Presépio do Pipiripau já está sendo restaurado

Laboratório montado em museu da UFMG concentra os trabalhos de restauração da obra centenária mineira, que é um patrimônio cultural brasileiro

por Marcelo Fraga 04/08/2014 10:38

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Eugênio Gurgel
O trabalho de restauração das 586 peças que compõem o presépio deve durar cerca de dois anos (foto: Eugênio Gurgel)
Criado ao longo do século XX pelo artesão mineiro Raimundo Machado, o presépio do Pipiripau começou a ganhar vida no ano de 1906. Até o falecimento de seu criador, em 1988, a obra foi ganhando novas cenas, personagens, movimentos, e conquistou admiradores de todas as idades – ao todo, são 586 figuras distribuídas em 45 cenas bíblicas. Porém, o presépio sofreu com a ação do tempo e, desde o fim de 2011, não está mais sendo exposto ao público, para passar pelo lento e minucioso processo de restauração.

Atualmente sob responsabilidade do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, o presépio do Pipiripau ganhou nos últimos dias um laboratório, onde uma equipe multidisciplinar já iniciou os trabalhos para restaurar as centenas de figuras que formam a obra. "É um processo muito delicado e de grande responsabilidade. Mais do que uma obra de arte, o presépio é um registro de um tempo", comenta Fabrício Fernandino, coordenador geral da restauração e professor da escola de Belas Artes da UFMG.

Ele explica que o processo de restauração começou em 2006, quando foi elaborado um projeto para captação de recursos. Segundo o professor, a demora para se iniciar os trabalhos se deu porque é uma obra tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o que demanda processos burocráticos para aprovação do projeto pelos órgãos públicos. Outro aspecto que dificultou o andamento da restauração, segundo Fabrício Fernandino, foi a dificuldade para se conseguir recursos financeiros junto à iniciativa privada. O custo total do projeto está estimado em R$ 700 mil e será financiado por uma empresa da área de saúde. A expectativa é que a restauração seja concluída em até dois anos.

Eugênio Gurgel
Os especialistas foram descobrindo pinturas e materiais alternativos usados por Raimundo machado para compor o Pipiripau (foto: Eugênio Gurgel)


Etapas


Antes da montagem do laboratório e do início das atividades de restauração, foi realizado um trabalho de documentação de todo o funcionamento do presépio. Esse processo – que durou aproximadamente um ano – envolveu artistas, engenheiros, historiadores e outros profissionais, e é fundamental para que seja mantida a originalidade do presépio.

Para que a atividade de restauração fosse iniciada, na prática, foi preciso, ainda, um mapeamento de todas as personagens e cenas que compõem o Pipiripau. A restauradora Thais Carvalho, coordenadora técnica do projeto, explica que o processo é complexo, porque cada peça precisa ser restaurada individualmente. "Toda vez que retiramos um personagem para análise, acabamos encontrando um item que não estava visível e, portanto, não foi documentado. Nesse caso, é necessário parar e atualizar os arquivos".

Após a retirada dos personagens das cenas originais, eles são fotografados e seguem, enfim, para a restauração. Thaís Carvalho diz ainda que o mapeamento feito previamente é importante para garantir que todos os itens retirados do presépio voltem exatamente para o local original, idealizado por Raimundo Machado.

Divulgação
O novo lar do presépio permitirá que os visitantes apreciem o maquinário por trás dos movimentos (foto: Divulgação)


Novo lar

Além da restauração, o presépio do Pipiripau vai ganhar também uma casa mais moderna. A obra, um prédio orçado em R$ 3,3 milhões, será construído no lugar do antigo, que ainda abriga o patrimônio mineiro. Como há dificuldade em se retirar a obra do local, um container metálico será montado em volta do presépio, para protegê-lo durante a demolição do antigo abrigo e a construção do novo.

"Quando tudo estiver pronto, teremos uma estrutura melhor para receber o público, que vai contar com banheiros, uma arquibancada maior, e até uma lojinha", conta o professor Fabrício Fernandino. O novo prédio terá, ainda, uma parede de vidro que permitirá aos visitantes acompanhar os bastidores do funcionamento do Pipiripau.

Filme

Dirigido por Aluizio Salles Jr. e tendo o ator Samuel Nascimento interpretando Raimundo Machado, quando criança, o longa-metragem Presépio do Pipiripau, O Mundo de Raimundo, conta a história da vida do artesão e, o mais importante, a criação do mais famoso presépio brasileiro, desde sua primeira peça, no início do século passado.

Lançado em 2013, o filme está em cartaz no Memorial Minas Gerais, com sessões gratuitas todas as quintas-feiras do mês de agosto.

Confira o trailer:

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