Seca ameaça Minas Gerais

Falta de água já é realidade em algumas cidades do estado. A principal nascente do São Francisco, um dos rios mais importantes do país, secou

por Marcelo Fraga , por Fernanda Nazaré 24/09/2014 19:29

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Leandro Couri/EM/D.A Press
Completamente seco por conta do tempo de estiagem, o cenário da nascente do Rio São Francisco é desolador (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

No Parque Nacional da Serra da Canastra - região noroeste de Minas Gerais - um fato tem causado preocupação. A  nascente do São Francisco, um dos mais importantes rios do país, secou. É o primeiro registro na história de desaparecimento de água na nascente, e aponta um forte indício da escassez no estado.

 

Por enquanto, o rio não está ameaçado, mas a falta de chuvas preocupa. “É uma época de seca muito intensa, essa situação é inédita aqui na região.”, afirma Luiz Arthur Castanheira, chefe do Parque Nacional da Serra da Canastra. “O rio tem mais nascentes que ainda estão em boas condições, então a fauna do parque pode buscar água em outros locais”, completa.

Além da nascente do São Francisco, outros rios e vários reservatórios de Minas Gerais estão com os níveis baixos, segundo informações do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). De acordo com a diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Monitoramento das Águas do órgão estadual, Ana Carolina Miranda, o problema é climático. “Os últimos dois períodos chuvosos no estado foram abaixo do normal. A previsão para este ano é que de chuvas dentro da normalidade, o que é um alento, mas, infelizmente, não é o suficiente para restabelecer os níveis dos rios e reservatórios”, explica a diretora.

Cidades pedem socorro

A falta de chuvas faz com que a seca castigue vários municípios mineiros. Em todo o estado, 149 cidades decretaram situação de emergência. Uma reunião de emergência foi convocada, para a sexta-feira (26), pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco - órgão vinculado Ministério do Meio Ambiente - para discutir a questão da seca em Minas.

“Não há registro de uma situação assim nos últimos 50 anos”, é o que afirma o gerente de abastecimento Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de cidade de Oliveira, Wagner Ananias Lourenço. O município que fica a 147km de Belo Horizonte, na região Centro-Oeste do estado, poderá decretar estado de calamidade pública em um mês. A falta de infraestrutura e o longo período de seca castigam os 41 mil habitantes. Desde agosto do ano passado eles estão passando por rodízio de abastecimento de água. “As casas são abastecidas em período de 12 horas. Depois, ficam dois dias sem receber água”, explica o gerente.

Na região, os níveis de pluviométricos dos meses de julho a setembro de 2013 apontavam 126mm de chuva. No mesmo período deste ano foram apenas 68mm. A prefeitura já declarou estado de emergência. Fazendeiros da região estão doando água de suas nascentes e três caminhões-pipa extras estão circulando pela região. “Nossa situação é crítica. Normalmente, o manancial captava 60 litros por segundo nesta época do ano. Hoje não passa de 27 litros por segundo”, conta Wagner.

Segundo a assessoria da Saae, engenheiros do órgão afirmaram que para amenizar a escassez seriam necessários três dias seguidos de chuva. Assim, o rodízio de abastecimentos voltaria a ser de 12 em 12 horas, como era feito no início do ano passado.  Em Morro do Ferro, distrito de Oliveira a situação foi controlada com a perfuração de um poço artesiano para suprimir a água da pequena população de duas mil pessoas.

 

Veja como estão alguns reservatórios no estado

 

Arte: Heitor Antônio/Revista Encontro
(foto: Arte: Heitor Antônio/Revista Encontro)

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