Barulho no bairro de Lourdes é um desafio para a região

O som gerado por frequentadores de bares e boates incomoda, e muito, quem quer descansar. Empresários, moradores, associações e entidades de classe não chegam a um acordo

por Marcelo Almeida 22/10/2014 09:07

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João Carlos Martins/Encontro
A aparente tranquilidade do bairro de Lourdes, região nobre de Belo Horizonte, logo se desfaz ao cair da noite, devido aos bares, restaurantes e boates (foto: João Carlos Martins/Encontro)


Impossível dormir. O som alto vindo da conversa e dos debates entre jovens propaga dentre os prédios de apartamentos e ecoa nos ouvidos de moradores com dificuldade de iniciar ou manter o sono. A rotina da falta de sossego se repete nos primeiros dias de semana e, especialmente, às sextas e sábados. Em Lourdes, não há Lei do Silêncio que facilite a vida de quem quer paz e tranquilidade. As reclamações já uniram moradores, associações do bairro, vereadores e, inclusive, os próprios donos dos estabelecimentos comerciais. “Ninguém quer manter a pecha de ter um negócio que causa mal ao vizinho”, conclui um comerciante que prefere não ser identificado.

Já os moradores querem se mostrar, sim, e destacam que os bares e restaurantes da região estão descumprindo a lei municipal que prevê nível máximo de emissão de ruídos de 60 decibéis até às dez da noite. “Depois desse horário o barulho precisa diminuir, mas eles sequer cumprem o permitido até as 22h. Tem dias na semana que preciso descansar cedo porque tenho cirurgia nas primeiras horas da manhã, mas a algazarra na porta do meu prédio me estressa”, conta o médico Paulo Bitarães, novo morador de um apartamento na rua Curitiba, ponto principal da efervescência da noite belorizontina.

Eugênio Gurgel
O empresário Alfredo Gordon, dono de um apartamento na rua Bárbara Heliodora: "Reclamar não adianta nada. A fiscalização ainda é falha" (foto: Eugênio Gurgel)
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) tem realizado diversas reuniões com representantes de moradores, comerciantes e vereadores da capital mineira. “Até o momento não chegamos a um consenso. Muitas acusações são descabidas porque não são os bares que causam o barulho, mas os frequentadores. Todos os estabelecimentos cumprem a lei, tem alvará de funcionamento e respeitam o horário de fechamento”, diz o conselheiro Túlio Montenegro.

Na prática, um acordo realizado em 2011 entre a Associação dos Moradores da Praça Marília de Dirceu e Adjacências (Amalou) e a Abrasel definiu que os bares e restaurantes retirem as mesas das calçadas a partir das 23h30, nos dias de semana, e à 1h, às sextas, sábados e vésperas de feriado. “O número de reclamações caiu muito. Tínhamos, em média, 80 solicitações mensais para fazer cumprir a Lei do Silêncio no bairro. Hoje, com o acordo, são apenas dez ou 12 reclamações”, confirma o presidente da Amalou, Jefferson Rios.

Quem tem despertado a ira de moradores vizinhos por causa do barulho é uma boate localizada na rua Aimorés, quase esquina com avenida Bias Fortes. Aberta mesmo sem alvará da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), funcionava seis dias por semana, mas passou a funcionar só por um dia depois das reclamações pelo barulho. Procurado, o proprietário garantiu que já estava fazendo adequações acústicas, mas os vizinhos não ficaram satisfeitos. “O som vindo da boate, a gritaria e arruaça promovida pelos frequentadores da casa ainda é e, tenho certeza, vai continuar sendo um problema sem solução”, afirma o jornalista Túlio Aranda, que mora perto do estabelecimento.

Para muitos, o encerramento do funcionamento dos bares não é garantia de que o silêncio voltará a reinar. “Muitos frequentadores estendem a conversa mesmo com os estabelecimentos fechados, às vezes, com o som do carro em volume altíssimo”, reclama uma moradora da rua São Paulo com Alvarenga Peixoto, que optou por não revelar seu nome. O empresário Alfredo Gordon, dono de um apartamento na rua Bárbara Heliodora, ressalta que os bares geram até pouco transtorno, mas são os frequentadores com motos e carros com descargas abertas os responsáveis por gerarem um barulho ensurdecedor. “E reclamar não adianta nada. A fiscalização ainda é falha”, diz.

A PBH, por meio da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, informou que são feitas fiscalizações periódicas nos estabelecimentos. Em 2013, foram registradas mais de sete mil reclamações pelo telefone 156. Das cinco mil vistorias realizadas, 521 autuações foram geradas, dentre advertências e multas. No bairro de Lourdes, as reclamações mais recorrentes são relacionadas aos ruídos e barulhos gerados por bares, boates e casas de shows. Os valores das multas podem variar de R$ 100 a R$ 14 mil.  Mesmo assim, muitos continuam desafiando a lei e o sossego de quem mora perto.

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