Chance de vírus ebola chegar a BH é remota

Ministério da Saúde descartou a suspeita de que um turista internado em São Paulo teria contraído o vírus na África. Além disso, especialista explica por que o Brasil não corre risco de passar por uma epidemia dessa grave doença

por Fernanda Nazaré 05/08/2014 09:47

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Fábio Cortez/DN/D.A Press
Um dos problemas urbanos que podem levar ao surgimento de uma epidemia de ebola é a falta de saneamento básico, comum em países africanos (foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press)
O vírus ebola voltou a chamar a atenção do mundo. Depois do último surto da doença em meados da década de 1990, a África Ocidental está enfrentando o que já está sendo considerado o maior surto do vírus já registrado desde 1976 – ano em que ele foi descoberto por um pesquisador belga. Segundo a Organização Mundial de Saúde, os casos estão concentrados na República da Guiné, em Serra Leoa e na Libéria. Cerca de 1.300 casos foram registrados e já foram vitimadas 887 pessoas, até o momento.

Os brasileiros passaram a ficar apreensivos, com medo de essa séria doença chegar até nosso país, ainda mais depois que um africano foi encaminhado para o hospital assim que desembarcou em São Paulo, no dia 2 de agosto deste ano, com suspeita de contaminação por ebola. Mas, de acordo com o Ministério da Saúde, a suspeita foi descartada e o diagnóstico do passageiro foi de infecção urinária.

Para o infectologista e professor da faculdade de medicina da UFMG, Unaí Tupinambá, os sintomas de febre, dor muscular e nas articulações, e o fato de o passageiro ter vindo de uma região epidêmica, com certeza, foram o motivo de se chegar a essa suspeita. "A conduta foi correta, ele estava com febre. Mas não há motivo para pânico", diz. Segundo ele, a possibilidade de o vírus chegar a Minas Gerais ou Belo Horizonte é baixa, pois os voos internacionais, geralmente, passam por escalas e as equipes aeroportuárias já estão em alerta para que seja feita a triagem e a fiscalização dos passageiros.

Além disso, o especialista explica que o modo de contaminação do vírus ebola é outro fator que dificulta que a epidemia atravesse as fronteiras africanas. "Ele é transmitido por secreções ou por contato com animais infectados, como macacos e morcegos, na África. Não se pega pelo ar, como foi no caso da gripe suína (H1N1)", explica o infectologista.

Em 2009, os primeiros casos de gripe suína foram registrados no México e logo a epidemia se espalhou para os Estados Unidos e Canadá, chegando até aos países latinos como o Brasil. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 207 países e territórios tiveram casos da gripe notificados em laboratório.

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Na África, o consumo de animais silvestres é normal, e pode levar ao contágio do vírus ebola (foto: FreeDigitalPhotos.net)
Unaí Tupinambá diz que a melhor forma de se evitar que o ebola chegue ao Brasil é a realização de vigilância sanitária das fronteiras, dos passageiros e da tripulação de voos internacionais. "Se houver algum caso suspeito, o recomendado é colocar o paciente em quarentena", aconselha.

Ebola

O vírus é transmitido por fluídos corporais como urina, suor ou sangue, além de ser adquirido através do contato ou ingestão de animais infectados. A doença se caracteriza por uma febre hemorrágica, que ainda não tem cura, e não existe vacina para sua prevenção. Alguns dos sintomas mais comuns são febre alta, vômitos, dores musculares, diarreia e hemorragias. A mortalidade chega a 80% dos casos, e se deve, normalmente, à falência múltipla dos órgãos.

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