Faz mal ficar num ambiente com ar condicionado?

Com o calor e o clima mais seco, muitas pessoas apelam para o uso desse aparelho. Mas será que ele também não provoca problemas de saúde? Veja o que diz um especialista

por Fernanda Nazaré 17/09/2014 13:10

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Bruno Peres/CB/D.A. Press
O uso de ar condicionado demanda uma manutenção regular, para evitar que bactérias e vírus se espalhem pelos ambientes (foto: Bruno Peres/CB/D.A. Press)
Nos últimos dias, Belo Horizonte se encontra em estado de alerta devido à baixa umidade do ar. De acordo com o meteorologista Ruibran dos Reis, do Clima Tempo/PUC Minas, a capital mineira está apresentando índices que variam de 12 a 20%, desde o dia 15 de setembro – como comparação, o deserto do Atacama, no Chile, o mais seco do mundo, chega a registrar 5% de umidade relativa.

A temperatura elevada também está castigando os belo-horizontinos. Como explica o meteorologista, este inverno já foi confirmado como o mais quente da história. Na terça-feira, dia 16 de setembro, os termômetros do aeroporto na Pampulha registraram 34°c. "Estamos prevendo também uma primavera mais quente que o normal, batendo recordes históricos de temperatura elevada", afirma.

Com um panorama desses, o belo-horizontino tem preferido passear em ambientes abertos sob a copa das árvores ou então em locais fechados, providos de ar condicionado, que ajuda a suportar o calor. Mas, nem sempre o ambiente refrigerado pode ser a melhor opção.

De acordo com Elizabeth Spangler, ex-professora de microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, em locais em que o sistema de ar condicionado é central – uma máquina instalada em área reservada da construção que distribui a refrigeração por tubulações espalhadas ao longo dos cômodos –, vírus e bactérias de pessoas gripadas ou doentes circulam de forma mais rápida pelos ambientes, podendo contaminar até quem não teve contato com o doente.

"O ar mais frio também pode aumentar a vida do vírus fora do corpo", explica a bióloga. Mesmo que o filtro usado no aparelho esteja limpo, não se pode afirmar que há garantia de que ele servirá de barreira contra os microorganismos patogênicos. Se o uso do ar condicionado for inevitável, segundo a especialista, a melhor maneira de se manter a qualidade do ambiente é arejar o local pelo menos uma vez ao dia, abrindo janelas, para que se dissipe a sujeira que estiver suspensa.

Eraldo Peres/CB/D.A Press
O então ministro das Comunicações de Fernando Henrique, Sérgio Motta (dir.), foi vítima de uma bactéria que surge em aparelhos de ar condicionado (foto: Eraldo Peres/CB/D.A Press)
Manutenção


Não existe um prazo determinado para se limpar o filtro do ar condicionado. As condições do clima e o tipo de aparelho são variáveis que atuam para se definir a necessidade de manutenção. Em grandes centros urbanos, claro, os filtros tendem a se sujar de forma mais rápida. Mas não só eles devem ser alvo de atenção durante a limpeza do equipamento. A bandeja de gotejamento também oferece risco, por ser um ambiente propício à proliferação de bactérias, que podem acabar dentro da tubulação de ar, afetando todos que estiverem respirando no ambiente contaminado.

Um caso famoso desse tipo de situação se deu em 1976, no estado da Filadéfia, nos Estados Unidos. Uma bactéria – até então desconhecida – descoberta nas bandejas de gotejamento do sistema de ar condicionado do Bellevue Strafford Hotel, deixou 34 participantes de uma convenção ( a American Legion) mortos e 221 doentes com pneumonia grave.

Desde esse trágico episódio, a bactéria foi catalogada e nomeada Legionella pneumophila. No Brasil, o caso mais famoso de contaminação por esse microorganismo se deu em 1998, com a morte do então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, devido a infecção nos pulmões, em consequência da Legionella. Ela foi encontrada no sistema de ar condicionado de seu gabinete, em Brasília.

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