Você sabe o que são os produtos "in box", que se tornaram febre na internet?

Pessoas que gostam de sapatos, vinhos ou mesmo produtos de beleza têm acesso a seus objetos de desejo de forma exclusiva e em casa, mensalmente, através de "assinaturas" de kits. Belo Horizonte também aderiu à essa nova moda, que exige cuidado na contratação

por Fernanda Nazaré 03/09/2014 11:03

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Ohminas.com.br/Reprodução
Entre os diversos 'clubes de assinaturas' espalhados na internet, existe um que oferece aos clientes, mensalmente, produtos típicos de Minas Gerais (foto: Ohminas.com.br/Reprodução)
As lojas sempre buscam inovações para cativar clientes e tentar conquistar uma fatia do mercado. Inspirados em um serviço já oferecido no exterior, empreendedores brasileiros começaram a investir nos chamados "clubes de assinaturas". Amantes de vinhos, pessoas saudáveis que curtem comidas integrais, ou mesmo as mulheres que gostam de se manter atualizadas com os lançamentos de maquiagens, pagam uma mensalidade para sites especializados e, em contrapartida, recebem no conforto de suas casas as novidades dos segmentos que mais gosta.

Em Belo Horizonte, um jovem administrador percebeu esse "movimento" online e abriu um clube voltado apenas para produtos "in box" (ou seja, que vêm na caixa) exclusivos para tratamento dos cabelos. Com apenas 24 anos, Diego Faria se associou a Filipe Melo – herdeiro da família Ribeiro, que possui diversos salões de beleza na cidade – e abriu o My Care Box. A partir daí, passaram não só a oferecer xampus e condicionadores de linhas internacionais, mas também consultoria capilar.

A comodidade de se receber em casa, mensalmente, os produtos que mais gosta também pode virar uma dor de cabeça. Em fóruns na internet não é difícil encontrar reclamações de membros desses clubes que se sentem decepcionados com os produtos exclusivos que recebem. É o caso da jornalista Bárbara Prado, que se associou a um site que oferece produtos de beleza, pagava as mensalidades em dia, mas recebeu apenas uma caixa, que continha itens incompatíveis com suas características físicas. "Tenho cabelos lisos e recebi amostras grátis para fios anelados, além de um esmalte azul 'horroroso'. E olhe que preenchi um questionário 'enorme' durante a assinatura do serviço, explicando minhas características", reclama. Ela entrou no "clube de assinaturas" em 2012.

Ainda segundo a jornalista, foram quatro meses tentando, sem sucesso, cancelar sua inscrição no clube, e, consequentemente, parar o pagamento mensal, que era feito por meio de débito automático em seu cartão de crédito. "Só consegui impedir os pagamentos depois que pedi a intermediação da bandeira do meu cartão", diz Bárbara.

Aproveitando esse tipo de problema, ou seja, a incompatibilidade entre o biótipo da cliente e os produtos oferecidos, o empresário mineiro Diego Faria começou seu clube com mercadorias diferenciadas. "Às vezes, quando a pessoa preenche o cadastro no site, ela tem uma visão diferente de seu cabelo. Por isso, temos um especialista para analisar os cabelos das clientes", explica. No envio da primeira caixa, o membro do clube também recebe um envelope para que deposite amostras de seus fios de cabelo, e devolva à empresa, para serem analisados. Um tricologista – especialista em cabelos – avalia as amostras em microscópio e define o grupo em que a pessoa se enquadra, por exemplo, cabelos oleosos, com química, que precisam ser recuperados, ou cabelos secos e anelados, que precisam de hidratação.

Cuidados

Também adepto de um clube de compras especializado em vinhos, Marcus Caetano,  que é advogado e professor de direito do Centro Universitário-UNA, diz que nunca teve problema com os produtos que lhe foram encaminhados. Há quase um ano recebendo dois rótulos por mês, em casa, ele reconhece que os negócios online podem ser perigosos para o consumidor, e orienta sobre os cuidados que se deve ter na hora de entrar para um clube: "Pesquise nas redes sociais o que as pessoas falam sobre o site, o atendimento e o recebimento de mercadoria. Também entre em contato com eles, por e-mail, para tirar todas as dúvidas. Guarde essa troca de mensagens. Isso pode servir como prova, no futuro, se houver alguma divergência entre o serviço contratado e o que está sendo executado".

Como explica o advogado, em caso de problemas, o melhor caminho é iniciar uma ação no juizado de pequenas causas para receber de volta o valor pago. O juiz avisa a empresa e também pede à bandeira do cartão para bloquear o pagamento. Ainda segundo o professor, outro alerta para saber se o clube é confiável é ler os depoimentos dos assinantes, e ver se existe muita reclamação sobre recebimento de amostras grátis. "Esse tipo de produto, chamado de 'amostra grátis', tem de ser um bônus, e não, entregue como os que fazem parte da experimentação, do serviço contratado", afirma.

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