Ércio Quaresma fala sobre versão de primo do Bruno para o sumiço do corpo de Eliza

Para o polêmico advogado, as declarações de Jorge Sales não passam de mentiras, de quem quer "holofote"

por João Paulo Martins 25/07/2014 11:34

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Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
O advogado Ércio Quaresma: "Qual a credibilidade dessa 'criatura'?" (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Quatro anos após o desaparecimento da modelo Eliza Samúdio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes – que passou pelo Atlético Mineiro e estava atuando no Flamengo na época do crime –, que teria sido morta no sítio do ex-jogador, em Esmeraldas, o caso ganha nova versão. O primo de Bruno, Jorge Rosa Sales – em 2010, ele era menor de idade –, em entrevista a uma emissora de rádio, no final de julho, muda sua versão para os fatos e diz que o corpo da modelo teria sido colocado num saco plástico e enterrado num lote vago no bairro Santa Clara, em Vespasiano.

Ele foi interrogado por três hora no Departamento de Hominícios e Proteção à Pessoa, e disse que Eliza teria sido morta por sufocamento por Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, e que foi ajudado por Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, ex-policial civil. Na entrevista à rádio, o primo do goleiro Bruno chegou a dar detalhes do local em que enterraram o corpo da modelo: "Uma estrada deserta, praticamente abandonada, perto de um coqueiro curvado".

Para saber mais como essa nova versão pode afetar as investigações, a Encontro fez uma entrevista exclusiva com o advogado Ércio Quaresma Firpe, que defendeu o ex-jogador do Flamengo em 2010 e mais tarde, passou a ser responsável pela defesa de Marcos Aparecido dos Santos. Ele considera a nova versão "surreal". Confira a entrevista:

Encontro - Como você recebeu a notícia de que o corpo de Eliza Samúdio teria sido enterrado em Vespasiano?
Èrcio Quaresma - É a 48ª versão para o caso. Isso é surreal. Uma hora ela é 'picada' e dada de comer aos cães; agora, lhe cortam apenas as mãos. E melhorou, ficou mais estranho: tem um saco plástico preto com zíper e um trator. Você ingressa no campo da fantasia, do delírio. Ele [Jorge] não fala que depois que saiu do sítio, ele foi para um lado e os outros para o outro. E mais, ele diz que o Macarrão é mandante da morte do Sérgio [primo do goleiro Bruno assassinado a tiros em agosto de 2012]. Isso é sério. Qual a credibilidade dessa 'criatura'?

Porque você acha que Jorge Sales, só agora, aceitou dar uma entrevista à imprensa e dizer essa versão para o sumiço da modelo?
Eu tenho críticas à imprensa. O jornalista que ouviu o Jorge sabia da repercussão que daria ao 'jogar' a entrevista gravada na internet. Eu lhe pergunto: você recebe uma informação, agora, de onde está o corpo da Eliza, o que faria? Na certa, pegaria um avião, chamaria a polícia e vai até o local onde estaria esse corpo. A divulgação dessa versão do primo do Bruno é inconsequente. Não é papel da imprensa investigar. A estrutura de investigação dos órgãos público é mais que suficiente.

Então o que as pessoas estão chamando de "reviravolta" no caso Bruno não procede?
O Jorge ainda foi detalhista ao falar sobre o que aconteceu naquela época. Dizem que o fato aconteceu à noite. Como você vai guardar uma cena tétrica como essa em detalhes, incluindo distância entre os lugares, percurso. Vou ser franco: é muita falta de 'holofote'.

Jorge estaria, então, desviando a atenção do que teria realmente ocorrido?
Não é para desviar o foco. É para chamar a atenção. Nesse caso, qualquer 'balançar' de página gera notícia. Umas pessoas, que não conheço, chegaram a escrever um livro [Indefensável: O ex-goleiro Bruno e a história da morte de Eliza Samúdio foi escrito por Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho] sobre o caso, e disseram ter feito 100 entrevistas, mas não conversaram comigo. Como falar sobre o fato sem conversar com o cara que protagonizou, tanto para o bem quanto para o mal, incontáveis situações nos autos? Com o Bruno não conversaram, pois a única entrevista que fez foi por dinheiro, com o Macarrão não devem ter conseguido falar também. Ele só falou com uma emissora de TV, que não deixou que eu me aproximasse, e ainda editou a entrevista da pior forma possível, o que 'queimou' o filme dele.

Por que só depois de quatro anos teríamos a "verdadeira" teoria sobre o sumiço de Eliza Samúdio?
Qualquer balançar de página gera imprensa. Me chamaram para participar de programas de televisão, mas não quis ir. O caso estava morto. Só pode ser falta de pauta. Vou ser claro com você. O delegado Édson Moreira, na justiça, respondendo uma pergunta minha, e eu tenho isso gravado em áudio e vídeo, sobre o fato de a Eliza ter sido esquartejada, disse 'quem falou isso?'. Se ela não foi esquartejada nem dada de comer aos cães... A polícia mineira, o IML, não possui o saco plástico preto com fecho em zíper para cadáver, como foi dito pelo primo do Bruno.

No início do processo, você chegou a declarar que Eliza estaria viva. Você mantém essa opinião?
Não existe prova de sua morte. A prova, chamada de materialidade, nesse processo, foi criada pelo promotor e pela juíza. Fizeram um acordo com o Macarrão, para confessar a versão, e sua pena seria reduzida em oito anos. O juiz ainda emitiu uma certidão de óbito para Eliza, por asfixia. Quem decide, agora, a causa morte, não é mais o legista, e sim o jurado, porque acolheu a tese de asfixia. Seu corpo foi procurado no parque Lagoa do nado, na Lagoa da Pampulha, no sítio do Bruno, debaixo de um coqueiro, e até em São Paulo, numa denúncia de corpo carbonizado. Não vejo plausabilidade nenhuma na versão desse 'moço' [Jorge Sales]. Ele já prestou depoimento antes, e esta deve ser a oitava ou nona versão diferente que ele dá para o mesmo fato. Para quê mandar um efetivo gigante para investigar essa nova declaração? Bastava chamar dois coveiros para cavar o local, ou então dois arqueólogos para escavar o fóssil. Faz do local um 'sítio arqueológico', com mapa indicando os locais para a escavação.

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