Comissão da Verdade recebe dossiê de atentados ocorridos em 1995 em BH

Naquele ano, diversas bombas estouraram na capital mineira, com alvos como a sede da OAB-MG e o jornal Estado de Minas. Os documentos do caso, analisado pela Câmara Municipal, foram entregues à Covemg

01/08/2014 14:15

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Google Maps/Reprodução
Sede da OAB-MG, no bairro Cruzeiro, em Belo Horizonte, foi vítima de atentado a bomba no ano de 1995. Por sorte, ninguém ficou ferido (foto: Google Maps/Reprodução)
No ano de 1995, quando a tensão da Guerra Fria já não pesava no ar, do Muro de Berlim só restavam ruínas e no Brasil a democracia já andava com as próprias pernas, diversos atentados chacoalharam o país. Em Belo Horizonte, entre fevereiro e abril, explosões atingiram o Fórum Milton Campos, a seção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Sindicato dos Jornalistas e a sede do jornal Estado de Minas, entre outros alvos, motivando a instalação de uma CPI na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para apurar as ocorrências. Cumprindo um acordo firmado com parlamentares, a CMBH entregou à Comissão da Verdade de Minas Gerais, no final de julho, todos os arquivos relacionados a esse inquérito.

Supostamente cometidos por organizações de extrema direita como o CCC (Comando de Caça aos Comunistas), GAC (Grupo Anticomunista), MAC (Movimento Anticomunista) e o Grupo Reação, diversos atentados terroristas foram registrados no Brasil. Segundo membros da Comissão da Verdade de Minas Gerais (Covemg), mesmo depois da redemocratização do país, esses grupos terroristas continuaram agindo, de 1987 a 1995, e teriam cometido mais de 18 atentados, a maioria na capital mineira.

Com a finalidade de apurar as responsabilidades pelas explosões ocorridas em BH, em 28 de abril de 1995, foi instalada na Câmara uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Além da relatora, a verreadora Raquel Scarlatelli, e do presidente, vereador Betinho Duarte, compunham a CPI Roberto Salles Barbosa (já falecido), Maria Caiafa e Alexandre Gomes. O relatório final foi apreciado em 16 de outubro de 1995. Segundo Duarte, embora várias pessoas tenham sido ouvidas durante os trabalhos, nenhuma das autoridades convocadas compareceu ou deu qualquer satisfação.

Todo o material referente ao inquérito, incluindo registros em ata, gravações de reuniões e o relatório final foram entregues pela CMBH à Covemg a pedido de sua coordenadora, a professora universitária, socióloga e ex-secretária de Cultura do Estado, Celina Albano.

Instituída em julho de 2013 pela Lei Estadual nº 20.765 com o objetivo de acompanhar e subsidiar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, a Covemg tem a função de pesquisar e esclarecer as violações de direitos fundamentais ocorridas principalmente no período da ditadura militar, no âmbito estadual. Composto por sete membros, o colegiado terá prazo de dois anos para a conclusão dos trabalhos, prorrogável pelo governador.

O acordo com a Câmara de BH prevê a designação de três membros do legislativo municipal e três da Comissão Estadual da Verdade para compor o Grupo de Integração, que irá verificar a existência de informações e documentos de interesse comum das instituições, além de receber solicitações de informações pontuais.

Confira os principais atentados ocorridos em BH no ano de 1995:

  • 4 de fevereiro: uma bomba explode dentro de um cinema da capital, deixando uma pessoa ferida

  • 12 de fevereiro: um atentado é realizado contra a casa de um coronel reformado da Polícia Militar

  • 10 de março: Sindicato dos Jornalistas de Belo Horizonte é atacado com uma bomba, e ninguém ficou ferido

  • 18 de maço: atentado a bomba é realizado na sede do jornal Estado de Minas, sem deixar feridos

  • 20 de maço: explosão de bomba no Fórum Milton Campos, sem feridos

  • 21 de março: uma bomba explode na sede da OAB de Minas Gerais

  • 21 de maço: explosão de artefato no pátio de uma delegacia de polícia em Nova Lima (região metropolitana de BH)

  • 27 de março: uma bomba caseira é jogada em um bar na periferia da cidade

  • 1º de abril: explosão de bomba em colégio na capital, sem deixar feridos

 

(com assessoria da CMBH)

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