Alienação parental afeta mais os filhos do que os pais, diz especialista

Muito comum em casais separados, o ato de um ex-cônjuge destruir a imagem do outro perante a criança ou adolescente pode fazer com que o filho tenha sérios problemas sociais

por Bruna Tavares 31/07/2014 16:30

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
FreeDigitalPhotos.net
Quando os pais se separam, a alienação parental pode fazer com que a criança tenha problema de convívio social no futuro (foto: FreeDigitalPhotos.net)
O tema já foi abordado até em novela das nove – no caso, a Salve Jorge – e pode ser visto em 80% das casas de famílias com filhos que, por qualquer motivo que seja, tenham os pais divorciados: a SAP (Síndrome da Alienação Parental). De acordo com a lei 12.318, de 2010, ela está relacionada à interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, de forma a destruir a imagem do ex-cônjuge.

Em outras palavras, a SAP ocorre quando o pai ou a mãe tenta anular a presença do outro na vida do filho, ou seja, desfazendo o único laço que não é desatado mesmo quando o casamento chega ao fim.

Cada dia mais comum no país, já que a taxa de divórcio, no Brasil, cresceu vertiginosamente nos últimos anos – passou de 1,4% em 2011 para 2,6% em 2012 –, a síndrome da alienação parental pode ser vista tanto com crianças que moram com as mães, quanto com as que estão sob cuidados paternos. Mas os pais dificilmente percebem que o maior prejudicado nessa "tortura" psicológica é o próprio filho, que tende a passar por diferentes estágios de isolamento e se sentir rejeitado.

"No primeiro momento, a criança começa a se fechar, sem querer aproveitar os horários marcados com o genitor que não tem a sua guarda. Depois, passa a ter uma conduta totalmente contrária ao do laço amoroso, que, normalmente, existe em uma relação entre pai e filho. Mais para frente, a relação fica praticamente destruída, pois a criança se nega a estar perto do ente excluído, por achar que este não gosta dela", explica a psicóloga Raissa Colen Moreno. Ela acrescenta, ainda, que muitas vezes a escola passa a ser a grande responsável por identificar a mudança de postura da criança.

Pelo fato de a infância ser o período da vida em que uma criança busca identificação com os dois gêneros, aquele que sofre alienação parental pode ter muita dificuldade para desenvolver habilidades sociais, no futuro. "Por ter vivenciado uma referência negativa na infância, o adolescente acaba tendo dificuldade em estabelecer relações tanto de amizade quanto amorosas. Ainda mais se for uma menina, que tenha se afastado do pai por culpa da mãe. É muito comum que ela procure um companheiro mais velho, que preencha a lacuna paterna", diz a especialista.

Mas o que deve ser feito numa situação dessas? Legalmente falando, para evitar a dor de cabeça de um processo judicial, a melhor opção é procurar por um "mediador de crises". Como explica a psicóloga, que também é advogada, apesar de ser considerada uma profissão nova e poucas pessoas conhecerem, o mediador, por não ter laços nem com a mãe e nem com o pai, é capaz de opinar de forma imparcial e fazer com que o alienador não desconte a frustração do fim do casamento no filho.

Porém, em casos mais extremos, o genitor alienado pode ser amparado pelo conselho tutelar do município e levar o caso ao judiciário, para tentar provar que está sendo vítima de alienação parental.

Últimas notícias

Comentários