Escolas promovem simulação da eleição para motivar senso político nos estudantes

Segundo pesquisa, os jovens são a faixa da população mais desinteressada na política nacional e passam pela primeira experiência de votação já desmotivados

por Fernanda Nazaré 01/10/2014 11:14

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Crédito Vitor Ferrer
Alunos do Colégio Padre Machado, em Belo Horizonte, simulam votação para a escolha do novo presidente do país. Exercício de cidadania começa na sala de aula (foto: Crédito Vitor Ferrer)

Uma pesquisa sobre os interesses do brasileiro na política mostra um cenário nada favorável. De acordo com o levantamento da agência Hello Research, que entrevistou 1 mil pessoas em 70 cidades das cinco regiões do país, 62% da população tem pouco ou nenhum interesse em saber sobre os rumos da política nacional. Um dos maiores índices está entre os jovens de 16 a 24 anos, 69% deles não buscam nenhuma informação sobre o assunto. E 64% dos entrevistados responderam não ter simpatia por nenhum partido.

 

Na tentativa de aumentar o interesse dos jovens pela vida política do país, escolas de Belo Horizonte têm aproveitado o período eleitoral para colocar o assunto em pauta. No Colégio Padre Machado, o primeiro passo foi um ciclo de debates para que os alunos pudessem discutir as competências e as propostas de campanha dos candidatos para presidente, governador, senador, deputado federal e estadual. Segundo a professora de geografia e uma das coordenadoras do projeto intitulado “Cidadania na escola: eleições 2014”, o trabalho para a conscientização dos alunos foi multidisciplinar: “Nas aulas de inglês, os alunos produziram charges políticas em língua estrangeira embasados em questões urbanas, sociais e ambientais”, conta.

 

Além disso, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) fez parceria com instituições de ensino emprestando urnas eletrônicas para o projeto “Eleitor do Futuro”, proporcionando a jovens a prática da votação. No Colégio Padre Machado, não só alunos, mas funcionários também testaram a máquina. E para mostrar como era o processo antigamente, uma simulação de votação em cédulas de papel foi realizada. Depois das eleições oficiais no país, no dia 5 de outubro, os alunos poderão também conferir o resultado das urnas da escola. Para a professora de geografia, o projeto possibilitou um olhar diferente para a política, pois muitos consideravam um assunto cansativo e de difícil compreensão.

 

No Colégio Padre Eustáquio foi realizada hoje (1º de outubro), uma eleição simulada com os alunos do ensino médio com os candidatos reais ao governo estadual e municipal, dando aos alunos a oportunidade de expressar sua vontade política, escolhendo o candidato que considera com melhores propostas apresentadas no horário eleitoral do rádio e da TV.

 

No Colégio Cotemig, a novidade foi incluir os alunos também no processo de criação de uma urna eletrônica. Por ser uma escola técnica, o programa de simulação das eleições foi desenvolvido pelos próprios alunos do segundo ano na disciplina de informática. O coordenador técnico, Leonardo Fonseca de Souza, afirma que o software será utilizado por todo o colégio na simulação das eleições. “Passamos as informações básicas para que eles desenvolvam um programa parecido com o que utilizamos hoje na urna eletrônica”, conclui. Além da votação, foi organizado um debate em sala de aula.

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