico defende que os próprios clubes, que escolhem a diretoria da CBF, opinem sobre o uso dos recursos da organização. “A politica atual não está sendo benéfica ao futebol brasileiro, mas aos clubes europeus. E a CBF senta na cadeira, muito cômoda. A hora que precisa, traz os jogadores, não paga nada. Lamento profundamente que os clubes estejam comprometidos com a eleição do presidente, mas não tenham o apoio que deveriam ter”.

Zico também criticou a ausência de cursos para comissão técnica; a escolha de jogadores de base por características físicas, em vez do talento; e a ausência de torcedores nos estádios. "O Brasil é tido como país do futebol, mas tem 7 mil, 8 mil pessoas [por jogo] nos estádios. A Alemanha tem 40 mil, 50 mil, 60 mil. Quer dizer, que país do futebol é esse?", questiona. “Os clube estão enfraquecidos, os melhores jogadores não estão aqui”, justifica, sobre o baixo comparecimento do público.

Procurada pela reportagem, a CBF não quis comentar as declarações do ex-jogador.

(com Agência Brasil)

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