Minas inteira se encontra no Mercado Central de Belo Horizonte

Ao completar 85 anos de vida - na verdade, essa idade se refere à localização atual -, a principal feira da capital mineira ganha uma exposição com suas memórias, e mostra por que continua atraindo turistas e moradores com seus produtos tipicamente mineiros

por Fernanda Nazaré 05/09/2014 10:05

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Marcos Michelin/EM/D.A Press
Celebrando seus 85 anos, o Mercado Central de BH é o local certo para se achar produtos típicos de Minas, como os queijos (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Pitomba, umbu ou atemoia. São frutas brasileiras, típicas de regiões semiáridas, que você só no Mercado Central de Belo Horizonte. Justamente as frutas exóticas, o artesanato e a diversidade dos produtos regionais que fizeram a fama da "feira" que atrai moradores e turistas há 85 anos. Localizado no coração da capital mineira, o mercado está em festa, comemorando mais um aniversário. Desta vez, o público poderá conferir uma exposição fotográfica especial, contando toda a história desse comércio que, na verdade, já tem mais de 100 anos. Pois é, o local é quase tão velho quanto a cidade, e isso pode ser visto na exposição, que tem curadoria do historiador Osias Ribeiro.

Além de imagens, a mostra traz objetos e produtos que reproduzem o Mercado Central de 1900, época em que funcionava em outro ponto do hipercentro de BH. Apenas em 1929, na gestão do prefeito Cristiano Machado, que os feirantes foram transferidos para a avenida Augusto de Lima, para dar lugar a uma outra feira que, na década de 1970, deixou de existir, cedendo espaço para a construção do terminal rodoviário, na praça Rio Branco. Por isso a celebração é de 85 anos, e não de 114 – ou seja, comemora-se a existência do comércio no local atual.

Datas à parte, o que importa na biografia desse verdadeiro ponto turístico da cidade é que ele faz parte da história de vários mineiros e turistas que passam por lá todos os dias – especialmente nos finais de semana. Nas mais de 400 lojas, é possível ter uma "aula" de cultura mineira; beber com os amigos; fazer a feira do mês; e ainda cortar os cabelos saboreando uma fatia de abacaxi gelado. "Causos" de quem foi lá para experimentar o famoso fígado de boi com jiló e beber uma cachacinha também não são raros entre os belo-horizontinos. Afinal, essa iguaria é um dos símbolos do mercado.

APCBH/Ascom PBH/Divulgação
Antes da construção do prédio que conhecemos hoje, o mercado de BH tinha a cara de uma grande feira, com sua típica agitação (foto: APCBH/Ascom PBH/Divulgação)


Quem cresceu em meio à principal feira de BH foi o comerciante José Antunes Moreira, de 51 anos. Proprietário da loja Temporana Frutas, ele vende produtos exóticos como as já citadas atemoia e pitomba, além de outras frutas típicas do cerrado. Assim como o mercado, ele teve de se adaptar à modernidade, para continuar ativo: "Herdei o negócio do meu pai, que começou vendendo laranjas. Vinha para cá criança. Comecei como lavador de carro e fui carregador. Sou cria do mercado. Não era muito de estudar, então meu pai me levou pra trabalhar com ele. Só cursei até a sétima série", conta.

Das laranjas, José Antunes passou para as frutas exóticas e vende algumas por até R$ 60 o quilo, como é o caso do sapoti. Lichia, siriguela e jenipapo também fazem parte do cardápio de produtos, que chamam muito a atenção dos turistas estrangeiros. "Eu tento explicar para eles o que é cada fruta. A gente se vira no 'portunhol' [mistura de português com espanhol]", diz o feirante. Ele também faz questão de frisar que, com o trabalho no mercado, conseguiu criou as quatro filhas, que, hoje, já cresceram, se formaram, e estão com suas vidas feitas.

Lembranças

O blogueiro e comissário de voo Danilo Michael escreve rotineiramente sobre todos os lugares do mundo que visita, mas um que considera especial é o Mercado Central de Belo Horizonte. "Uma vez minha madrinha me pediu para comprar umas ervas específicas para fazer um chá caseiro para seu marido. Procurei em vários lugares do Brasil, e só encontrei lá. Já perdi as contas de quantas vezes estive no mercado. Sempre que vou a BH costumo dar uma volta nele", diz.

Danilo conta que ao visitar o ponto turístico é de praxe comprar o queijo canastra de Araxá para a avó – que é mineira de Guaxupé –, doce de leite em pedaço, requeijão e mel. Sempre viajando por causa do trabalho, ele já conheceu mercados municipais de grandes cidades como Fortaleza, Recife, São Paulo, Porto Alegre, Belém e Manaus. Para ele, o da capital mineira é especial: "Vejo a identidade do povo mineiro em cada loja. Em alguns mercados, muitas vezes, você não consegue identificar a cultura regional na dinâmica do local. Já em BH, essa identidade é 'demais da conta sô'", brinca o comissário.

Serviço:

O quê: Exposição Histórias e Memórias do Mercado Central - 85 anos
Onde: Mercado Central
Endereço: av. Augusto de Lima 744, Centro, Belo Horizonte
Data: até 6/10
Horário: segunda a sábado das 9h às 17h; domingos das 9h às 13h
Entrada franca
Informações: (31) 3274 9434

Últimas notícias

Comentários