Avião da Malaysia Airlines cai entre a Rússia e a Ucrânia

Segundo especialista, tudo indica que a aeronave teria sido abatida a partir de míssil lançado do solo, já que não existe problema técnico conhecido que seja capaz de explodir um aparelho em pleno ar. Presidente Obama também insiste nessa teoria

por João Paulo Martins 17/07/2014 15:05

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Inforesist.org/Reprodução
Imagem que circula na internet seria do suposto local da queda do avião Boeing 777 da Malaysia Airlines, próximo à fronteira entre a Ucrânia e a Rússia (foto: Inforesist.org/Reprodução)

Pouco mais de quatro meses após o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines, com 239 pessoas a bordo, que seguia de Kuala Lumpur, capital da Malásia, para Pequim (China), outro avião da empresa aérea malaia sofre um acidente. Desta vez, o Boeing 777, transportando 295 pessoas, saiu de Amsterdã, na Holanda, em direção a Kuala Lumpur, e caiu na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. A atenção do mundo se voltou para uma motivação política, já que esses dois países europeus estão sob tensão, desde que, no início do ano, foi realizado um plebiscito que deu a independência à república autônoma da Crimeia, que fica na região leste da Ucrânia, e sua população é maioritariamente russa.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que ainda é cedo para dizer quem causou a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines. No entanto, Obama acrescentou que  as informações existentes lhe dão confiança para afirmar que um míssil disparado de um território controlado por separatistas pró-Rússia atingiu a aeronave. Ele criticou a falta de atitude dos russos em busca de paz na região.

"A Rússia tem o poder de levar os separatistas para uma posição diferente, tem a maior parte do controle sobre essa formação, mas até o momento preferiu não exercer", critica Obama em pronunciamento à imprensa na Casa Branca. O presidente destacou que, sem o apoio do governo russo, os separatistas não teriam a artilharia disponível, que já derrubou aeronaves militares, e poderiam negociar um rearranjo político na Ucrânia.

No dia do "acidente", o presidente ucraniano Petro Poroshenko chegou a declarar à imprensa, que o fato seria investigado imediatamente. "Não descarto a possibilidade de o avião ter sido abatido", diz o chefe de estado. O  primeiro ministro malaio, Najib Razak, também se mostrou chocado com o acontecimento, e em seu perfil do Twitter,  escreveu que também iniciaria uma investigação.

Twitter/FlightRadar24/Reprodução
Captura da tela do site Flight Radar 24 mostra a última localização do voo MH17 da Malaysia Airlines, sobrevoando a Ucrânia, próximo a Donetsk (foto: Twitter/FlightRadar24/Reprodução)


Logo após o possível acidente, a opinião pública mundial começou a analisar a teoria de terrorismo, ou seja, o Boeing 777 teria sido abatido. Em entrevista  por telefone a uma emissora americana, Andrei Purgin, representante da República Democrática de Donetsk, um grupo separatista ucraniano, negou que os rebeldes sejam responsáveis pela queda do avião. Ele explica que o grupo não possui armamento antiaéreo capaz de abater uma aeronave que esteja voando acima dos 4 mil metros – de acordo com o site Flight Radar 24, o voo MH17 da Malaysia Airlines estaria a 10 mil metros de altitude. "Nós não temos capacidade técnica para acertar um avião nessa altura",  explica o líder rebelde, que diz ainda que o voo estava sobrevoando uma área de operações militares do governo ucraniano.

Um áudio de uma suposta conversa entre militantes rebeldes, sobre a queda do avião, chegou a ser divulgado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia. Apesar de não ter a autoria comprovada, é possível entender, através de legendas em inglês, que um míssil teria sido direcionado a um alvo tido como militar, mas que, na verdade, era a aeronave malaia. Os envolvidos na conversa percebem o erro, ou seja, que haviam atingido um voo civil.

Diversas fotos com possíveis destroços da aeronave circulam pela internet, aumentando os indícios de que o aparelho teria explodido em pleno ar. "Com certeza essas imagens são verídicas. Acho que o avião pode ter sido abatido por míssil lançado da terra. Ninguém cria uma arma para acertar um alvo apenas até 4 mil metros de altitude", diz Rogério Botelho, coordenador do curso de engenharia aeronáutica da Fumec.

Segundo o especialista, o voo não poderia ter sido interceptado por algum caça, já que isso não teria passado desapercebido por radares, satélites e mesmo pela população da região. "É muito cedo para deduzirmos o que pode ter ocorrido, mas a falta de informações nos faz crer que a aeronave tenha sido abatida", completa. Para o professor de engenharia aeronáutica, não existe nenhum problema técnico conhecido num avião que possa explodí-lo em pleno ar, ou mesmo fazê-lo cair, sem que o piloto tivesse tempo de usar o sistema de emergência.

De acordo com Huib Gorter, vice-presidente da Malaysia Airlines, ao menos 154 holandeses, 27 australianos, 23 malaios, 11 indonésios, 6 britânicos, 4 alemães, 4 belgas, 3 filipinos e 1 canadense estavam a bordo do voo MH17.

Confira abaixo os vídeos que teriam sido filmados após a queda do avião da Malaysia Airlines:

 



Últimas notícias

Comentários