Ministério Público quer banir M.Officer do mercado por usar trabalho escravo

A fiscalização dos procuradores do trabalho na sede da M5, proprietária da marca, flagrou funcionários estrangeiros em condições precárias e análogas à escravidão

25/07/2014 09:40

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MPT-SP/Divulgação
Os funcionários da unidade fabril da M.Officer estariam fazendo 14 horas de jornada de trabalho (foto: MPT-SP/Divulgação)
A marca M.Officer, criada pelo renomado estilista brasileiro Carlos Miele, pode ser banida do mercado brasileiro a pedido do Ministério Público do Trabalho em São Paulo, em razão do uso de trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da empresa M5 Indústria e Comércio, detentora da grife.

Uma ação civil pública, ajuizada no dia 15 de julho, exige o pagamento de indenização de R$ 10 milhões e a aplicação da Lei Paulista de Combate à Escravidão. A legislação, aprovada no ano passado, prevê a cassação do registro do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e impede que proprietários exerçam atividades no mesmo ramo ou abram nova empresa no estado de São Paulo por dez anos.

Seis fiscalizações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego em conjunto com o Ministério Público, a Defensoria Pública da União e a Receita Federal deram origem à ação. Dutante as diligências, foram encontradas condições degradantes, como fiação exposta de máquinas, botijões de gás, banheiros coletivos com forte odor de urina, poeira excessiva, falta de iluminação, ausência de equipamento de proteção individual e de extintores de incêndio. Além disso, os trabalhadores, na maioria imigrantes, moravam no próprio local e recebiam de R$ 3 a R$ 6 reais por peça produzida e cumpriam jornadas médias de 14 horas.

“Eles trabalhavam exaustivamente para conseguir o máximo de valor. As diligências mostraram a mesma realidade em todas as oficinas. Identificamos que a situação verificada em novembro não era episódica [e se repetiu em maio]. Ela fazia parte da cadeia produtiva da marca”, explica a procuradora Tatiana Simonetti.

Segundo o Ministério Público, a M5 utilizava empresas intermediárias para subcontratar o serviço de costura, feito em oficinas clandestinas, sem qualquer direito trabalhista. “A marca vem se aproveitando desse sistema, contratando empresas que não têm capacidade de produção e que repassam a confecção para essas oficinas”, aponta Simonetti.

MPT-SP/Divulgação
A condição de moradia dos trabalhadores também foi considerada insalubre (foto: MPT-SP/Divulgação)


A procuradora destacou que a M5,  que tem filiais em todo o país sob a marca M.Officer, só tem no quadro de funcionários 20 costureiras. “Os pedidos que ela faz são de 2.080 peças. Ela fecha os olhos, de forma deliberada, para a capacidade produtiva da intermediária para garantir a produção da marca com baixo custo e coloca os trabalhadores em situação degradante”, declara.

Tatiana explicou que a ação pede a responsabilização integral da M5, tendo em vista que a terceirização em si já é irregular. “A confecção de vestuário é atividade fim. Ela é indústria e comércio. Na medida que faz, a empresa é responsável, sim, por todo trabalhador”, avaliou.

A justiça vai decidir como esse dinheiro deve ser investido: se será aplicado no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou em uma obra pública que traga benefícios sociais aos trabalhadores identificados, como a criação de um centro de imigrantes.

A M5 Indústria e Comércio não comentou a ação do Ministério Público.

(com Agência Brasil)

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