Brasileiro cria teia de aranha sintética

Dos quadrinhos para a realidade: pesquisador da Embrapa consegue produzir a fibra usada pelos aracnídeos, o que pode revolucionar o mercado de materiais - podendo até substituir o plástico, no futuro

29/07/2014 12:55

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Wilson Dias/Agência Brasil
A teia de aranha sintética pode ter vários usos, até mesmo na medicina, em substituição a materiais cirúrgicos, como, por exemplo, para sutura de cortes (foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Por essa, nem o Homem-Aranha, super-herói dos quadrinhos, esperava. A fabricação de teias de aranha em laboratório é realidade para pesquisadores brasileiros, que, no futuro, podem também fazê-las crescer em plantas.

A pesquisa é desenvolvida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, e liderada pelo pesquisador Elíbio Rech. Ele explica que a teia de aranha é um produto com alta aplicabilidade comercial e a forma como pode ser produzida define o conceito de sustentabilidade e uso racional da biodiversidade. "Nós não precisamos mais entrar na floresta para pegar nenhuma aranha. Você vai lá, conhece as propriedades, pega alguns poucos organismos, retira o que precisa e nunca mais volta, você faz sintético. Esse é o caminho real de sustentabilidade, usar a tecnologia para que você não tenha que devastar a floresta para isolar um determinado composto", explica o pesquisador.

Rech dá o exemplo da artemisina, produzida pela planta artemísia, um componente usado na luta contra a malária: "Foi feita uma avaliação e começaram a produzir em larga escala, mas era economicamente inviável porque precisava de áreas enormes. Então, usando a engenharia genética, um grupo da Califórnia produziu em levedura e o composto foi lançado por uma empresa farmacêutica no ano passado. Um produto contra a malária, que veio de uma planta, mas que você faz de forma sintética".

A pesquisa da Embrapa, que lembra o famoso personagem da Marvel – especialmente quando Peter Parker cria seu próprio lançador de teia –, começou em 2003, com prospecções na Amazônia, na Mata Atlântica e no Cerrado, em busca de aranhas que produzem fibras. Nessa época também se chegou ao mapeamento genético das glândulas que produzem as proteínas que vão dar origem à seda da teia.

Para explicar os possíveis usos dessa fibra, o pesquisador Elíbio Rech faz a comparação com o plástico, ou seja, serve para quase tudo: "É um material novo que tem duas características principais: flexibilidade e resistência. Além disso, é biodegradável. Ele tem uma característica física que permite um melhor desempenho para tudo".

Segundo o especialista, a teia sintética pode ser usada na produção de tecidos, em fios para sutura, para quem tem alergia ao nylon, por exemplo, e também em nanopartículas, tal qual se faz com o carbono – ou seja, elas podem levar medicamentos diretamente para as células problemáticas.

Outro uso importante para o material é em conjunto outros metais e plásticos para fabricação de placas e peças de aviões e cascos de navios. "Qualquer material que dure mais vai reduzir o custo de manutenção. Ao conseguir fazer com que um material trabalhe mais e seja mais leve, você também reduz o gasto de combustível, reduz emissão de gás carbônico na atmosfera", comenta Rech.

Além das inúmeras aplicações e benefícios para o desenvolvimento de diversos setores da economia, o fato de os estudos serem baseados em aranhas brasileiras permite agregar valor à biodiversidade nacional.

(com Agência Brasil)

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