Pesquisa eleitoral erra por não saber lidar com indecisos, diz estatístico

Segundo especialista, uma mudança que seria necessária é a divulgação de dados apenas com os votos válidos, além de se criar uma forma de aferir a convicção do entrevistado

16/10/2014 14:59

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Marri Nogueira/Agência Senado/Divulgação
As pesquisas Ibope e Datafolha do primeiro turno das eleições 2014 registraram uma média de 7% de indecisos, que acabaram fazendo a diferente quando foram divulgados os resultados (foto: Marri Nogueira/Agência Senado/Divulgação)
A falta de convicção do voto declarado pelos entrevistados e a anulação involuntária do voto — em razão da inabilidade de muitos eleitores com a urna eletrônica — estão entre os fatores que explicam a disparidade dos números das pesquisas eleitorais em relação aos resultados do primeiro turno das eleições gerais de 2014, afirma o estatístico Marcos Oliveira, do DataSenado.

Edilson Rodrigues/Agência Senado/Divulgação
O estatístico Marcos Oliveira: "Indeciso é difícil você mensurar" (foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Divulgação)
Uma das discrepâncias verificadas diz respeito à guinada do candidato Aécio Neves (PSDB), que ultrapassou e venceu com boa margem Marina Silva (PSB), passando para a disputa no segundo turno contra Dilma Rousseff (PT). No primeiro turno, Dilma teve quase 42% dos votos válidos, Aécio teve perto de 34% e Marina, 21%. A pesquisa Datafolha de 4 de outubro (um dia antes da votação) apontou 44% para Dilma, 26% para Aécio e 24% para Marina.

"Eu também acredito que os indecisos tiveram papel preponderante nesses resultados, e indeciso é difícil você mensurar", diz o estatístico. Os institutos de pesquisa mais conhecidos, como Ibope e Datafolha, registraram uma média de 7% de indecisos nos últimos levantamentos feitos antes do primeiro turno. De acordo com o resultado das urnas, os que se declaravam indecisos, em sua maioria, votaram em Aécio Neves.

Segundo o especialista, além da decisão de última hora, outra variável importante adiciona um entrave à idelidade das pesquisas: a incapacidade dos institutos de medir se a intenção de voto se concretiza, já que o eleitor pode mudar de ideia. Marcos Oliveira explica também que os entrevistados podem ter indicado para os entrevistadores um voto diferente daquele que pretendiam dar, seja por vergonha, desinteresse ou desconfiança em relação ao instituto pesquisador. "Os resultados foram mesmo surpreendentes, evidenciam a limitação das pesquisas e servem como lição: é um alerta para a gente ler os levantamentos de intenção de voto com cuidado".

Na opinião do estatístico, para evitar equívocos, são necessários alguns aperfeiçoamentos metodológicos, difíceis de acontecer agora pelo pouco prazo para entrar em vigor e principalmente porque são caros. Segundo ele, além da divulgação das pesquisas com votos válidos, e não com os totais — algo que já vem mudando neste segundo turno, observa — é necessário criar mecanismos para aferir o nível de convicção do voto declarado, para tentar mensurar a diferença entre a intenção de voto e o voto propriamente dito e estar mais preparado para perceber a volatilidade do eleitor.

(com Agência Senado)

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