Perda da memória é um sintoma do mal de alzheimer?

De acordo com um neurologista, isso é mito. Ele esclarece as verdades e mentiras que envolvem essa triste doença, e que afeta 35 milhões de pessoas no mundo

por Da redação com assessorias 10/09/2014 18:45

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Janine Moraes/CB/D.A Press
De acordo com o especialista, não se deve tratar o doente de alzheimer como se fosse uma criança, já que apenas na fase mais aguda ele chega a perder a consciência do cotidiano (foto: Janine Moraes/CB/D.A Press)
Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, mais de 35 milhões de pessoas no mundo têm a doença que afeta que gera demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Só no Brasil, são cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

O mal de alzheimer atinge principalmente idosos a partir dos 55 anos de idade e leva a problemas sérios, incluindo dificuldade em se realizar atividades básicas do dia a dia. A doença ainda é marcada pela falta de conhecimento e pela crença de que alguns sintomas são naturais do processo do envelhecimento.

Para esclarecer algumas dúvidas, consultamos o neurologista Antônio Eduardo Damin, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Ele é especialista em neurologia cognitiva e comportamental.

Saiba o que é mito e o que é verdade:

O primeiro sintoma do Alzheimer é sempre a perda da memória.
Antônio Eduardo Damin: Mito! Apesar de ser o sintoma inicial mais comum, nem sempre a perda da memória é sinal do início da doença. Em algumas pessoas, os sintomas básicos do mal de alzheimer podem ser desorientação no tempo e espaço, dificuldade de linguagem e para planejar ou resolver problemas mais complexos, ou mesmo para realizar tarefas corriqueiras. Além disso, há alterações de humor e comportamento, entre outras.

Quem tem alzheimer não consegue compreender o que se passa ao seu redor.
Antônio Eduardo Damin: Mito! O portador dessa doença se mantém consciente do que está acontecendo ao seu redor, apesar das dificuldades de memória e dos outros sintomas. Apenas nos estágios avançados isso pode mudar. O importante é não tratar o idoso com alzheimer de forma infantilizada. Deve-se preservar seu papel e espaço nas relações familiares.

Jogos de raciocínio como palavras cruzadas e sudoku ajudam a evitar a doença.
Antônio Eduardo Damin: Mito! Esse tipo de jogo de raciocínio pode amenizar os sintomas e até ajudar no tratamento. Porém, sua prática não evita que uma pessoa desenvolva ou interrompa a evolução da doença.

Praticar atividade física é importante para pessoas com alzheimer.
Antônio Eduardo Damin: Verdade! Exercitar-se pode prevenir e retardar a manifestação da doença, assim como amenizar seus sintomas, além de melhorar a qualidade de vida do paciente. Se ele não possui contraindicação à prática de alguma atividade física, esta deve ser incentivada e o sedentarismo evitado.

O mal de alzheimer não tem cura.
Antônio Eduardo Damin: Verdade! Infelizmente a doença não tem cura após seu estabelecimento. Porém, existem tratamentos que retardam sua evolução e outros que minimizam os distúrbios cognitivos, do humor e do comportamento.

Cuidadores e familiares também precisam de cuidado para conviverem com a doença.
Antônio Eduardo Damin: Verdade! O mal de alzheimer exige tanto das pessoas que cuidam dos pacientes que é preciso que elas se mantenham física e psicologicamente saudáveis, para dar conta de uma situação, que gera extremo estresse. Tratar do portador de alzheimer é também cuidar de quem está em torno dele. É importante participar de grupos de apoio, aprender a lidar com a culpa, cansaço, angústia, além de mudanças na rotina e cuidados com o paciente.

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