Resultado 'falso-positivo' de mamografia aumentaria chance de câncer de mama

Realizado pela Universidade de Copenhagen, o estudo analisou milhares de mulheres que tiveram resultado de possível nódulo e, destas, 27% apresentaram maior chance dessa séria doença

por Da redação com assessorias 08/09/2014 14:03

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Digitalbreasthealthcenter.com/Reprodução
A mamografia 3D, ou tomossíntese, permite uma visualização em camadas da mama, e facilita a descoberta de nódulos (foto: Digitalbreasthealthcenter.com/Reprodução)
Pesquisadores dinamarqueses estudaram mais de 58 mil mulheres submetidas ao exame de mamografia entre os anos de 1991 e 2005. O resultado, publicado recentemente no jornal australiano Cancer Epidemiology, revela que as pacientes que receberam resultado falso-positivo demonstraram 27% mais chances de ter câncer de mama ao longo da vida em relação àquelas que receberam resultado negativo. Esse fenômeno, ainda não explicado, não está relacionado a erros de classificação.

De acordo com a professora da Universidade de Copenhagen, My Catarina von Euler-Chelpin, responsável pela pesquisa, apesar de não se identificar as causas desse aumento, o estudo é "um passo a mais na tentativa de identificar grupos de alto risco para o câncer de mama e aponta para a necessidade de diagnósticos mais individualizados".

Para que não se tenha a dúvida, ou seja, eliminar o resultado falso-positivo, uma opção é a utilizadção da tomossíntese – também conhecida como mamografia 3D ou ainda mamografia tomográfica. Esse exame, que está disponível nas principais clínicas de diagnóstico por imagem do país, proporciona aumento de sensibilidade e especificidade, levando à maior detecção de câncer e reduzindo as chances de se ter falso-positivos, ou imagens que simulam tumores, mas que são apenas tecidos superpostos. "Como a tomossíntese permite distinguir entre as imagens verdadeiramente suspeitas e aquelas provocadas apenas por superposição de estruturas normais, uma importante vantagem é a redução do número de biópsias. Esse dado é bastante relevante, já que cada vez mais pacientes têm sido poupadas de procedimentos complexos que acabam gerando estresse e desgaste emocional", explica a médica radiologista Vivian Schivartche.

Sempre que a mamografia convencional ou 2D é realizada isoladamente, a superposição de estruturas pode simular lesões suspeitas, como lembra a especialista. Com a tomossíntese, cada imagem representa uma fatia de um milímetro da mama, eliminando essa superposição dos tecidos. Com isso, há melhor definição das bordas das lesões, proporcionando melhor caracterização dos seus contornos. Também é possível obter melhor detecção de lesões sutis e saber exatamente onde, na mama, está o problema. Em média, a tomossíntese leva quatro segundos para ser realizada.

Vivian Schivartche lembra ainda que, além de aumentar a detecção do câncer da mama, a tomossíntese possibilita também a detecção de tumores menores, fato que tem implicação direta na sobrevida das pacientes: "Tumores menores permitem a realização de cirurgias menos mutilantes e a um custo consideravelmente mais baixo de tratamento. Tudo isso tem impacto na qualidade de vida da paciente e deve ser priorizado sempre que possível".

Até pouco tempo atrás, a única opção para as mulheres que tinham diagnóstico falso-positivo era a realização de procedimento cirúrgico para retirar a lesão e analisar se o nódulo era benigno ou maligno. "A paciente permanecia internada por dois ou três dias e ainda ficava com uma cicatriz. Em caso de diagnóstico maligno, era realizada uma nova cirurgia para retirada de tecido ao redor do tumor. Hoje, a mamotomia é um método diagnóstico preciso, facilita a vida da paciente e não deixa marcas", diz a médica.

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