Avião com o candidato à presidência Eduardo Campos cai em Santos

O presidenciável do PSB voltava de uma entrevista no Rio de Janeiro para participar de eventos na cidade litorânea que fica no sudeste do estado de São Paulo. Segundo especialista em aviação, pode ser erro do piloto

por João Paulo Martins 13/08/2014 15:43

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O avião Cessna, com sete passageiros, caiu numa região residencial da cidade de Santos (foto: Facebook/Tassio Ricardo/Reprodução)
Este ano ficará marcado por acidentes aéreos, em especial devido aos dois relacionados à Malaysia Airlines, companhia aérea da Malásia, e, desta vez, com a notícia da morte do candidato à presidência do Brasil, Eduardo Campos, que estava num jato particular que caiu na cidade de Santos, litoral sudeste de São Paulo, chocando os brasileiros.

A aeronave Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, deixou o aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em direção à cidade de Santos. Segundo testemunhas, já no espaço aéreo da cidade paulista, o piloto teria tentado arremeter o avião, o que levou à perda do controle da aeronave e, consequentemente, à queda sobre imóveis na rua Vahia de Abreu, esquina com rua Alexandre Herculano, no bairro do Boqueirão, que fica na Ilha de São Vicente. Além de Eduardo Campos – que era natural de Pernambuco e deixa esposa e cinco filhos –, estavam no avião mais seis pessoas: Alexandre da Silva (fotógrafo), Carlos Augusto Leal Filho (assessor), Geraldo da Cunha (piloto), Marcos Martins (piloto), Pedro Valadares Neto e Marcelo Lira.

O jato pousaria na base aérea de Santos, que fica na região do Guarujá, a cerca de 600 metros de distância da região do impacto. Segundo a assessoria da aeronáutica, o acidente teria acontecido por volta das 10 horas da manhã, do dia 13 de agosto. Vizinhos da região onde a aeronave caiu, atingindo oito construções (residências e uma academia), disseram à Encontro que foi possível sentir o estrondo como se fosse um terremoto.

Quem viu de perto a tragédia foi a aposentada Graça Gorgulho, que estava com o marido Antônio Carlos, na academia atingida pelo avião. "Meu marido estava fazendo hidroginástica na piscina aquecida, que fica no segundo andar, na parte de trás do prédio", conta. De acordo com ela, depois do barulho, as luzes se apagaram e as pessoas que estavam dentro do imóvel, em pânico, correram em direção à saída. "Eu fui puxada para fora, mas meu marido ainda estava lá dentro. Ele não se machucou, mas quem estava no terceiro andar acabou se machucando mais. Eu vi gente ferida, inclusive criança pequena, com menos de um ano, com os braços sangrando", lembra. A aposentada explica que não viu nenhum ferido grave, e grande parte dessas vítimas se machucaram com a explosão dos vidros temperados que circundavam a piscina da academia.

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A aeronave atingiu oito imóveis, incluindo uma academia de ginástica, com feridos, segundo testemunha (foto: Facebook/Tassio Ricardo/Reprodução)


No momento do acidente, chovia muito em Santos, porém, segundo moradores, não era tempestade. Para o coordenador do curso de engenharia aeronáutica da Fumec, Rogério Parra, ainda é cedo para se ter uma hipótese do que pode ter acontecido. "Uma investigação como essa dura, em média, três meses", diz. Mesmo levando em conta a condição climática, ele explica que o ato de arremeter é normal, e feito quando não se tem uma condição correta de pouso: "A partir daí podem acontecer diversas coisas. A arremetida prevê uma série de ações, como, por exemplo, dar mais impulso aos motores. Ela exige conhecimento do piloto, e, como não é algo comum de se fazer no dia a dia, também demanda perícia".

Para Rogério Parra, quando não se tem um motivo claro para uma queda de aeronave, como é o caso, 90% das vezes a culpa é do piloto. "Às vezes o piloto pode ter feito uma ação errada no momento em que se exige mais dele. Até mesmo quando ocorre uma pane". Questionado se o clima pode ter interferido, ele não acredita, mas lembra que existe uma altura limite para que o piloto perceba se tem visão da pista ou não, e decida arremeter.

Em nota nas redes sociais, os dois principais candidatos à presidência, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) se mostraram consternados com a tragédia em Santos. "É com imensa tristeza que recebi a notícia do acidente que vitimou o ex-governador e meu amigo Eduardo Campos. O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava. A perda é irreparável e incompreensível", diz Aécio Neves em sua conta no Twitter.

Encontro Digital
(foto: Encontro Digital)


Já a candidata e atual presidente, Dilma Rousseff, postou, em seu perfil no Facebook, que o Brasil está de luto: "Perdemos hoje um grande brasileiro, Eduardo Campos. Perdemos um grande companheiro. Desde jovem, lutou o bom combate da política, como deputado federal, ministro e governador de Pernambuco, por duas vezes. Tivemos Eduardo e eu uma longa convivência no governo Lula, nas campanhas de 2006, 2010 e durante o meu governo. Foi um pai e marido exemplar. Nesse momento de dor profunda, meus sentimentos estão com Renata, companheira de toda uma vida, e com os seus amados filhos. Estou tristíssima".

Tanto o candidato do PSDB quanto a do PT cancelaram seus compromissos de campanha pelos próximos três dias.

Com aparência visivelmente abalada pela triste notícia, a vice-canditada à presidência, na chapa de Eduardo, Marina Silva (Rede Sustentabilidade), em coletiva à imprensa, lembrou a frase dita pelo político pernambucano na véspera do acidente: "Não vamos desistir do Brasil". A ex-ministra começou seu pronunciamento lembrando da família de Eduardo: "Quero pedir a Deus que sustente a Renata, o Zé, o João, A Dudu, o Pedro e o pequenino Miguel. Esta é, sem sombra de dúvida, uma tragédia, que nos impõe uma profunda tristeza". Ela ainda diz que acredita que os brasileiros estão compartilhando o mesmo sentimento. "Nos 10 meses de convivência, aprendi a respeitá-lo e a confiar em sua atitude e ideais de vida", completa Marina.

Sobre Eduardo

Eduardo Henrique Accioly Campos, 49 anos, era casado e tinha cinco filhos. Aprovado no vestibular do curso de economia  da Universidade Federal de Pernambuco com 16 anos, concluiu a faculdade aos 20, como aluno laureado e orador da turma.

Sua carreira política começou em 1986, quando participou da campanha do avô Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco. Em 1990, Eduardo se filia ao PSB, quando se elegeu deputado estadual. Mais tarde chegaria ao Congresso Nacional, como deputado federal, com 173 mil votos. Em 2002, participou da campanha do presidente Lula.

Em 2006, numa disputa acirrada, foi eleito governador do estado de Pernambuco, sendo reeleito em 2010, com 82% dos votos válidos.

Confira a ficha política do candidato publicada no portal da Encontro.

Veja, abaixo, o vídeo feito pelos filhos de Eduardo Campos para o dia dos pais e seu aniversário (10/8):

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